Ovo de serpente no IFRN

23/04/2020

Por: KALINA PAIVA
 
O que acontece no IFRN hoje faz parte de um golpe maior, fruto de uma sociedade que já estava dividida e ameaçada.
 
Como educadora, dentro de uma instituição federal, vejo essa ameaça voltar de tempos em tempos. Ainda quando fui aluna da ETFRN, conseguimos resistir ao governo FHC. Vi minhas irmãs lutarem contra a estadualização do CEFET-RN.
 
Agora, o plano maior desse governo Bolsonaro para as instituições públicas é sucateá-las para trilhar um caminho de privatização.
 
Em nossa Rede Federal potiguar, esse ovo chocou intocado. Esse processo insidioso e silencioso, gestado por um pequeno grupo sedento de poder, desembocou no que a sociedade potiguar está vendo. "Qualquer um que fizer o mínimo esforço poderá ver o que nos espera no futuro. É como um ovo de serpente. Através das membranas finas, pode-se distinguir o réptil já perfeitamente formado.", já nos alertava Ingmar Bergman em seu memorável filme "O ovo da serpente", quando um processo fascista se instala sem nem percebermos. O sueco mostrou a ascensão de Hitler e seus desdobramentos na Alemanha.
 
Como não percebemos em nosso campus?
 
A pulverização das instituições públicas nunca começa grande. É uma ação nuclear que desdobra consequências perigosas. Querendo ou não, usando a linguagem dos geólogos, há uma falha de cisalhamento em nossa Instituição. Essa ruptura está instalada em uma época na qual deveríamos no unir mais do que nunca contra o fascismo no país.
 
São um punhado de colegas nossos, apoiando o desmonte da instituição onde eles mesmos trabalham. Não percebem que estão dando um tiro nos próprios pés.
 
Entendem a gravidade?