Arthur Dutra

29/01/2020
 
O mundo terá várias versões do Vale do Silício. Natal pode ser uma delas
 
 
Aqui neste espaço falamos sempre da necessidade de prepararmos Natal para o futuro. Para isso, já listei aqui, por exemplo, que precisamos modernizar nossa legislação urbanística, reduzir impostos e burocracia, investir em qualidade de vida e capacitar nossos jovens para serem produtivos. Essa postura vale não só para melhorar e fazer avançar o que já temos como natural vocação, a exemplo do turismo, uma indústria imprescindível que é o carro chefe da nossa economia, mas também para as imensas possibilidades do mercado global de tecnologia. 
 
É um segmento que se expande por todo o mundo e garante desenvolvimento para a cidade que cria o ambiente favorável para receber investimentos desse setor, e, claro, gera ótimas oportunidades para as próximas gerações. E o Brasil está nesse mapa de investimentos. Na semana passada, no Fórum Econômico Mundial, em Davos, Suíça, o Ministro Paulo Guedes teve encontros com os Executivos da Apple, da UBER e da chinesa Huawei. Todas essas gigantes do setor de tecnologia manifestaram intenção de investir pesado em pesquisa e desenvolvimento aqui Brasil nos próximos anos. 
 
No cenário atual, em que empresas deste porte estão de olho no Brasil, nada mais urgente e necessário do que colocarmos Natal nesse radar. Chega de perder disputas para outras cidades.  Aqui nós temos, dentre outros, um centro de excelência em ensino e pesquisa em tecnologia, que é o Instituto Metrópole Digital. Temos também jovens muito talentosos que são formados aqui mas que, infelizmente, não permanecem por muito tempo por não terem muitas oportunidades. Repito: os ventos são favoráveis e ainda é tempo de preparar Natal para esse tipo de mercado. É possível? Sim! Explico.
 
 Felipe Lamounier, líder de operações internacionais da StartSe, portal especializado em ecossistemas de startups, tecnologia e inovação, prevê que surgirão várias cidades no mundo com as características do Vale do Silício, berço de grandes companhias como Google, Facebook e Microsoft. É algo, aliás, que já está acontecendo. Lamounier cita como exemplo as várias cidades chinesas e indianas que figuram como polos de tecnologia, independente do tamanho. Ou seja, temos a chance de acessar esse mercado, que já é explorado, inclusive, por capitais brasileiras como São Paulo/SP e Florianópolis/SC. 
 
Mas essas novas cidades que entrarão no seleto clube terão que facilitar a vida do empreendedor de tecnologia e, mais ainda, querer de verdade o seu sucesso. É preciso acolher, incentivar, compartilhar e não estigmatizar negativamente o projeto que não prospera. Não deu certo? Paciência! Bola pra frente. É necessário, também, uma mudança de mentalidade. Pensar grande e globalmente, ou seja, pensar em criar visando o mercado mundial, e não apenas localmente. Se quisermos podemos, sim, trilhar esse caminho promissor. 
 
Não será fácil, claro, e por isso há a opção de não enfrentar esse desafio recompensador. Mas como diz, muito acertadamente, Edward L. Glaeser, professor de Economia de Harvard e autor do livro “Centros urbanos, a maior invenção da humanidade”, “alguns lugares serão deixados para trás. Nem toda cidade terá êxito porque nem toda cidade foi hábil em adaptar-se à era da informação, cujas ideias são as geradoras finais da riqueza”. Vamos ficar para trás ou vamos avançar? A opção é nossa.
 
O mundo, como se vê, está aberto para muitas possibilidades e nós temos que saber fazer a leitura dos caminhos do futuro. Só não podemos nos apequenar e achar que não temos condições de erguer aqui, na nossa cidade, um polo de inovação e tecnologia. Mas, repito, é preciso fazer a nossa parte para que os talentos que aqui estão possam florescer, e também atrair novos investimentos e empreendedores que queriam fazer de Natal o berço das suas ideias inovadoras e disruptivas.