Do Peru, reflexões sobre a educação on-line em tempo de Pandemia

24/06/2020

Por: Andrezza Tavares & Bento Silva
Foto: Camilo García Gonzáles

 

 

Do Peru, reflexões sobre a educação on-line em tempo de Pandemia

Entrevista internacional concedida por Camilo García Gonzáles, docente da área departamental de Ciências da Educação da Universidade de Piura no Peru (http://udep.edu.pe/), América do Sul, ao portal de Jornalismo Potiguar Notícias. O entrevistado é docente e pesquisador sobre os campos epistêmicos da Pedagogía, do Currículo e do Pensamento Crítico. O Professor Decano da Universidade de Piura fala sobre “educação online em tempo de Pandemia”. A entrevista, realizada integralmente no idioma espanhol (conforme também segue reproduzida ao final da entrevista), foi traduzida para o idioma português pela Profa. Dra. Maria Trinidad Pacherrez Velasco do IFRN.

1. Como o Professor Dr. Camilo García Gonzáles, a partir de sua própria atividade docente, nos descreve o contexto da educação virtual adotada no ensino superior do Peru a partir da Pandemia do covid-19?

Minha realidade profissional se desenvolve no contexto do ensino superior universitário e, sem dúvida, a crise sanitária globalizada tomou de surpresa a todos nós. Desde o ponto de vista da docência, apesar de termos alguma experiência no ensino virtual, a gente não estava totalmente preparado para enfrentar uma situação de tal dimensão, isso implicou em ter de se apropriar de uma rápida capacidade de reação diante dessa mudança repentina de paradigma educativo.

Para termos uma ideia da situação da nossa universidade e de sua capacidade de resposta diante da medida de confinamento nacional, compartilho com vocês alguns dados: O início de aulas na Universidade estava previsto para a segunda feira 16 de março e, um dia antes, ou seja, no domingo 15, o Governo do Peru declarou oficialmente a quarentena obrigatória de 15 dias em todo o país (até hoje, mais de 90 dias).

O contexto de emergência obrigou a mobilização de toda a universidade para enfrentar a crise. Na docência foi tomada a decisão de adiar o início das atividades até 30 de março. Essa decisão audaz foi resposta ao nosso compromisso com estudantes e docentes para assumirmos juntos o desafio da educação na modalidade não presencial. Essas semanas, antes do início das atividades acadêmicas, nos permitiram adequar nossos programas, capacitarmos para a demanda virtual e fazer um rápido diagnóstico sobre a infraestrutura tecnológica de nossos estudantes. Hoje, olhando para atrás, valorizo muito a decisão responsável e firme de começar com a docência virtual.

Ao longo deste semestre adquirimos umas competências digitais que permitiram nos aperfeiçoarmos, tanto nas estratégias quanto no uso de diversas ferramentas de ensino. Minha reflexão é que esta crise evidenciou nossas fragilidades, porém, também, expôs as nossas fortalezas que nos têm permitido, até agoram cumprir com os objetivos propostos em nossas disciplinas.

Pela experiência adquirida como docente nesta modalidade não presencial posso afirmar que a proximidade com os estudantes é fundamental, é a pedra angular para sustentar esta modalidade, por isso, a chave é a interação, a mesma que não se deve reduzir a uma sessão de aprendizagem numa plataforma, mas também ampliada ao campo da assessoria ou tutoria com o estudante de forma personalizada ou grupal fora do contexto de uma aula. Também é formativo continuar com todas as atividades denominadas extracurriculares, culturais, esportivas, de pesquisa, formação espiritual, etc. A ideia é manter ativa toda a oferta docente. Definitivamente, há muito que aprender e todas as ações de melhoria deverão ser trabalhadas em foruns de estudantes e alunos visando o seguinte semestre. Nós recolhemos, através de enquetes a estudantes e docentes, suas percepções sobre o serviço de docência virtual recebido até agora com a ideia sempre de melhorar e retroalimentar as nossas estratégias docentes.

2. Considerando os aspectos social, econômica e ambiental do Peru, destacadamente no contexto da pandemia, qual a expectativa sobre o futuro do país?

Sem dúvida, estamos diante de uma situação de incertezas que obriga ir tomando decisões rápidas e ir ajustando as políticas econômicas de acordo com o avanço da pandemia. Em nosso país, a crise sanitária tem castigado todos os setores do país e, em especial, a população mais vulnerável social e economicamente.

Mesmo com os esforços do Governo em dotar de “bonos” econômicos a população mais necessitada, a dita política assistencial foi insuficiente e paliativa, só para uns dias, o que está levando ao crescimento exponencial do setor informal e ao aumento da pobreza no país. Neste momento, o Governo decretou a reativação econômica de forma progressiva o que, lamentavelmente, possibilitou que setores não previstos não respeitassem as fases previstas de reativação. Vemos o aumento da informalidade e da ilegalidade.

No Peru foi aplicada a suspensão total de atividades que tem deixado milhares de trabalhadores sem sustento econômico. Muitas das empresas pequenas e médias não suportaram a crise e quebraram economicamente. As que conseguiram sobreviver a esta crise se foram para o setor informal ou também, e isso é importante ressaltar, viram a possibilidade de “reinventar-se” em meio à crise, mudando o giro dos seus negócios e adequando-os à situação atual. A ideia é respaldar estas iniciativas e ter uma normativa legal.

Dando início à primeira fase da reativação, se gerou um movimento exponencial nas ruas que em poucas semanas tem gerado índices de contaminação que ultrapassam a “normalidade” pondo em risco a saúde de todos.

Objetivamente, o nosso país pagará um alto um preço para, pelo menos, um par de anos, saindo aos poucos da crise econômica. O Peru estava numa posição sólida economicamente, porém as políticas assistenciais aplicadas somadas ao endividamento do país anunciam uma recuperação lenta em todos os aspectos.

3. No Brasil, as transformações do ensino presencial para o ensino com o uso de novas tecnologias tem como principal contraponto o aspecto econômico e social dos estudantes, inclusive, no ensino superior a maioria das instituições durante a pandemia optou por suspender os seus calendários letivos. No Peru este aspecto também afetou os alunos do ensino superior em 2020?

Sem dúvida, a mudança na modalidade foi um desafio importante na comunidade universitária. Minha visão leva a entender que a educação virtual vai enriquecer a modalidade presencial e a educação não será a mesma depois da pandemia. O conhecimento dos meios tecnológicos tem crescido com a própria experiência e a partir desse conhecimento surgem iniciativas e ações ou planos de melhorar o ensino em tais entornos.

Optar pelo ensino virtual tem nos dado o aprendizado da necessidade da proximidade com as pessoas; a questão tecnológica suporta muito bem quase todas as atividades em nível universitário, até mesmo as de esporte e dança, por exemplo. A proximidade também pode acontecer entre professores e universidades estrangeiras permitindo uma troca de experiências de muito proveito para todos. Agora é possível fazer estudos de pósgraduação e incluir professores estrangeiros de diversas universidades do mundo enriquecendo dessa forma a oferta acadêmica. As fronteiras físicas e a distância têm sido superadas na virtualidade. Essa transformação tem permitido a comunicação global através de conferências e diversos outros serviços educativos.

No caso dos nossos alunos de Piura, o comportamento social diante do isolamento social é digno de ressaltar, pois não tem sido um recolhimento passivo, pelo contrário, olhamos de frente para a crise e o desafio de continuar os estudos; professores e estudantes têm sabido adequar-se rapidamente à tecnologia e à mudança de paradigma pedagógico e têm conseguido permitir a entrada da universidade no seu lar, transformando-o num refúgio de trabalho intelectual. Nos lugares onde o acesso à internet é difícil, por exemplo na zona montanhosa de Piura, os alunos tem sido criativos para conseguir conectar-se, por exemplo escalam até um monte onde recebem um sinal forte de forma a não perder as aulas.

4. Quais as políticas educacionais que as instituições de ensino têm recebido diante das contingências provocadas pela pandemia no Peru? O Professor concorda com tais proposições políticas?

Perante a situação de crise sanitária, o Governo tem dado o marco legal para que as universidades continuem com as atividades no formato virtual e tem flexibilizado os requisitos para que estas não se detenham.

