Drive thru, Pandemia e política de Saúde: A propagação da exclusão

19/06/2020

Por: Leonardo Rodrigues
 
As políticas de saúde por muito tempo foram higienistas, isto é, apenas focavam no lucro dos comerciantes e industriais principalmente no século XIX e início do XX. De lá pra cá especialistas tentam mudar o foco para uma saúde sanitarista focada na prevenção e no cuidado das pessoas, a importância do ser humano em sua integralidade.
 
Não compreender este processo histórico faz-nos continuar a produzir, mesmo que inconscientemente, ações higienistas, de caráter eugênico no pais. uma destas ações são os drive thru's copiados dos países europeus e dos EUA onde a realidade econômico-social são abissais em relação ao Brasil.
 
Intervenções estatísticas, de controle sanitário que desconsiderem a capilaridade social, suas fragilidades e heterogeneidade econômica fazem com que mantenhamos os privilégios de classe, mais ainda, não consegue produzir evidências epidemiológicas concretas que possam produzir estratégias de ações em saúde para prevenção das comunidades mais fragilizadas em Natal.
 
Pelo mapa do Lais-UFRN podemos ver que quem participa mais do distanciamento social são as classes mais favorecidas de acordo com os bairros apresentados. Como pode-se esperar que comunidades carentes como vila de Ponta Negra no distrito sul, Guarapes e Planalto na Região oeste e Lagoa Azul na zona norte entre outras, sem alimentos, quanto mais um veículo, possam ficar em casa vendo seus filhos passando fome sem ações sociais do município?
 
Ao mesmo tempo as comunidades mais fragilizadas são preteridas inicialmente nos testes de identificação do Covid-19, a lógica é clara, quem tem carro e pode ficar quatro horas em uma fila de espera para realizar o procedimento?
 
Estas ações estão contidas num universo de equívocos dentro da política de saúde baseado na propaganda política e no academicismo intramuros, sem evidentemente fundamentar as ações na realidade local. O resultado, todos nós já sabemos.