Emanuela Sousa

25/10/2020
 
Ainda saberemos receber amor pós a pandemia? 
 
 
Estamos entrando para a reta final do ano... A bordo muitas reflexões, questionamentos, muitos já estão levando uma vida "normal" , voltamos à frequentar bares, restaurantes e shoppings, mas ainda tentando nos adaptar ao "novo normal". 
 
Há uma tensão no ar, ainda há incertezas sobre como tocaremos nossos projetos e negócios no futuro. Não queríamos, porém ainda estamos com os nervos aflorados, procurando meios de como nos livrar de tanto stress acumulado.
 
O afastamento social foi ironicamente na minha visão, apenas um retrato de como vivemos nesse século:  bem distantes. Trouxemos a tecnologia a nosso favor para "aquecer" as relações com os mais próximos... Mas particularmente falando, durante toda a quarentena não me senti convencida nenhum pouquinho por ela.
 
É claro que a tecnologia nos aproxima - e temos que de certa forma, agradecer à ela,  facilita a comunicação  mas ainda não me sinto convencida que uma conversa no whats app ainda é mais importante  que um encontro presencial. 
 
Eu não consigo me imaginar passando uma vida inteira de quarentena, longe da minha troca de afetos com os meus, não consigo me relacionar somente por trocas de mensagens... Talvez seja uma complexidade minha. Ainda me falta o tato, o olho no olho durante um café e outro, ainda falta o calor das mãos...
 
Ah! Como foi gostoso estar de volta à mesa do restaurante em volta das pessoas, como foi mágico voltar às risadas, a descontração, o chop na mesa, o abraço no final da noite no meio do frio de São Paulo...
 
"Preciso dessas coisas para me sentir viva." murmuro. O que seria de mim se não fosse esses momentos? São momentos  como esses que nos salvam depois de um dia ruim.
 
Tem gente que já leva uma vida de quarentena. Não são muito fãs de trocas de carinho, já subiram muros há muito tempo, preferem o conforto e o silêncio de casa do que os encontros sociais (não julgo). E tem aqueles que estão carentes de afeto esqueceram que abraço bem dado pode curar males internos como a depressão e a ansiedade. Esqueceram tanto que já não fazem mais questão, acomodaram-se na relação digital, fria e distante...
 
Olhando os dois lados, que lado você se encaixa? 
Se você está do lado dos mais sensíveis, que precisa de afetos presenciais e se já não está mais de quarentena, sugiro que dê o máximo de amor que você puder aos seus. Não é para economizar afeto, é para ultrapassar as linhas do infinito,  estamos há séculos nessa de economizar amor e veja só a tragédia que fizemos no mundo.
 
Amor é pra despejar, inundar, escorrer.
 
Questiono-me com frequência, em especial agora, como será quando a pandemia acabar... Se estaremos de peito aberto para o calor humano ou iremos retroceder de vez...