De fato, a Superintendência Nacional de Educação Superior Universitária (SUNEDU) publicou no Diário Oficial El Peruano em 29 de março a Resolução do Conselho Diretivo nº0-39-2020-SUNEDU-CD que aprova os “Critérios para a supervisão da adaptação da educação não presencial, com caráter excepcional das disciplinas por parte das universidades e escolas de pós-graduação como consequência das medidas de prevenção e controle do COVID-19”.

A finalidade deste marco legal tem sido assegurar a continuidade da prestação do serviço de educação superior de acordo com critérios de acesso, adaptação, qualidade e outras condições essenciais para a aprendizagem.

Enquanto universidade e em base à normativa, temos analisado a oferta de disciplinas e verificado quais podiam, por sua natureza, ser adaptadas à virtualidade e quais não. Aquelas que não pudessem ser adaptadas têm sido reprogramadas para oferta posterior, a exemplo aquelas disciplinas que requereriam de um ambiente ou instalação especializada cujo uso estaria impossibilitado de executar-se devido às medidas sanitárias.

É importante que as atividades das universidades contem com o marco legal e critérios de flexibilidade. Dentre todos os setores do governo, o educativo será o último a reincorporar-se ao modo presencial, o que considero prudente e oportuno.

Cabe assinalar que inicialmente se dispôs de maneira excepcional “a suspensão e/ou adiamento de atividades letivas, culturais, artísticas e/ou recreativas realizadas presencialmente nos locais das sedes e filiais das universidades públicas e privadas e escolas de pós-graduação, até 03 de maio de 2020 inclusive”. Obviamente, a realidade obrigou adiar, e agora de maneira indefinida, o retorno ao modo presencial. Ao que tudo indica, o ano todo será não presencial em todos os âmbitos educativos.

É na educação básica regular (fundamental e médio) que as medidas do governo não só têm mudado mas também têm sido polêmicas. Por exemplo, foi tomada como medida que os estudantes de escolas privadas fossem trasladados para as escolas públicas a fim de aliviar economicamente os pais de família que não podiam assumir o valor das mensalidades. Isto tem causado conflito nas escolas privadas, nos professores e no processo de traslado, tendo se tornado burocrático e lento, pois só em junho começou a fase de implementação, o que eu acredito vai causar ainda mais desordem na retomada do ano escolar. Os alunos da escola pública iniciaram as aulas em 06 de abril.

5. Que mensagem de desfecho para esta entrevista, o professor e pesquisador Camilo García Gonzáles, da distinta Universidad de Piura no Peru, compartilha com a sociedade brasileira?

Acho que estamos enfrentando um momento histórico, e que no campo da educação tem todo um desafio de transformação sem precedentes. Esta crise tem revelado as nossas fragilidades educativas em nível de infraestrutura e de conectividade, porém, também tem mostrado as nossas fortalezas para enfrentar esta crise e vendo nela uma oportunidade para crescer pessoal e profissionalmente. A ideia é sairmos fortalecidos e apontando para um futuro imediato a uma proposta mista do virtual e presencial. Tem muito dado para ser investigado, e sem dúvida, isso vai fortalecer a criatividade, a inovação e o trabalho em equipe. É um momento único para transcender o nosso âmbito acadêmico. Tem que se tomar a iniciativa e apresentar aos nossos governantes propostas educativas ou projetos que melhorem, por exemplo, as estratégias docentes ou a avaliação em contextos virtuais. Não se pode esperar que os problemas venham, temos que saber antecipá-los.

Ainda que o contexto seja complicado, pode ser muito interessante aproveitar as sinergias que somos capazes de produzir não somente para o interior de nossas instituições, mas também o que podemos oferecer para a sociedade afora, no geral. Neste sentido, os projetos entre universidades serão vitais para o crescimento da sociedade. O ensino superior não pode dar as costas a esta realidade ou ficar num bunker (ambiente de refúgio) desconhecendo ou fazendo ouvidos surdos às demandas da sociedade.    

