"O problema não é só o vírus..."

13/06/2020

Por: EMANUELA SOUSA
 
O problema não é só o vírus...
 
É o tédio,
 
É a saudade,
 
São as incertezas para o futuro.
 
Essa semana pós entregar os textos pedidos, adiantar boa parte da leitura de um livro e fazer todas as tarefas de casa me vi num dilema: o que fazer agora? A saída encontrada foi rever fotos das últimas vezes que saí antes da quarentena começar. Nas mesinhas de bar com os amigos, fotos no final de ano na praia de bertioga, outras na casa de amigos.
Essa foto tirada num café em uma noite na avenida Paulista me deixou nostálgica.
 
Desde março não tenho saído. Sem visitas na casa de amigos e sem receber ninguém no meu apartamento. Tudo ficou restrito desde o começo e a medida que os dias passavam a saudade abriu um buraco enorme fazendo com que parecesse mil anos desde a última vez que nos vimos.
 
Quinta feira, dia onze, foi a primeira vez que sai e peguei o metrô. Ainda com medo de tudo, quase tendo um surto de ansiedade, mesmo sabendo que o horário da tarde é mais tranquilo.
 
Feliz por rever pessoas queridas, bem em estar novamente mantendo uma conversa pessoalmente e mesmo assim voltei para casa com a sensação  que algo estava faltando... Entreguei meus livros para algumas pessoas, mas não pude dar um abraço de agradecimento. Foi tudo medido pela distância. Pela primeira vez não teve abraço de escritor com o leitor. 
 
Fico pensando se sobreviverei a tudo enquanto os números de infectados só aumentam, o comércio voltando  e o tempo passando veloz e sem pedir licença. Cheguei a conclusão que não é só o vírus que mata, é a saudade, é a distância, é o tédio e a incerteza.