Emanuela Sousa

21/01/2022
 
A linha tênue entre esperar e a perda de tempo
 
Nunca se refletiu tanto sobre o conceito de viver como esses últimos tempos. Nunca se ouviu falar tanto em vida e morte em toda a história da humanidade. 
 
O tempo também está no ranking dos assuntos mais comentados. Se você acha que não, pare, pense e reflita. 
 
Nesses últimos dois anos com a pandemia,  você sente que viveu a vida? 
Sente que procrastinou muitas coisas que deseja ter realizado? 
 
E quanto aqueles que colocaram seus projetos na gaveta... Será que hoje encontraram tempo e disposição para colocá-lo em ação? 
 
Há uma misteriosa linha entre o tempo e a perda de tempo. Nunca sabemos ao certo se estamos andando sobre a linha menos dramática.  Particularmente tenho a sensação que durante esse ano de 2021,  em meio sobre o céu dramático da pandemia, em muitos momentos perdi o foco e fiquei presa na bolha de gastar o tempo. Seja para escrever, ler, conhecer pessoas virtualmente, ou qualquer outra coisa que me agradasse e me fizesse sentir viva. Sob a inocência, achei que eu tivesse apenas esperando... Esperando a vacina, a liberação, o mundo voltar ao normal.
 
Me arrependo. Ah, se eu pudesse voltar lá!  Dia 1 de janeiro de 2021.. Faria tudo diferente. Aproveitaria melhor o meu tempo, gastaria melhor minhas energias, mesmo que  sob o confinamento.
 
Alguém me disse que pelos olhos da espiritualidade temos um prazo de vida cumprir na terra. Ao ouvir, senti um desespero correr sobre minhas pernas: Será que ando aproveitando enquanto estou na terra ?  
 
O tempo e sua fome. Atravessa e devora, quando damos conta já passou, quem aproveitou, viveu. Renderá ótimas memórias.
Quem não aproveitou, não terá tempo para renovar seu contrato e efetivar seu "prazo de validade"...  Apenas restará a amarga sensação do arrependimento perpétuo.