Reflexões sobre a Economia Política e as transformações no mundo do Trabalho

05/07/2020

Por: Márcio Dias
 
 
O trabalho é a fonte de toda riqueza, afirmam os economistas. Assim é, com efeito, ao lado da natureza, encarregada de fornecer os materiais que ele converte em riqueza. O trabalho, porém, é muitíssimo mais do que isso. É a condição básica e fundamental de toda a vida humana. E em tal grau que, até certo ponto, podemos afirmar que o trabalho criou o próprio homem. – Friederich Engels em O mundo do trabalho e a luta de classes
 
 
Não é fácil contextualizar e analisar as transformações do Mundo do Trabalho, porque dizem respeito ao desenvolvimento das sociedades e isso é muito complexo. Mais difícil ainda é tentar compreender como a humanidade pôde produzir resultados tão extraordinários e, às vezes, até inacreditáveis em meio a profundos antagonismos e interesses de classes absolutamente inconciliáveis.
 
As duas classes fundamentais da sociedade produtora de mercadorias travam uma luta de classes que é a expressão maior dos conflitos no nosso tempo, lutam entre si pelo poder e o direito de conduzir os processos políticos, econômicos, sociais e culturais à sua maneira, de acordo com a sua ideologia e protagonismo histórico. De um lado - a burguesia - classe outrora revolucionária, detentora dos meios de produção e do poder político do Estado e, do outro, o proletariado, a classe desprovida dos meios de produção, luta para resistir a toda exploração e jugo do capital para construir um novo mundo livre da opressão de classe. 
 
É, na verdade, uma luta titânica entre o trabalho e capital e toda sua ideologia reacionária, onde o materialismo histórico e dialético confronta o idealismo; o pensamento coletivo se contrapõe ao individualismo; a verdade enfrenta a mentira; a realidade concreta contra toda ilusão; a essência por trás da aparência e o trabalho humano, como centro de todo esse processo de transformação, construção e humanização se rebela contra toda a exploração. Essa é a luta da classe que vive do trabalho. No lado da burguesia, o encaminhamento é bem outro e a história tem demonstrado que a tentativa é para alienar e desumanizar o trabalho, visando atender os seus interesses históricos de explorar a classe trabalhadora, para se apropriar das riquezas geradas pelos que vivem do trabalho. 
 
Diante de tamanho desafio, dissipar as cortinas de fumaça que impedem a maioria dos trabalhadores de enxergar e refletir sobre a realidade do contexto da luta de classes, deve ser um dos grandes objetivos da luta política. Questões, sobre como o trabalho se consolidou como atividade humana fundamental para o desenvolvimento das sociedades e como, no seu movimento físico e intelectual, foi e continua sendo, o principal responsável para o avanço e as grandes transformações cientificas e civilizacionais ao longo da história estão na ordem do dia, desde sempre. 
 
Logo, partindo dessa compreensão, de que o trabalho e a luta de classes são categorias centrais, o ponto de partida para compreender as transformações no mundo do trabalho, no nosso entendimento, passa por revisitar os conteúdos, especificidades e complexidades nos diversos modos de produção que já existiram, notadamente no capitalismo com suas forças produtivas e relações de produção estabelecidas e, tendo como horizonte os grandes eventos geopolíticos, sociais e científicos desencadeados pela economia política de cada época. 
 
As grandes guerras, revoluções políticas, revoluções industriais do passado e até os dias atuais com o advento da revolução digital em curso, com todas as suas tecnologias transformadoras nos setores público e privado são exemplos de eventos catalizadores das transformações do mundo do trabalho. Da mesma maneira, indústria e comércio, saúde, energia, serviços, comunicações, educação, segurança, agricultura, transportes, economia e finanças, defesa, meio ambiente e, enfim, todas as atividades da sociedade e da superestrutura estatal e, inclusive, no ambiente espacial são exemplos de setores impactados por estas transformações.
 
É certo, também, que nenhum estudo que se pretenda exitoso sobre o mundo do trabalho e sua evolução, pode prescindir do exame minucioso do significado das fontes de energia, particularmente, da descoberta e exploração do petróleo e das chamadas “comodities” metálicas. Nesse contexto, o estudo das principais indústrias de transformação, tecnologia e setor de serviços financeiros e não financeiros, entre outras, são fontes essenciais por serem setores extremamente competitivos e importantes do ponto de vista da pesquisa cientifica e dos avanços tecnológicos; notadamente, nos campos da automação, controle, robótica, informação e computação. E, claro, por serem determinantes para a geração de empregos, divisão do trabalho, arrecadação de tributos, acumulação e reprodução do capital.