Renato Moraes

09/03/2022

 

Vamos falar de cordel?

Contar histórias faz parte da essência humana como forma de transmissão de conhecimento e cultura. Para contar histórias criamos parábolas para adultos e crianças, articulamos ideias em forma de conto, romance, novela e poesia. Aqui no Nordeste, esse ato de contar histórias ganha uma marca da irresistível cultura popular com o cordel: versos metrificados de forma a serem contados quase musicalmente, pois é assim que muita gente lê e escreve o cordel: tal qual uma melodia.

A Casa do Cordel, lugar de resistência em forma de cultura no RN, acaba de lançar a quinta edição da Coletânea Dez Mulheres Potiguares, escritos e ilustrados por mulheres. Os dez cordéis narram em versos o perfil biográfico de mulheres que se destacaram na história do Rio Grande do Norte como: a ativista negra Ana Paula Campos, nossa colega colunista no Potiguar Notícias, homenageada nos versos de Célia Melo (Bombom); a poetisa Áurea de Góis, por Jussiara Soares; a contadora de estórias Daluzinha Avlis, na poética de Rita Cruz; a ceramista e “mãe” do galo de São Gonçalo, Dona Neném, pelas estrofes de Rosa Regis; 

Também são homenageadas Eliane Amorim das Virgens, primeira mulher desembargadora do TJRN, na poesia de Geralda Efigênia; Fátima Bezerra, única mulher a governar um estado brasileiro na atualidade, nos versos de Vani Fragosa; Lindalva Torquato Fernandes, primeira mulher a presidir o TCE/RN, por Járdia Maia; Maria de Lourdes Alves Leite, pioneira feminina na Justiça do Trabalho do RN, na métrica de Gorete Macêdo; Titina Medeiros, atriz de destaque nacional, nos versos de Fátima Régis e Wilma de Faria, primeira mulher a governar o RN, na poesia de Sírlia Lima.

A coleção, que é destaque no cordel potiguar, também traz nas capas as xilogravuras das artistas plásticas Cecília Guimarães, Célia Albuquerque, Kimberly e Letícia Paregas.

Permito-me acrescentar a essa lista, algumas já homenageadas, Clara Filipa Camarão, a indígena que lutou ao lado do marido contra os holandeses. A professora natalense Celina Guimarães, que aos 29 anos foi a primeira eleitora do Brasil. Alzira Soriano Teixeira, primeira prefeita eleita no Brasil e na América Latina. Joanna Cacilda Bessa, primeira vereadora do país. Maria do Céu Fernandes de Araújo, primeira a ocupar um cargo em Assembleia Legislativa. E dona Militana, de São Gonçalo do Amarante, considerada por muitos a maior romanceira do país. São Gonçalo também entregou ao Brasil Ademilde Fonseca, a Rainha do Choro. 

Falemos também da pescadora e marisqueira Terezinha de Jesus, de Porto do Mangue, patrimônio cultural da cidade que virou monumento através da arte de Guaraci Gabriel. Para fechar uma lista interminável, falemos da educadora, escritora e poetisa Nísia Floresta, nordestina e brasileira até no nome que resolveu adotar.

Passadas as homenagens ao Dia Internacional da Mulher, meu mais profundo respeito e admiração às mulheres que fazem de todo dia um dia de luta e resistência.