Bia Crispim

07/05/2021
 
Adeus, Paulo
 
Acompanhando algumas das milhares de postagens que invadiram todas as redes sociais com a morte do ator Paulo Gustavo deparo-me com muita tristeza, com muita solidariedade à família, com muita dor por sua partida. 
 
Também me deparo com risos, memes do ator fazendo graça no céu, vídeos e fotografias de si, sozinho ou acompanhado de sua família, reels e/ou recortes de cenas de seus sempre engraçadíssimos personagens.
 
Deparo-me também com discursos de ódio e intolerância como os que desejavam sua morte, morte essa que era esbravejada como “um castigo de Deus” por ele ser gay. Como assim? O vírus que infectou Paulo Gustavo e sua consequente partida é castigo divino por ele ser gay? Por essa lógica, os outros mais de 400.000 mil mortos padeceram porque eram gays? Lógico que não!
 
Lógico também que o fato de o ator ter contraído o vírus e morrido não tem nada a ver com sua sexualidade, muito menos com castigos divinos. O uso do discurso religioso contra LGBTQIA+ vem de muito tempo, mas é um absurdo o quanto esse fenômeno bizarro e anti-humano vem tomando proporções gigantescas nos últimos tempos.
 
Voltamos para a Idade Média ou estamos perto. Muito perto! E isso é aterrador.
 
No intervalo das filmagens de “Minha Vida em Marte”, novo longa de Monica Martelli, Paulo Gustavo aproveitou o set para fazer um manifesto contra esse tipo de discurso, e é com um trecho desse manifesto que me despeço do ator e da coluna dessa semana. 
 
Senhoras, senhores e senhoritas/es/os, com vocês, o brilhante PAULO GUSTAVO!!!!!
 
“Quem ofende Deus são todos que, em nome dele, cometem discriminação e disseminam ódio. Eu só tenho a agradecer a Deus porque ele sempre foi muito bom comigo, me dando saúde pra trabalhar, me deu honestidade para com a vida e para pagar todos os meus impostos corretamente, me deu generosidade pra ajudar meus amigos e sustentar minha família, me fez um ser humano solidário com os mais necessitados, me deu humor pra enxergar a vida com mais leveza e talento pra fazer o que eu faço, que é trazer alegria pra vida das pessoas! A pergunta que eu faço é: o que as pessoas que tanto destilam ódio nas redes sociais (na vida) fazem pelo próximo, pelo coletivo e fazem de suas próprias vidas? O ódio não soma, não acrescenta, não cria. Já o amor, esse sim, germina e se multiplica! E esse é o Deus que eu acredito e essas são as ideias que Jesus pregou e defendeu. Vocês acham mesmo que, com toda essa raiva, vocês estão seguindo os mandamentos de Deus? Peçam a Deus pra ajudar vocês a terem mais empatia, mais humor, mais leveza, e a serem mais humanos. Porque essa raiva toda só faz mal a vocês mesmos!”
 
Fonte: https://glamurama.uol.com.br/paulo-gustavo-se-defende-nao-ofendi-deus-quem-ofende-sao-todos-que-em-nome-dele-disseminam-odio/