 

Nota: Esta entrevista publicada no Portal de Jornalismo Potiguar Notícias integra o repertório de publicações do Projeto pluri-institucional intitulado “Diálogos sobre Capital Cultural e Práxis do Instituto Federal do Rio Grande do Norte (IFRN) - IV EDIÇÃO”. O Projeto, vinculado à Diretoria de Extensão (DIREX) do campus IFRN Natal Central e ao Programa de Pós-Graduação Acadêmica em Educação Profissional PPGEP do IFRN, articula práxis do campo epistêmico da Educação a partir de atividades de ensino, pesquisa, extensão, inovação e internacionalização com o campo da comunicação social a partir da dinâmica de produções jornalísticas por meio de diversos canais de diálogo social como: portal de jornal eletrônico, TV web, TV aberta, rádio e redes sociais. O objetivo do referido Projeto de Extensão do IFRN é socializar ideias e práxis colaboradoras da educação de qualidade social, de desenvolvimento humano e social por meio da veiculação de notícias em dispositivos de amplo alcance e difusão de comunicação social. Para mais informações sobre o Projeto contacte a coordenadora: andrezza.tavares@ifrn.edu.br.  

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Entrevista no idioma Espanhol

  1. ¿Cómo ve la actividad docente en el contexto de la Pandemia?

Mi realidad profesional se desenvuelve en el contexto de la educación superior universitaria y, sin duda, la crisis sanitaria a nivel global nos tomó a todos por sorpresa. Desde el punto de vista de la docencia, aunque contábamos con cierta experiencia en la educación virtual, no nos encontrábamos del todo preparados para afrontar una situación de tamaña dimensión lo que supuso hacerse de una rápida capacidad de reacción ante este cambio repentino de paradigma educativo. Para que tengan una idea de la situación de nuestra universidad y de su capacidad de respuesta frente a la medida de confinamiento nacional ante la crisis sanitaria les comparto unos datos: En la Universidad iniciábamos las clases un lunes 16 de marzo y un día antes, es decir el domingo 15 de marzo, el Gobierno del Perú declaró oficial el inicio de la cuarentena obligatoria a todo el país por 15 días (ahora llevamos ya más de 90 días).

Este contexto de emergencia obligó la movilización de toda la universidad para hacer frente a esta crisis. Desde el punto de vista de la docencia se tomó la decisión de postergar el inicio de las actividades académicas hasta el 30 de marzo. Esta decisión audaz fue una respuesta a nuestro compromiso con nuestros estudiantes y docentes para asumir juntos el reto de la educación en una modalidad no presencial. Esas dos semanas antes del inicio de las actividades académicas nos permitió adecuar nuestros sílabos, capacitarnos en entornos virtuales y hacer un rápido diagnóstico sobre la infraestructura tecnológica de nuestros estudiantes. Hoy, dando una mirada hacia atrás, valoro mucho la decisión responsable y firme de empezar con la docencia virtual.

A lo largo de este semestre, hemos adquirido unas competencias digitales que nos ha permitido ir perfeccionándonos tanto en estrategias como en el uso de diversas herramientas de enseñanza. Mi reflexión es que esta crisis puso en juego nuestras debilidades pero también de nuestras fortalezas que han permitido hasta ahora cumplir con los objetivos propuestos en nuestras asignaturas.

La experiencia adquirida como docente en esta modalidad no presencial me permite afirmar que la cercanía con los estudiantes es fundamental, es la piedra angular para sostener esta modalidad, por eso es clave la interacción, la misma, que no solo debe reducirse a una sesión de aprendizaje en una plataforma sino que debe ampliarse al campo de la asesoría o tutoría con el estudiante de manera personalizada o grupal fuera del contexto de una clase. También es formativo continuar con todas las actividades denominadas extra curriculares, culturales, deportivas, de investigación, formación espiritual, etc. La idea es mantener toda la oferta docente de manera activa. Definitivamente hay mucho por aprender y todas las acciones de mejora se trabajaran en foros de estudiantes y alumnos cara al siguiente semestre. Nosotros hemos recogido a través de encuestas a estudiantes y docentes sus percepciones sobre el servicio de docencia virtual recibido hasta ahora con la idea siempre de mejorar y retro alimentar nuestras estrategias docentes.

2.¿Cuál es su visión objetiva ante la situación social, económica y ambiental para el futuro en su país?

Sin duda estamos frente a una situación de incertidumbre que obliga a ir tomando decisiones rápidas e ir ajustando las políticas económicas acorde con el avance de la pandemia. En nuestro país la crisis sanitaria ha golpeado a todos los sectores del país y en especial a la población más vulnerable social y económicamente.

