Alta na exportação de melões eleva o superávit da balança comercial

21/01/2020


Foto: Elisa Elsie - AssecomNo ano passado, foram exportadas 78,6 mil toneladas a mais da fruta que em 2018
 
O principal produto da pauta de exportação do Rio Grande do Norte, os melões frescos, registrou uma alta significativa nos envios para o mercado internacional no ano passado. As exportações da fruta tiveram um aumento de quase 65% em comparação com o ano anterior, saindo de US$ 70,9 milhões em 2018 para US$ 116,9 milhões em 2019, como resultado da remessa de 186,7 mil toneladas de melão para o exterior – 78,6 mil toneladas a mais que em 2018, quando o estado exportou pouco mais de 108 mil toneladas da fruta.
 
O crescimento nas exportações de melão influenciou o resultado do saldo da balança comercial do RN no ano passado, que encerrou com um superávit recorde de US$ 178 milhões, o melhor dos últimos cinco anos. Isso sem levar em consideração os itens extraordinários e temporários – a exportação de aviões da Embraer e turbinas que entraram atipicamente na pauta potiguar em maio do ano passado. Se esses itens forem considerados, o saldo é ainda maior: US$ 225,35 milhões. Os dados constam no Boletim de Comércio Exterior, um estudo completo elaborado pelo Sebrae no Rio Grande do Norte que analisa as movimentações de produtos no estado, na região e no país.
 
De acordo com o estudo, sem contar com os itens atípicos, as exportações chegaram a total de US$ 345,8 milhões, um crescimento de receita da ordem de 25,5% em comparação com 2018, quando o Rio Grande do Norte exportou uma soma de US$ 275,4 milhões. Além do melão, contribuíram também para as exportações recordes do RN as melancias frescas (US$ 33,5 milhões), a castanha de caju (US$ 20,3 milhões), fuel oil (US$ 18 milhões) e sal marinho (US$ 17,7 milhões), que estão entre os principais produtos, cujos principais destinos foram os Estados Unidos, Holanda e Reino Unido.
 
O estudo do Sebrae analisa o desempenho das importações potiguares em 2019, quando as compras no mercado internacional voltaram a crescer, mesmo que timidamente, depois de dois anos consecutivos de quedas, com um crescimento 0,91% em relação ao acumulado do ano anterior - passaram de US$ 166,2 milhões para US$ 167,8 milhões de um ano para outro. Os trigos e suas misturas continuam na liderança das importações do estado. Foram importadas receitas da ordem de US$ 56,7 milhões. O coque de petróleo aparece na segunda posição no ranking das importações com uma soma de US$ 6,2 milhões e polietileno linear (US$ 4,8 milhões). Os principais países fornecedores de produtos para o RN foram Argentina, Estados Unidos e China.
 
Contexto Nordeste
 
O boletim também posicionar o Rio Grande do Norte no contexto das exportações nordestinas. Segundo o estudo, o último ano, 2019, foi sinônimo de uma desaceleração do comércio internacional e isso refletiu nos resultados das relações comerciais do Brasil no exterior. Apenas dois dos nove estados que compõem a região registraram crescimento nos valores exportados, o Rio Grande do Norte e a Paraíba. Os demais estados enfrentaram uma retração da demanda internacional e consequente redução das exportações de até 37% em sua receita, num comparativo com o ano de 2018.
 
Apesar de estados vizinhos terem amargado uma queda em suas exportações de 2018 para 2019, como é o caso do Ceará (-3,29%) de Pernambuco (-30,37%), a participação do RN no comércio internacional conseguia se destacar positivamente. Mesmo sendo o sexto estado da região em termos de volume exportado, o Rio Grande do Norte se destacou no ano passado como o que apresentou o maior crescimento dos valores exportados de um ano para outro no Nordeste. A variação foi de 41,87% levando em conta os aviões e os turborreatores. Na vizinha Paraíba, a variação foi de 7,96%. Os demais estados tiveram uma variação negativa.