Deboche com a morte de Bruno Covas ou exagero dos opositores?

03/08/2021

Por: Otávio Albuquerque
Foto: diariodocentrodomundo

 

Na última segunda-feira, em meio aos seus adeptos, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido), criticou uma atitude antiga do ex-prefeito de São Paulo Bruno Covas, falecido em maio deste ano, quando este foi com o seu filho para o jogo entre Palmeiras e Santos no Maracanã, pela final da Libertadores da América. A referência do atual chefe do executivo federal a Covas - “o que morreu” -, suscitou críticas das mais diversas instâncias.


"Cruel", "desumano" e "covarde" foram alguns termos utilizados pelas classes política e jurídica para definir a atitude do presidente Bolsonaro em sua citação ao ex-prefeito paulista. De acordo com João Dória, governador de São Paulo e forte opositor ao governo federal, a desumanidade de Bolsonaro, agredindo de forma covarde Bruno Covas, só demonstra ainda mais sua falta de respeito pelos vivos e pela memória dos mortos.


Para Felipe Santa Cruz, presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), o tratamento que o atual presidente destina aos mortos, como no caso das vítimas da pandemia, revela sua incapacidade de promover a empatia, o que é inconcebível a um chefe de estado durante este período de crise. 


"Digo há muito tempo que Jair Bolsonaro é acima de tudo um covarde. A predileção pelo ataque aos mortos - como no caso do meu pai e agora com Bruno Covas - demonstra a extensão da sua falta de caráter e covardia. Minha solidariedade ao filho do Prefeito Bruno Covas”, ressalta o magistrado em tom de desabafo.


Tomás Covas (15), filho do ex-prefeito e que esteve com o pai no Rio de Janeiro para acompanhar a partida de futebol, salientou, de maneira indignada, a covardia da fala de Bolsonaro, além do seu caráter anticientífico. “Lamento a fala dita hoje pelo incompetente e negacionista presidente Bolsonaro. Em uma fala covarde hoje durante a tarde, ele atacou quem não está mais aqui conosco, não dando o direito de resposta ao meu pai. Além disso, cumprimos com todos os protocolos no estádio do Maracanã, utilizando a máscara e sentando apenas nas cadeiras permitidas", afirma o adolescente à imprensa.