Renato Moraes

02/02/2022

 

Um passeio pelas terras do Barão

A primeira semana de fevereiro tem festa em Boa Saúde e Espírito Santo, que celebraram suas padroeiras hoje. Nossa Senhora da Saúde, de Boa Saúde, e Nossa Senhora da Piedade, de Espírito Santo, que nasceu em povoação denominada Cana Brava, em 1835 e virou Cruz do Espírito Santo 42 anos mais à frente.

Mas lá pelos idos de 1870 a história da cidade foi marcada por uma série de tumultos provocados por um grupo chamado camisa preta, alusão ao seu líder, Manoel Joaquim Camisa Preta, nos conta Câmara Cascudo em Nomes da Terra.  

Por falar em história, a nossa dica de hoje é um passeio pelos engenhos de açúcar da época imperial em Ceará-Mirim, distante cerca de 30 km de Natal. A cidade, uma das mais antigas do RN, começou a ser povoada por volta de 1535.

O visitante pode optar viajar de trem, a partir da estação da Ribeira. E roteiro histórico já começa na chegada, pois a estação de Ceará-Mirim foi a primeira obra pública inaugurada por um presidente no Rio Grande do Norte. O prédio foi entregue por Afonso Penna, em 1906.

O roteiro de visita aos engenhos de açúcar é de encher os olhos e aguçar os sentidos: tem cheiro de terra e de história no ar. O mais antigo é o Carnaubal, hoje em ruínas. O Engenho de São Leopoldo, fundado por um militar da Guarda Nacional no século XIX, é local de parada para uma visita à casa grande, onde funciona um restaurante. Outra parada obrigatória é o Museu Imperial.

Com uma boa pesquisa na internet, dá pra montar o próprio roteiro, mas o ideal é contratar um guia e o mais conhecido é Francisco Ferreira, que costuma se caracterizar como Manoel Varela do Nascimento, o barão de Ceará-Mirim.

A história da povoação da cidade está ligada aos índios potiguares que viviam às margens do rio pequeno – chamado, naturalmente, de ceará mirim. Mas isso é assunto para outro dia. Até a semana que vem.