Liliana Borges

26/11/2021

 

ÉVORA, Um Dia Muito Bem Passado…

 

Évora é uma cidade portuguesa a cerca de 134 km de Lisboa, conhecida como capital do Alentejo, seu centro histórico foi declarado Patrimônio Mundial da Humanidade pela UNESCO em 1986, o município possui 53.568 habitantes conforme o censo de 2021. 

Visitei a localidade em uma excursão realizada pela Universidade Sénior do Montijo que foi organizada pelos professores das disciplinas de Ginástica Alternativa e Reiki, Sr. Bernardino Traquete; Literatura Portuguesa e Estrangeira, Sra. Conceição Parreira; Língua e Cultura Portuguesa, Sr. Adelino Alfacinha com o privilégio da companhia de amigos e, ainda, agraciada pela sabedoria do Sr. João Mendes, natural da terra, quem graciosamente me guiou por suas ruas.

Começamos o passeio pelo Jardim Público que é um belo lugar de convívio pelos eborenses, iniciado em 1863 possuindo uma área aproximadamente de três hectares com rica vegetação colorindo o ambiente e mais um suntuoso coreto contruído em 1888 que após sua conclusão foi realizado muitos concertos, pois a cidade foi uma das primeiras portuguesas a ter bandas filarmônicas. 

A origem da cidade diverge entre alguns estudiosos, uma das correntes atribui sua fundação aos Eburones, antigos povos hispânicos, a cerca de 2059 a.C., outra seria por volta de 700 anos a.C. na altura em que as tribos germanas seguiram os Celtas e chegaram na Península Ibérica. Qualquer que seja a teoria a região foi povoada remotamente, inclusive encontrados artefactos desde a época neolítica.

Sua localização favoreceu interesses militares e na altura da ocupação romana a região passou a ser grande centro de importância econômica e cultural, recebendo o título honorífico pelo Imperador Júlio Cezar como “Liberalitas Julia” no século I da era Cristã, mais adiante, elevada a categoria de Município por Vespasiano. Um dos símbolos mais significativos de sua presença no país foi o “Templo Romano de Évora”, também, conhecido como o “Templo de Diana”.

A região, também, foi habitada por vários povos como os visigodos, árabes, entre outros. Deixando grande legado e rico patrimônio histórico, o difícil é conhecer todos eles. Estre os que tive a oportunidade de visitar foi a Igreja de São Francisco, edifício do século XV e XVI de estilo manuelino-mudéjar e renascentista, curiosamente uma de suas capelas é composta por três naves que no seu interior são recheadas por ossadas humanas relativas ao século XVII e na sua entrada está a frase “Nos ossos que aqui estamos pelos vossos esperamos”.

O Palácio de D. Manuel, estrutura residencial originária do complexo palaciano da família real que foi contruído por volta de 1513 a 1516, considerado Monumento nacional desde 1910 e hoje pertence ao Município que promove atividades socioculturais, o qual alberga o Centro Interpretativo da Cidade de Évora.

O Palácio da Barahona que nos reporta a década de sessenta do século XIX e atualmente é o Tribunal da Relação. Não poderia deixar de mencionar a bela Praça do Giraldo construída entre 1571 a 1573 que quase todos os caminhamos seguem ao encontro dela, seu nome foi em homenagem a Geraldo Geraldes, nominado “O Sem Pavor” quem conquistou Évora aos mouros em 1167.

Continuando a caminhada pelas ruas com João Mendes aproveitamos para entrar no Mercado Municipal, situado na Praça 1º de Maio. Adoro visitar mercados nas zonas que conheço, pois é o coração do povo, onde concentra várias porções de economia, cultura, arte e história que juntos harmonicamente descrevem e dimensionam de forma fidedigna a localidade.

Quanto a culinária tivemos a oportunidade de apreciar vários sabores da região, pois almoçamos na “Graciete Buffet Alentejano”, o restaurante possui grande variedade de pratos regionais, como também, a cozinha internacional. É impossível experimentar todas as opções, lugar para voltar muitas vezes. 

Começamos por deliciosas entradas: variedade de pães, azeitonas, queijos, enchidos, pasteis e croquetes acompanhados com vinho alentejano e como prato principal, saboreei bacalhau com batatas salteadas, ainda, experimentei um bocadinho de todas as migas, iguaria tradicional a base de pão. Simplesmente tudo é dos Deuses…

Como falam os portugueses: “Um Dia Muito Bem Passado…”

Continuaremos a viagem no próximo artigo…