Emanuela Sousa

18/10/2020
 
Tenho algumas questões
 
Joguei- me sobre tapete escuro da sala de casa, que combina com o céu acinzentado de são paulo. Ainda permaneço complentativa e ao mesmo tempo eufórica,  mas continuo me distraindo com o último livro que comprei e com as demais tarefas entre um espaço de tempo e outro. 
 
A crise existencial chegou - e chegou com força, talvez por eu já estar a caminho do aniversário... Logo chegam as dúvidas, as incertezas sobre o futuro, uma leve tensão circula... Mas ainda tenho muito mais o que agradecer do que lamentar, pela vida e pelos amigos que tenho.
 
E você? O que tem a agradecer neste ano? O que você leva consigo para o próximo ano? 
 
O lado melancólico vem quando você se vê, cada vez mais distante da sua infância e pré juventude e segue sem muitas garantias para a fase adulta. Tudo o que levo é o conhecimento nas bagagens e as conquistas até o momento. Querendo ou não devo lembrar que a pandemia trouxe questões à serem pensadas sobre o futuro, influenciando muitas vezes, de forma negativa sobre as perspectivas. Ainda há quem enxerga o futuro com bons olhos,  ainda há os que acredita numa cura para o mundo. 
 
Quando eu era criança imaginava o futuro de uma maneira tranquila e harmônica, tinha uma visão que tudo poderia ser organizado e que as coisas estariam ao meu alcance. A vida adulta chega e com elas as responsabilidades, as injustiças que sofremos (que sempre existiram e só agora enxergo com mais clareza) e a pressão que sobrecarregamos, tudo isso nos faz ficar bem longe daquela visão quase que ingênua que tínhamos sobre o futuro.
 
Fiz um pré- save da banda Fresno no Spotify. Assim que saiu o lançamento  escutei por umas dez vezes  "Deus Ex Machina", não me contentando com a curiosidade fui em busca do significado do título. Depois de tantos vídeos assistidos com breves explicações, admirando a nova descoberta me vi com os pensamentos longe... Apertei todos os andares do elevador, andei desprevinida no corredor que vai do elevador até o hall do prédio, tudo o que pensava enquanto a musica rolava era como seria fantástico que um "deus máquina" entrasse em cena e reescrevesse o final da minha história...  Assim como acontece nos filmes, nos livros quando os personagens são surpreendidos por uma solução inesperada, quase que inimáginavel que muda o destino de todo o enredo. 
 
Como seria fantástico se chegasse uma solução que acabasse com o sofrimento,  que curasse as enfermidades, nos salvando da tragédia do mundo. 
 
Talvez assim eu teria menos crises e estaria mais preparada para encarar o futuro.