Anthony Emery:

19/12/2012

Por: Da redação do PN

 

Anthony Armstrong-Emery é um inglês que, casado com uma potiguar, resolveu investir no Brasil, mais exatamente em Natal. Dono da construtora Eco House e agora presidente do tradicional clube do Alecrim, Anthony concedeu entrevista ao jornalista José Pinto Júnior, para o programa Conexão Potiguar (Band). Confira:  
 
 
Você é inglês. E eu queria começar perguntando por que escolheu o Brasil para empreender?
É uma resposta bem simples: minha esposa é potiguar, daqui de Natal. Então, quando surgiu a oportunidade de voltar para o Brasil, viemos para Natal, que é a cidade da minha esposa.
 
E como surgiu a ideia da Eco House? Você já trabalhava com a questão do empreendedorismo da construção civil na Inglaterra?
Faz vinte anos que estou no ramo Imobiliário e da construção civil. A Eco House foi fundada faz uns 4 anos e meio na Inglaterra, em Londres, especificamente. Então, eu vi uma oportunidade no mercado brasileiro. Vi que estava aquecido, como está aquecido hoje em dia. O Brasil era a bola da vez. Eu vi que tinha vários problemas burocráticos de financiamento. Não tinha essa disponibilidade de financiamento bancário. Era um percentual bem pequeno da sociedade que tinha acesso a financiamento bancário em condições não particularmente favoráveis. Então, eu resolvi me voltar para o mundo que eu conheço, o mundo da Europa, o mundo internacional, e começar um trabalho de capitação de recursos. A Eco House foi originalmente fundado para fazer: capitação de recursos para aplicação dentro do Brasil no ramo de construção civil. E quando o governo brasileiro lançou o projeto Minha Casa, Minha Vida, então todo esse trabalho feito se converteu em uma realidade fantástica e uma oportunidade única de ter uma lista de espera de compradores. Era só construir. 
 
Você que conhece a Europa, por lá há algum projeto parecido?
Eu fui convidado várias vezes para falar sobre a economia brasileira e mais especificamente sobre o projeto Minha Casa, Minha Vida, porque é um projeto único. Foi feito na Inglaterra, em Singapura, projetos parecidos. Da oportunidade a pessoas que não têm meios para comprar uma casa grande, então o governo faz incentivar essa compra dizendo “Vamos financiar um pouco, mas a gente vai ficar como dono da uma parte”. Aqui no Brasil não tem isso. Foi especial o que foi criado aqui. É a oportunidade dessa pessoa decente, honesta que tem um salário, não importa se é pequeno ou grande, tem a oportunidade de juntar a renda familiar e comprar a casa própria da família. O governo não está dando a casa. Eles estão comprando com o dinheiro deles. A casa é deles.
 
Eu vi críticas ao programa Minha Casa, Minha Vida em relação ao financiamento bancário.
Tudo tem um lado bom e ruim. No caso do Minha Casa, Minha Vida, sim, tem muitas coisas que atrapalham. Eu acho que o maior problema no programa é o governo federal ter responsabilizado a uma só instituição, que quando começou foi a Caixa Econômica Federal. Problema que aconteceu foi esse avalanche de cadastro, essa avalanche de projetos novos  a serem cadastrados e aprovados. Faltou estrutura, e não é culpa da Caixa, não é culpa de ninguém. Se você faz alguma coisa, é melhor abrir para o mercado. Foi o que o governo fez: abriu mão, agora não é só a CEF que se ocupa do Minha Casa, Minha Vida. Colocaram também o Banco do Brasil.
 
Como surgiu essa paixão pelo Alecrim e essa idéia de dirigir o clube?
Tenho dito aqui: o futebol é minha cachaça. É o meu relax. Sempre tive paixão pro futebol. O inglês é sempre famoso por essa paixão pelo futebol. A gente inventou e vocês aperfeiçoaram. E o Alecrim tem esse vínculo com minha família, a família de minha esposa, minha esposa é alecrinense, meu sogro é alecrinense e essa tradição da família da minha esposa me contagiou. Eu vi que o Alecrim estava passando por um momento meio ruim, que todo mundo sabe. Eu achei um momento oportuno para eu entrar. Eu sou conselheiro e quero botar meu nome aí para candidatura da presidência. 
 
E qual o projeto para o clube? 
A proposta para o Alecrim não é manter o time na primeira divisão do estado. A questão é vencer. Voltar a ser o time que ele sempre foi: grande desde os anos 80, e desde 1986 que a gente não ganha nada. Eu acho que é o momento de mudar  essa situação.
 
E o ano de 2013? Qual a meta?
Temos um investimento pesado como em qualquer negócio. Vamos pensar no futebol como um negócio, é um negocio. Um negócio precisa de carinho, precisa de estrutura, de organização. Não se pode começar uma coisa e fazer qualquer. Tem que ser algo estruturado. Primeiramente, o que eu fiz desde que assumi a presidência, precisava de um supervisor técnico. Precisamos de jogadores? Sim, mas precisamos também de uma comissão técnica que topa com nossa proposta. Precisamos de um cozinheira, médico, nutricionista, de uma concentração para os jogadores, onde os jogadores não irão para casa. Eles ficam nesta casa alojados, juntos, isso já está tudo pronto. Tem claro, também o Ninho do Periquito.
 
O que é o Ninho do Periquito?
O periquito é o mascote. O ninho será no antigo campo do Touro, lá em São Gonçalo, que foi abandonado - faz seis anos que está abandonado. Eu fechei um acordo: negociei o estádio com o presidente do Igapó Futebol Clube, Nelton. Ele topou; ele tinha um estádio no abandono, e eu tinha uma proposta que o Alecrim precisava de uma casa. Aí, surgiu o Ninho do Periquito.