A pesar de los esfuerzos del Gobierno en dotar de bonos económicos a la población más necesitada, dicha política asistencial ha sido insuficiente y paliativa solo para unos pocos días, lo que ha obligado al crecimiento exponencial del sector informal y del aumento de la pobreza en el país. En estos momentos el Gobierno ha decretado la reactivación económica de manera progresiva y eso lamentablemente ha generado que los sectores no previstos aún no respeten las fases previstas de la reactivación aumentando con ello la informalidad y la ilegalidad.

En el Perú se ha aplicado la suspensión perfecta de labores que ha dejado a miles de trabajadores sin sustento económico. Muchas de las empresas pequeñas y medianas no han soportan la crisis y han quebrado económicamente. Las que subsisten a esta crisis se han movido o al sector informal o también, y eso hay que resaltarlo, han visto en medio de la crisis la posibilidad de “reinventarse” cambiando el giro de negocio y adecuándolo a la situación actual. La idea es respaldar estas iniciativas y tener una normativa legal que las respalde.

Solo habiéndose iniciado la fase primera de reactivación se ha generado un movimiento exponencial en las calles lo que ha generado en pocas semanas que los índices de contaminación alcancen ya la “normalidad” poniendo en riesgo la salud de todos.

Objetivamente a nuestro país le costará por lo menos un par de años para ir saliendo poco a poco de la crisis económica. El Perú se encontraba en una posición sólida económicamente pero las políticas asistenciales aplicadas sumadas al endeudamiento del país prevén una recuperación lenta en todos los aspectos.

3. ¿Qué transformaciones observa en la enseñanza presencial relacionada con el uso de nuevas tecnologías y el aspecto/comportamiento social de los alumnos por causa del aislamento social obligatorio en 2020?

Sin duda el cambio de modalidad supuso un reto importante en la comunidad universitaria. Mi experiencia es que el modelo de la educación virtual será muy enriquecedor para la modalidad presencial y la educación no será la misma después de la pandemia. El conocimiento de los medios tecnológicos ha crecido con la propia experiencia y a partir de ese conocimiento surgen ya iniciativas y acciones o planes de mejora para la enseñanza en dichos entornos.

Una de las enseñanzas que nos deja el haber optado por la enseñanza virtual es la necesidad de cercanía con las personas, la parte tecnológica soporta muy bien casi todas las actividades a nivel universitario incluidas por ejemplo el deporte o la danza. Dicha cercanía incluye también a profesores y universidades extranjeras lo que permite un intercambio de experiencias muy beneficioso para todos. Ahora es posible hacer estudios de postgrado e incluir profesores extranjeros de diversas universidades del mundo enriqueciendo tu oferta académica. Las fronteras físicas y la distancia han sido superadas en la virtualidad. Esta transformación ha permitido pues la globalidad con conferencias a nivel mundial y con acceso a un sinfín de servicios educativos.

En el caso de nuestros alumnos de Piura el comportamiento social frente al aislamiento es digno de resaltar puesto que no ha supuesto un repliegue pasivo sino todo lo contrario, frente a la crisis y al reto de continuar con sus estudios, ha sabido primero adecuarse rápidamente a la tecnología y cambio de paradigma pedagógico y ha logrado darle entrada a la universidad a su hogar, transformándolo en un refugio de trabajo intelectual. En situaciones donde la conectividad es difícil como por ejemplo en la sierra de Piura los alumnos se han ingeniado formas diversas para conseguir conectarse a la universidad, formas como por ejemplo la de escalar un monte y adecuarlo para recibir una mejor señal y no perderse las clases.

 

4.¿Qué orientaciones han sido dadas a las instituciones de enseñanza para  su implementación ante las contigencias provocadas por la pandemia? ¿Usted está de acuerdo con todas esas orientaciones? Caso no, explíquenos.

Ante la situación de crisis sanitaria el Gobierno ha dado el marco legal para permitir que las universidades continúen con la enseñanza en el formato virtual y ha flexibilizado los requisitos para que la oferta educativa no se detenga.

