Mendes: "Vamos fazer a Câmara Itinerante e levar o Legislativo à população"

18/04/2015

Por: Tiago Rebolo e Cesar Brasil
Foto: Raimundo Mendes, em visita ao Alpendre do PN (Cefas Carvalho)

O presidente da Câmara Municipal de São Gonçalo do Amarante, vereador Raimundo Mendes (PSB), esteve no Alpendre do PN, onde concedeu entrevista aos repórteres Tiago Rebolo e Cesar Brasil. Na pauta, o político avaliou os cem primeiros dias de sua administração à frente do Legislativo e comentou sobre eleições e reforma política, entre outros assuntos. Confira:

Como o senhor avalia este início de ano legislativo?
A Câmara tem produzido bastante, dando continuidade ao que já vinha sendo feito, mas com uma metodologia diferente. A nossa perspectiva é oxigenar melhor a gestão interagindo melhor com o povo. Para isso, precisamos ter projetos que estejam voltados mais para a realidade da nossa cidade.

Que modelo o senhor está querendo implementar na Câmara de São Gonçalo do Amarante?
O de transparência, valorização do funcionário da Casa e maior interação com o cidadão. Estamos tentando fazer com que a imagem que se tem do político, no Poder Legislativo de nossa cidade, seja diferente. Tanto é que todos os nossos atos estão no Portal da Transparência.

Qual a expectativa do senhor no que diz respeito à interlocução com o Poder Executivo?
A relação tem que ser harmoniosa, porém independente. Tentamos fazer com que o Legislativo mostre a sua cara, mas, acima de tudo, seja independente.

Existe projeto de ampliar o acesso da população às ações da Câmara?
Vamos fazer a Câmara Itinerante nos bairros. Pretendemos começar no mês de junho este projeto. Além do mais, vamos tentar estabelecer parcerias para levar prestação de serviços à população via Poder Legislativo. Precisamos mostrar o ofício do Legislativo. A população precisa saber das nossas ações.

A crise da qual tanto se fala no Brasil atinge o município?
Isso é uma situação comum em todos os recantos do país, porque a responsabilidade está recaindo muito sobre os municípios. Por exemplo: é concedido um aumento, mas 70% do pagamento tem que ser feito pelo município... Nós temos limitações da Lei de Responsabilidade Fiscal e de orçamento, em que muitas vezes o gestor não tem como administrar. A União faz a imposição sem dar contrapartida.

Isso prejudica o desenvolvimento de projetos infraestruturantes?
Sim. Muitas vezes, o projeto é feito e fica engavetado, pois o gestor municipal não tem condições de fazer. A arrecadação do município, atualmente, mal dá para cumprir as obrigações com a saúde e a educação. A questão da infraestrutura está subordinada à vontade do Poder Federal, pois os projetos tem que ser encaminhados para lá. A liberação da verba, no entanto, está sujeita à ação de um padrinho forte.

Qual o seu posicionamento sobre a reforma política? Comenta-se que os mandatos nos municípios possam ser prorrogados, a fim de que as eleições sejam unificadas em 2018. O senhor concorda com essa medida?
A Constituição diz que todo mandato emana do povo. Dessa forma, não pode haver prorrogação. O Supremo provavelmente irá julgar inconstitucional, caso este projeto passe pelo Congresso. O que eu sugiro é a realização de uma eleição para um mandato de seis anos no ano que vem, com eleições unificadas em 2022. Agora, acima de tudo, o que precisamos modificar é o formato da eleição. Elas estão muito caras. Além disso, é preciso ver a quantidade de partidos. Hoje, o que vemos são partidos cartoriais.

Está sendo cogitada a construção de um presídio em Ceará-Mirim, e muitos prefeitos são contra. O senhor também é?
Não, pelo contrário. Eu sou a favor. Em minha opinião, todo município deveria ter uma cadeia pública. Acredito que todos os infratores deveriam responder aos seus crimes perto da família. Mandar um preso, por exemplo, que cometeu um crime em Natal, para Mossoró é uma pena para ele, mas também um castigo para toda a família.

Sobre sucessão municipal, ainda é cedo para falar em eleições e possível candidatura?
Eu só falo sobre 2016 em 2016. Tudo que se falar agora é especulação. É hora de trabalho. Até porque eu nem sei se estarei vivo daqui para lá.