Emanuela Sousa

24/10/2021
 
Prazer, apreciadora de cafés. 
 
 
Começo essa crônica com bom humor, afinal sempre detestei quando me rotulam em "viciada em café", transformando um hábito em algo pejorativo. Prefiro dizer que sou sim, uma apreciadora de cafés e tenho bom gosto.
 
Esses dias, sai numa manhã de domingo somente para experimentar novos cafés pela cidade. Estava frio em Sao Paulo, então pensei o quão combinaria este tempo tão paulistano com uma (algumas) xícaras. 
 
Entrei em uma cafeteria famosa, pedi um cappucino acompanhado de canela. Gente bonita, casais, jovens... e grupo de amigos no local. 
Ha quanto tempo não via uma cena como essa? A Pandemia nos privou, e agora, aos poucos, tudo parece estar se normalizando. 
 
Passados alguns minutos, a chuva deu uma trégua, o café acabou e as últimas folhas do livro de Cecília Meireles tinham sido devoradas. Restou-me dar uma volta. 
Meus olhos avistaram uma outra cafeteria, discreta, mas bem frequentada. Mesinhas enfeitadas no local, um certo ar de elegância. 
 
Pedi um expresso, no calor da emoção, pois a fila do caixa parecia aumentar a medida que meus olhos se perdiam na decoração do local. 
 
Meus olhos, nem sempre tão atentos, mas atenciosos caíram sobre o senhor que discretamente sentava-se a mesa. Ele parecia estar introspectivo ou ansioso com algo. Pediu um café preto, logo foi o servido. 
 
Sentei-me na mesa ao lado, ainda observando a feição do senhor. Será que ele está bem?  Minha preocupação era se este senhor estava precisando só tomar um café e pensar nos problemas, ou se estava precisando de uma companhia para ouvi-lo. 
 
Do outro, uma mulher, aparentando ter os seus cinquenta e pouco anos, pedia um expresso com algumas rosquinhas para beliscar. Empolgada, ela falava no celular com sua filha por chamada de vídeo. Mandavam beijos uma para a outra, trocavam afetos, e a senhora empolgada dizia: "Logo estarei aí com você!" 
 
Meu sorriso se abriu. E não foi porque o meu café chegou na mesma hora, mas pela a cena era no qual presenciava.  Em seguida o senhor, que aparentava preocupação, tirou um livro da maleta. Seu semblante mudou. Não era nada, talvez fosse só um mal humor passageiro  (Ou a falta de um cafézinho para despertar). 
 
Quantas histórias temos quando paramos por um momento para se atentar o que acontece ao nosso redor, enquanto degustamos um café, não é mesmo?  
 
Saímos da bolha, olhamos mais atentamente o que não conseguimos ver no cotidiano. 
 
Acho que estou precisando sair para apreciar mais alguns cafés... Alguém me acompanha?