Bia Crispim

22/01/2021
 
ONG’s LGBTQIA+ Potiguares – uma história de lutas – parte 1
 
 
Na coluna desta e da próxima semana, ainda celebrando o Janeiro Lilás – Mês da Visibilidade Trans/Travesti – vou recontar um pouco da história de ONG’s que atuam na luta por direitos da população LGBTQIA+ no nosso estado e que, para a grande parte da sociedade, nem existem.
 
Mas sim, essas ONG’s não só existem como resistem a toda essa crescente onda homofóbica, lesbofóbica, transfóbica na qual estamos inseridos.
Segundo a pesquisadora travesti potiguar Rebecka de França, em 1989 ocorre o primeiro encontro de Homossexuais de Natal-RN, de onde surgem as primeiras ideias para a criação de um grupo de luta e defesa dos direitos dessa comunidade aqui no estado.
 
Em 1991, nasce a primeira instituição de Gays em Natal, nominada de GOL – Grupo Oxente de Libertação; em 1992, Natal testemunha a formação do Grupo Habeas Corpus Potiguar – GHAP. 
 
Mas é somente em 2004, a partir do projeto “Trilhas da prevenção” que são criados grupos, até então denominados apenas de LGBT’s, pelo interior do estado, como a AROV – Associação Rosa dos Ventos/Caicó, da qual tenho imenso orgulho de participar da sua fundação, Felinos/Santo Antônio e o Grupo de Homossexuais de São José de Mipibu.
É criada também a primeira instituição de Travestis em Natal, a ASTRA-RN (Associação de Travestis do Rio Grande do Norte). Porém, infelizmente, por interesses de pautas diferentes, a pesquisadora Rebecka registra que em 2005 “acontecem rachas no movimento” o que levou à “criação de ONGs específicas com responsabilidade de dar voz às siglas do movimento LGBT separadamente”.
 
A partir daí surgiram muitas ONG’s LGBTQIA+ em todo o RN, a saber: em 2006 é criada em Assú a AHVA (Associação de Homossexuais do Vale do Assú); em 2007, o GAMI - Grupo Afirmativo de Mulheres Independentes; em 2008, a ATREVIDA – Associação de Travestis Reencontrando a Vida (na qual sou filiada); em 2012, a ATRANSPARÊNCIA-RN – Associação de Travestis e Transexuais na Ação pela Coerência no Rio Grande do Norte; em 2013, a ATREVA-SE – Associação das Travestis Encontrando a Atuação e Valorização na Saúde Santa-cruzense; e em 2017, o grupo “ATREVIDOS”, núcleo de homens trans da ATREVIDA. 
 
Logicamente, todos esses movimentos se devem às ações de muitas pessoas como Wilson Dantas que chega ao movimento Gay em 1993; Jacqueline Brazil, dando visibilidade ao movimento TRANS do Rio Grande do Norte a partir de 1998; Gorete Gomes, atuando no movimento de Lésbicas do estado dede 2000; Rebecka de França; Sargento Regina, Leilane Assunção... entre tantos outros, tantas outras, tantes outres que dedicaram-se a lutar por essa comunidade tão plural, tão diversa, mas que comunga de uma mesma realidade: o preconceito, a exclusão e a invisibilidade social.
 
 formação desses entidades além de ter o papel de nos representar e nos visibilizar perante a sociedade, também é extremamente importante para tomarmos consciência de que não estamos sós, que pertencemos a um grupo, que somos mais fortes quando nos unimos, e que, apesar de muitos não quererem aceitar, somos cidadãos e cidadãs. Gozamos dos mesmos direitos, os quais, em sua maioria, nos foram renegados.
 
Somos uma família, somos uma comunidade, e apesar das pautas específicas de cada letrinha, lutamos por coisas comuns: nossa dignidade e nosso direito à cidadania plena e a nossas existências.
 
Na semana que vem, esse coluna fará um passeio pelas atividades, ações, conquistas de direitos, desafios que essas ONG’s encontraram e/ou ainda encontram na defesa de nós, LGBTQIA+. Até lá!