Modalidade de Educação a Distância (EaD) versus Ensino Remoto (ER)

07/07/2020

Por: Andrezza Tavares (IFRN) & Bento Silva (Universidade do Minho)
Foto: Gina Maria Porto de Aguiar (Universidade do Minho)

Modalidade de Educação a Distância (EaD) versus Ensino Remoto (ER)

 

Entrevista internacional concedida por Gina Porto, Doutoranda em Ciências da Educação, pesquisadora do Centro de Investigação em Educação, especialidade de Tecnologia Educativa pelo Instituto de Educação da Universidade do Minho, em Braga/Portugal, ao portal de jornalismo Potiguar Notícias. A entrevistada é professora do Instituto Federal do Ceará (IFCE), em Fortaleza. “Modalidade educacional - EaD versus Ensino Remoto - ER” é o tema da sua reflexão. A pesquisadora espera que esta situação vivida na educação escolar em tempos de pandemia suscite várias reflexões, para além do entendimento das designações da “EaD” versus “ER”, desejando que as experiências vividas com os desafios do “Ensino Remoto” possam se traduzir em aprendizado e contribuir com as práticas pedagógicas em sala de aula, e que a relevância da “modalidade EaD” possa ser contemplada com políticas públicas que garantam o acesso a recursos tecnológicos e a rede de internet para todos, contribuindo com a sua expansão e inclusão social dentro dos diversos contextos educacionais. 

1. Em seu entender, qual foi o formato adotado para as mediações escolares no contexto do isolamento social da pandemia?

Entendemos que o formato empregado nas aulas, que precisavam ser a distância, só foi viável com a utilização das mídias digitais e que os professores tentaram de todas as formas chegar aos seus alunos, sem maiores prejuízos no processo que estava a se desenvolver. No entanto, é perceptiva a “confusão” que se instalou acerca das duas designações empregadas (modalidade de Educação a Distância e Ensino Remoto) , que tem na distância e nas mídias digitais pontos em comum. É salutar entender que a utilização das diversas mídias e dos artefatos tecnológicos existentes na emissão de conteúdo, com a metodologia de transferência de conteúdo, neste momento de demandas educacionais urgentes, não configura EaD e sim o designado “Ensino Remoto”. 

2. Com base em que argumentos, podemos compreender a especificidade da modalidade EAD enquanto oferta de educação?

 Precisamos pensar a EaD como “modalidade educacional”, consagrada na Lei nº 9.394 de 20 dezembro de 1996, que estabelece as diretrizes e bases da educação nacional, nas suas especificidades próprias, como princípios, concepções, metodologias, processo avaliativo e ambiente virtual de aprendizagem devidamente planejado e em rede. Não podemos entender a EaD somente como um formato educacional que se utiliza de recursos digitais onde a metodologia da modalidade presencial pode ser empregada. Isso é usá-la de forma indiscriminada, sem conhecê-la, ou sequer saber identificar o uso das ferramentas tecnológicas como recurso didático.

3. Podemos afirmar que a modalidade EAD amplia as possibilidades da educação inclusiva?

É importante compreender que a evolução da EaD é muito significativa para os processos educacionais que visam a expansão do ensino com qualidade e inclusivo. Ela, há muito tempo, vem sendo tema de inúmeras pesquisas acadêmicas no sentido de estar ao serviço de pessoas que têm nesse formato a oportunidade de construir seu processo formativo, bem como o objetivo de fazê-la crescer e lhe conferir qualidade nos diversos contextos educacionais e laborais.

Uma série de dispositivos legais, que normatizaram a EaD como política pública, foram criados para que a oferta desta modalidade pudesse promover um processo de inclusão social. Portanto, é necessário que façamos desta modalidade mais um meio de promoção social para não incorrermos no risco de continuar a “excluir” em um país com tantas desigualdades sociais como o Brasil.

4. Por que é importante diferenciar a dinâmica da modalidade de Educação à Distância das medidas de Ensino Remoto adotadas por muitas instituições educacionais durante o isolamento social?

É relevante entender que todo o processo educacional que vem se instalando como “medida emergencial”, em um momento que pedia estratégias rápidas, não pode ser entendido como uma “modalidade educacional”, no sentido de evitar um processo de desqualificação de uma modalidade muito específica em sua concepção, que vem evoluindo em seus artefatos tecnológicos e em medidas de qualificação de todo seu processo de execução.

5. Como compreender então a designação “Ensino Remoto” adotada neste contexto da pandemia?

O “Ensino Remoto”, nome utilizado para a medida emergencial no campo da educação, tem o mérito dos profissionais da educação terem-se empenhado em fazer o seu melhor, com as ferramentas e dispositivos tecnológicos que lhes pareceram viáveis utilizar, mas não possui princípios educacionais que o designe como modalidade educacional enriquecida de pedagogia própria para o processo ensino e aprendizagem.

6. Qual o seu ponto de vista sobre as práticas pedagógicas pós pandemia? Haverá uma renovação das práticas em sala de aula?

Esperamos que todas essas questões possam suscitar reflexões, para além do entendimento das designações da “EaD” versus “ER”, e que as experiências vividas com os desafios do “Ensino Remoto” possam se traduzir em aprendizado e contribuir com as práticas pedagógicas em sala de aula. Acreditamos também que a relevância da “modalidade EaD”, possa ser contemplada com políticas públicas que garantam o acesso a recursos tecnológicos e a rede de internet para todos, contribuindo, assim, com sua expansão e inclusão social dentro dos diversos contextos educacionais.  

 

Nota: Esta entrevista publicada no Portal de Jornalismo Potiguar Notícias integra o repertório de publicações do Projeto pluri-institucional intitulado “Diálogos sobre Capital Cultural e Práxis do Instituto Federal do Rio Grande do Norte (IFRN) - IV EDIÇÃO”. O Projeto, vinculado à Diretoria de Extensão (DIREX) do campus IFRN Natal Central e ao Programa de Pós-Graduação Acadêmica em Educação Profissional PPGEP do IFRN, articula práxis do campo epistêmico da Educação a partir de atividades de ensino, pesquisa, extensão, inovação e internacionalização com o campo da comunicação social a partir da dinâmica de produções jornalísticas por meio de diversos canais de diálogo social como: portal de jornal eletrônico, TV web, TV aberta, rádio e redes sociais. O objetivo do referido Projeto de Extensão do IFRN é socializar ideias e práxis colaboradoras da educação de qualidade social, de desenvolvimento humano e social por meio da veiculação de notícias em dispositivos de amplo alcance e difusão de comunicação social. Para mais informações sobre o Projeto contacte a coordenadora: andrezza.tavares@ifrn.edu.br.  

 

 

Fonte: Gina Maria Porto de Aguiar (Universidade do Minho)