En efecto, la Superintendencia Nacional de Educación Superior Universitaria (SUNEDU) publicó en el Diario Oficial El Peruano el 29 de marzo del presente la Resolución del Consejo Directivo N° 0-39-2020-SUNEDU-CD, que aprueba los “Criterios para la supervisión de la adaptación de la educación no presencial, con carácter excepcional, de las asignaturas por parte de universidades y escuelas de posgrado como consecuencia de las medidas para prevenir y controlar el COVID-19”

La finalidad de este marco legal ha sido asegurar la continuidad de la prestación del servicio de educación universitaria de acuerdo con criterios de accesibilidad, adaptabilidad, calidad y otras condiciones esenciales para el aprendizaje.

Como universidad y en base a la normativa hemos analizado nuestra oferta en asignaturas y declarar cuáles se pueden por su naturaleza adaptar a la virtualidad y cuáles no. Las que no se adapten se recuperaran luego o se reprogramaran por ejemplo aquellas asignaturas cuyas actividades académicas requieran de un ambiente o instalación especializado y su uso se vea imposibilitado de ejecutarse por las medidas sanitarias.

Es importante que las iniciativas de las universidades sean respaldadas por ese marco legal y dichos criterios de flexibilidad. De todos los sectores del gobierno, el educativo, será el último que se reincorporará  la presencialidad. Esto me parece una medida oportuna y prudente.

Cabe señalar que inicialmente se dispuso, de manera excepcional, “la suspensión y/o postergación de las clases, actividades lectivas, culturales, artísticas y/o recreativas que se realizan de forma presencial en los locales de las sedes y filiales de las universidades públicas y privadas y escuelas de posgrado, hasta el 3 de mayo de 2020 inclusive”. Obviamente la realidad obligó al Gobierno a postergar y ahora de manera indefinida el retornar a la presencialidad del servicio educativo. Lo más probable es que todo el año sea no presencial en todos los ámbitos educativos.

Es en la Educación básica regular (Inicial, Primaria y Secundaria) donde las medidas del gobierno no solo han sido cambiantes sino también polémicas. Por ejemplo se tomó la medida de traslado de los alumnos de escuelas privadas a públicas con el objetivo de aliviar económicamente a los padres de familia que no puedan asumir los costos de la pensión los mismos puedan trasladas a sus hijos a las escuelas públicas. Esto ha dejado mal paradas a las escuelas privadas y por ende a sus profesores y el proceso de traslado ha sido tan burocrático y lento que recién en junio ha empezado la fase de  implementación, lo que a mi juicio lo que va a crear más desorden a la puesta en marcha ya del año escolar. Cabe indicar que los alumnos de escuelas públicas empezaron sus clases lectivas el 6 de abril.

 

5.¿Desearía comentar algún aspecto en especial respecto a actividad académica, pandemia, política, economía y sociedad?

Pienso que estamos enfrentándonos a un momento histórico y que en el campo educativo hay todo un reto de transformación sin precedentes. Esta crisis ha revelado nuestras debilidades educativas a nivel de infraestructura y de conectividad pero también ha sacado a relucir nuestras fortalezas para hacerle frente a esta crisis y viendo en ella también una oportunidad para crecer personal y  profesionalmente, la idea es salir fortalecidos y apuntando en el futuro inmediato a una propuesta mixta de virtualidad y presencialidad. Hay mucha data para investigar en el campo educativo y esto sin duda va a favorecer la creatividad, la innovación y el trabajo en equipo. Es un momento único para trascender nuestro ámbito académico. Hay que tomar la iniciativa y presentar a los gobiernos propuestas educativas o proyectos que mejoren por ejemplo las estrategias docentes o la evaluación en contextos virtuales. No hay que esperar que los problemas vengan hay que saber anticiparse.

Aunque el contexto sea complicado puede ser muy interesante aprovechar las sinergias que somos capaces de producir no solo al interior de nuestras universidades sino lo que podemos ofrecer afuera a la sociedad en general. En este sentido los proyectos entre universidades serán vitales para el crecimiento de la sociedad en general. La universidad no puede estar a espaldas de esta realidad o en un bunker desconociendo o haciendo oídos sordos a lo que la sociedad demanda.

 

 

Fonte: Camilo García Gonzáles