Em discurso na ONU, regado de mentiras, Bolsonaro envergonha o Brasil

21/09/2021

Por: Jessyanne Bezerra
Foto: Eduardo Munoz/Getty Images

 

O presidente Jair Bolsonaro fez nesta terça (21) o discurso de abertura da 76ª Assembleia-Geral da ONU, em Nova York. Desde 1947, o representante do Brasil é o primeiro a discursar.

Apesar de Nova York exigir comprovante de vacinação para entrar na cidade e circular em espaços públicos fechados, as comitivas de líderes mundiais foram informadas pela ONU de que haveria exceção diplomática e atestados de vacinação não seriam cobrados. Isso ocorreu pois Bolsonaro é o único dos presidentes do G20 que não se vacinou contra Covid, que já matou mais de 4,7 milhões no mundo inteiro.

Abrindo o discurso na ONU, Bolsonaro afirmou: “Venho aqui mostrar um Brasil diferente daquilo publicado em jornais ou visto em televisões”. E o que se sucedeu após isso foram inúmeras falas provando que o presidente vive em sua própria realidade, sendo questionável sua sanidade mental.

Ignorando as investigações sobre o caso da Covaxin, Rachadinhas e o Pix do Voto Impresso, Bolsonaro afirmou: “Estamos há 2 anos e 8 meses sem qualquer caso de corrupção”.

Bolsonaro mentiu na ONU e demonstrou estar preso no século passado: “Estávamos à beira do socialismo. Apresento agora um novo Brasil, com credibilidade reconhecida em todo o mundo” e acrescentou: "Recuperamos a credibilidade internacional do Brasil", porém, o que se viu foram os líderes e representantes abandonando a sala durante o seu discurso.

Em mais uma fala, o presidente disse: “Nenhum país do mundo possui uma legislação ambiental tão completa quanto a nossa. Nossa agricultura é sustentável e de baixo carbono”. O que não condiz com a realidade visto que, em dois anos, Bolsonaro se desfez dos órgãos que cuidam de questões ambientais, indígenas e agrícolas.

Seguindo a linha de mentiras, Bolsonaro inventou dados sobre o desmatamento na Amazônia em agosto. Ele fala em 32% de redução em relação ao mesmo mês de 2020. Segundo o Imazon, houve aumento de 7%, um recorde desde 2012.

Além disso, o Brasil é o 4º país que mais mata defensores ambientais no mundo. Foram 20 ativistas assassinados em 2020. O país está atrás apenas da Colômbia (65), México (30) e Filipinas (29), segundo o blog Ambiênica.

Entre todas as mentiras contadas, a mais vergonhosa foi a: “Concedemos um auxílio emergencial de 800 dólares para 68 milhões de pessoas em 2020”. Na cotação desta terça, (21) do dólar, o governo Bolsonaro teria pago R$ 4.256,00 em auxílio emergencial. Porém, isso não condiz com a realidade, visto que em 2020 o valor pago foi de R$ 600,00. Em 2021, os valores do benefício são de R$150 para solteiros, R$ 250 para famílias e R$ 375 para mães solteiras.

Seguindo seu roteiro fictício, Bolsonaro valorizou em seu discurso os números da vacinação no Brasil. Porém, ele nunca fez um pronunciamento incentivando os cidadãos a se vacinarem. Muito pelo contrário disse que fez tratamento precoce contra a Covid: “Nosso governo é contra a vacinação obrigatória”. Ele também disse não entender por que líderes de outros países não defenderam o tratamento precoce. “Não entendemos por que muitos países, juntamente com grande parte da mídia, se colocaram contra o tratamento inicial. A história e a ciência saberão responsabilizar a todos”, afirmou.

Em suma, Bolsonaro ignora crise energética, infla números de manifestação bolsonarista com falas golpistas e inconstitucionais, diz que desmatamento ilegal da Amazônia teve queda de mais de 30% e ataca governadores, prefeitos e imprensa brasileira em defesa de tratamento precoce contra Covid-19 na ONU.

Vale lembrar que o Brasil é um dos países com mais mortos por Covid-19 no mundo, com quase 590 mil vítimas. E em seu discurso, além de desdenhar da realidade de todos os brasileiros, Bolsonaro vive seu próprio mundinho e mente que nem sente.

No entanto, o presidente esquece que quem tem fome sente, quem está desempregado sente e quem perdeu alguém para a Covid também sente, e não há mentira nesse mundo que cure isso.