“O novo Temer?” Dilma Rousseff questiona

18/01/2022


Foto: nenoticias.com.br

 

Na próxima quinta-feira (20), está marcado novo encontro entre Lula e Geraldo Alckmin, cuja finalidade será o adiantamento nas tratativas da possibilidade de uma composição de chapa presidencial entre eles. O provável acordo tem suscitado críticas de uma ala do próprio PT, que encara a presença do ex-governador de São Paulo como uma contradição às pautas historicamente defendidas pela esquerda. Uma dessas opositoras ao conchavo, segundo apurou o site Poder 360, é a ex-presidente Dilma Rousseff. 

 

Em um encontro com Lula na semana passada, Dilma teria, segundo informações de bastidores, expressado sua preocupação com o acordo, ressaltando, inclusive, sua própria experiência como justificativa. “O Geraldo Alckmin será o seu Michel Temer. Quando você mais precisar, ele ficará à disposição da oposição para tomar seu lugar”, teria afirmado a ex-presidente, relembrando o suposto golpe que sofreu em 2016. 

 

Em conformidade ao parecer de Rousseff, líderes petistas e políticos representativos de outras legendas de base progressista têm criticado a relação entre Lula e Alckmin, principalmente pelo fato do ex-tucano ter sempre atendido a uma agenda econômica diversa e simbolizar tradicionalmente um caráter conservador no que tange ao âmbito social. Ademais, o diálogo sem intermediações entre os antigos rivais tem sido, conforme relatos não-oficiais, mais um dos focos de aborrecimento entre os aliados de Lula e do PT. 

 

Por outro lado, os apoiadores da parceria ressaltam que essa chapa presidencial poderia “amenizar” a imagem do ex-presidente perante algumas instâncias, sobretudo o mercado financeiro. Nesse sentido, o equilíbrio e o diálogo, características apontadas por esse grupo como concernentes ao perfil de Alckmin, poderiam ser importantes dentro da administração federal.