UPA de Parnamirim tem apenas 8 leitos para pacientes graves com Coronavírus

06/04/2020

Por: Hugo Vieira
Foto: Reprodução

Em meio a pandemia do Coronavírus, o sistema de saúde do país corre contra o tempo. As grandes cidades foram as primeiras a enfrentarem o foco da doença mas a nova enfermidade avança sobre o interior do país, aqui no Rio Grande do Norte foram registrados os primeiros óbitos longe das grandes e médias cidades como Natal e Mossoró. Taipu e Tenente Ananias contabilizam um óbito em cada município. 

Até a tarde desta segunda-feira (06) em todo o estado 7 mortes foram registradas. O último caso aconteceu neste domingo (05) em Natal. 

Na vizinha Parnamirim, terceira maior cidade do estado com mais de 260 mil habitantes, o comércio está aberto e o movimento em filas de bancos, avenidas e praças em horários de pico chega a ser intenso diante do quadro de isolamento social.

Mas outro fator preocupa ainda mais; a falta de leitos para atender um possível aumento nos casos de Coronavírus.

A cidade registra até a tarde desta segunda (06), 29 casos confirmados e outros 240 casos suspeitos. O município conta com apenas 32 ventiladores mecânicos entre a rede pública e privada, item essencial para tratar de casos graves da doença. Os dados são do Laboratório de Inovação Tecnológica em Saúde (LAIS) da UFRN.

Na única UPA de Parnamirim esse número é ainda mais preocupante, existem apenas 8 ventiladores mecânicos pulmonares na unidade. O diretor Henrique Costa, diz que os equipamentos estão disponíveis após um esforço, antes eram 4 ventiladores. Os casos graves deverão ser encaminhados ao Gilselda Trigueiro após estabilização dos infectados.

"Os pacientes que chegam na unidade com sintomas ou assintomáticos nós realizamos os procedimentos padrões e recolhemos o material do paciente para ser encaminhado ao Lacen (Laboratório Central de Saúde Pública do Rio Grande do Norte)". O laboratório está sobrecarregado e os resultados dos exames para Covid-19 podem durar mais de 3 dias.

A secretária de saúde de Parnamirim, Terezinha Guedes, admite a falta de ventiladores e busca ampliar os leitos para pacientes graves, "Eu quero fechar em 18 respiradores", disse. 

De acordo com ela, algumas salas amarelas da UPA serão transformadas em salas vermelhas para atender pacientes que apresentarem maiores complicações.

Ela admitiu que o município não está vulnerável a um colapso e que o cenário é parecido com demais cidades do país. "O SUS apesar da resolutividade ele é muito desaparelhado então a gente sofre para montar aparelhos como respiradores, monitor e pessoas preparadas em tempo recorde. Nós como todo mundo não estamos prontos para dizer que estamos preparados para o que der e vier".