“Só se prende negro e pobre no Brasil”, afirma advogado e delegado Antonio Pinto

22/10/2021

Por: Redação do PN
O Jornal Potiguar Notícias, comandado, nesta sexta-feira (22), pelo advogado Luiz Gomes, recebeu o advogado, delegado da Polícia Civil, mestre em Direito econômico e financeiro pela USP, especialista em segurança pública e cidadania pela UERN e integrante do Conselho Superior de Polícia Civil do RN; Antonio Pinto, para debater a respeito de segurança pública e inclusão social.
 
A garantia de ir e vir com segurança é um direito fundamental previsto pela Constituição Federal de 1988, sendo dever do Estado assegurá-lo, no entanto, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), o Brasil é o 9° país mais violento no ranking mundial. No Rio Grande do Norte, algumas cidades figuram entre as mais violentas do Brasil a mais de 10 anos. 
 
A sensação de insegurança, somada ao medo, está presente na vida de grande parte da sociedade brasileira, principalmente nos grandes centros urbanos. De acordo com Antonio Pinto, a situação da segurança pública é gravíssima, haja vista tantos crimes que a sociedade presencia diariamente. “O Estado tem culpa? Diria que sim, porque as coisas vêm se arrastando ao longo dos anos e não é feito os devidos investimentos. A segurança pública é preocupação de todo mundo, não só da polícia. É na seara política que as coisas se decidem, os políticos deveriam levar esse assunto com maior seriedade e proporcionar segurança ao povo”, afirmou o delegado da Polícia Civil.
 
A segurança pública é resultado também da pacificação social, a desigualdade social e a questão econômica tem uma influência muito grande nos dados estatísticos. A violência no Brasil está diretamente ligada à desigualdade social e ao fato do Estado ser ausente em questões básicas, como saneamento, saúde e no provimento de empregos. 71% das vítimas de homicídios no país são de pessoas negras. 
 
De acordo com Antonio Pinto, o Brasil é campeão da desigualdade social e injustiça. “Eu trabalho em uma delegacia de plantão e só se prende pobre e negro. A classe alta tem muitos advogados para defendê-los, mas o negro e o pobrem sofrem desprezo e são ignorados. Não só os negros e pobres, mas os homossexuais também”, completou o entrevistado.
 
O perfil de quem mais morre no país é muito parecido: homens negros, com baixa escolaridade e renda, moradores de periferia e com idade de até 29 anos. O Brasil possui, enraizado, uma descriminação racial fortíssima. “O brasil não é um país para negro, não é um país pensado para o negro. É perigoso e uma luta diária ser negro neste país. É descriminação em todos os setores e é preciso força para viver. As pessoas têm nojo e raiva de negro e de pobre”, enfatizou o entrevistado. 
 
Confira a entrevista, na íntegra, pelo link: https://www.youtube.com/watch?v=VeY7SJmDpuY&t=6s ou abaixo: