Perspectivas do Cinema Nacional neste ano de 2018

30/01/2018

Por: Carlos Tourinho
Vai longe o tempo do cinema Bangu onde eu acompanhava os seriados dos heróis americanos.
 
O cinema Bangu era considerado "poeira" por conta das cadeiras de madeira que os meninos abaixavam e suspendiam com toda a força quando um herói perseguia um bandido e gritavam " aí mocinho ! ".
 
É isso aí, quem tem herói cinematográfico, pelo que eu sei, é o cinema americano, Capitão Marvel, super Homem, capitão América e por aí vai...
 
Isso foi em um tempo onde ir ao cinema era um acontecimento e em algumas salas no Rio de Janeiro, por exemplo, o cinema Palácio na Cinelandia só permitia a entrada de quem usava gravata.
 
O cerimonial começava com a abertura das cortinas de veludo vermelhas que se abriam depois de um som de relogio de parede, tipo carrilhão
 
Nas estreias dos filmes as filas eram imensas.
 
Me lembro que no lançamento do filme A Volta ao Mundo em 80 dias, o ator mexicano Cantinflas é um dos atores principais e tinha duas novidades, uma tela panorâmica e o som estereofônico, a duração do filme com três horas fazia uma  parada para o cafezinho.
 
Nas perspectivas do cinema tanto no que se relacionava com as técnicas, as concorrências entre as grandes produtoras de filmes eram acirradas. Sem esquecer das disputas pelos grandes atores que levavam multidões as sala.
 
A MGM lançava uma telona com um som que acompanhava os atores  por todo o percurso quando andavam e a sala do cinema rodeada por alto falantes e na cenas de grande impacto, eram ligados levando a plateia a um  susto fenomenal seguido por gritinhos histéricos. A Twentieth Century Fox criou em 1953 o cinemascope.
 
São alguns exemplos de uma corrida pelo desenvolvimento do cinema como espetáculo. No que se trata do cinema como arte a “nouvelle vague” surgiu como a grande novidade na Europa.
 
Nos Estados Unidos os primeiros passos para o cinema novo americano chegou com o cineasta John Cassavetes suas produções baratas mas cheias de um bom conteúdo
 
Dando continuidade a partir do inicio dos anos sessenta, foi a década que o cinema mais se transformou partindo para um cinema social, deixando um pouco de lado o cinemão de Hollywood.
 
No Brasil, com a aproximação do nosso cinema com o cinema francês, surgiu o cinema novo brasileiro onde uma onda de jovens cineastas queriam quebrar a mesmice do cinema produzido aqui no Brasil naquela época.
 
Nelson Pereira dos Santos com o seu Rio 40 graus foi o exemplo do que podia ser feito com um cinema enganjado politicamente.
 
Os filmes eram produzidos com poucos recursos, o mais importante era a mensagem, sempre com o cunho social.
 
Atualmente qual será a perspectiva do cinema para o ano 2018 tanto no descobrimento de novas técnicas como no processo criativo do cinema como arte?
 
O cinema americano domina o mundo comercialmente e seu interesse é sem dúvida filmes que rendam bons lucros. O cinema Europeu praticamente, como aqui no Brasil, foi exterminado
pelo cinema americano.
 
O cinema brasileiro produziu em 2017, 147 filmes sendo 97 ficção, foi o maior recorde de lançamentos com um alto nível de qualidade que comparo com o cinema americano, mas a frequência nas salas de cinema para os nossos filmes deixam muito a desejar, brasileiro não vê filmes brasileiro ele dificilmente, em geral, se desloca para uma sala de cinema, os motivos são muitos  mas o que mais pesa é o valor do ingresso somado a falta de salas em sua cidade.
 
O hábito de ir ao cinema deixou de ser um acontecimento.
 
Para 2018 fica um pouco difícil calcular o futuro do nosso cinema porquanto o Fundo Setorial  do Audiovisual que apoio o cinema nacional destina somente 7% para o desenvolvimento do cinema verde amarelo.
 
O bolo é pequeno para tantos pretendentes que dependem dessa verba, fica difícil desenvolver uma indústria cinematográfica que depende do governo para produzir, logo, atualmente não existe cinema independente.
 
Não se pode negar a qualidade criativa e técnica do nosso cinema e vamos continuar com bons filmes, mas a maioria ficará nas prateleiras das produtoras por falta de uma boa distribuidora e de casas
exibidoras.
 
Vou buscar e adaptar uma frase que muitos conhecem: o futuro do cinema nacional a Deus pertence.
 
E bota fé nisso.