Sem chance para impeachment?

30/07/2021

Por: Otávio Albuquerque
Foto: pragmatismopolitico.com.br

 

Antes discutido e reivindicado reiteradamente por muitos partidos no Congresso Nacional, o impeachment de Jair Bolsonaro parece uma perspectiva cada vez mais distante, sobretudo depois da chegada de Ciro Nogueira (PP-PI) ao comando da Casa Civil. De acordo com Márcio Coimbra, cientista político, a inserção do senador piauiense no governo inviabiliza definitivamente a destituição do atual chefe do executivo federal.
 

Para o analista, o processo que poderia culminar na saída de Bolsonaro já tinha se tornado difícil de ser contemplado após a eleição de Arthur Lira (PP-AL) como presidente da Câmara Federal, uma vez que ampliou o domínio bolsonarista no parlamento. No entanto, a presença de Nogueira, que é o presidente do Progressistas (PP), a maior legenda do chamado 'centrão', sepulta quaisquer pretensões oposicionistas sobre a derrocada de Bolsonaro. 


Ainda de acordo com Márcio Coimbra, a permanência de Bolsonaro na Presidência da República é positiva para o PT, na medida em que o antagonismo é útil para impulsionar as duas candidaturas com tendência de polarização. “Isso [o impeachment] agora não irá acontecer. Precisamos ver também no que concerne ao aspecto político. Não é interessante hoje para o PT, que é o maior partido de esquerda, o impeachment de Bolsonaro. Interessa ao PT ter o Bolsonaro em uma eleição como rival direto do ex-presidente Lula”, aponta o especialista. 


Por fim, Coimbra ressalta que a pequena reforma ministerial promovida por Bolsonaro suscita um conflito com os militares, antes apoiadores incondicionais do governo, enfraquecendo-os e concedendo poder a partidos antes detratados pelo próprio presidente. “Os militares saem derrotados. “O Bolsonaro não sai vitorioso desse cenário, mas quem saem mais derrotados são os militares, que perdem espaço na cúpula do governo. A política entrou para o governo. Portanto, perdem os militares e ganha o Centrão. Dos partidos, quem têm mais força são o Progressistas e o PL”, salienta.