Cabelos livres

25/06/2019

Por: Ana Paula Campos
 
Alisei meu cabelo desde os 12 anos. Idade mínima na época pra fazer isso. Minha mãe sempre disse que a escolha era minha. Eu alisei... fiz isso pq na escola eu era a Medusa! Cabelo de bucha! Não via bonecas de cabelos crespos. Ninguém dizia que meu cabelo era bonito, a não ser minha mãe.
 
25 anos depois, minha filha me diz que também quer alisar o cabelo pq todas as blogueiras e princesas tem cabelo liso. Ela tb não aceitava ser chamada de “nega da mamae”. 
 
Busquei na internet mulheres de cabelo black, princesas negras, vídeos de empoderamento de Vitória Santa Cruz, por exemplo, e quando a pergunta vinha cheia de entusiasmo:
 
- E aí Gigi, ainda quer alisar o cabelo!
 
A resposta era certeira:
 
- QUERO!
 
Foi quando percebi que não havia o que ser feito se a mudança não começasse em mim. Como minha filha poderia achar bonito o cabelo cacheado se eu alisava o meu?
 
Fui ao Salao. Cortei “Joãozinho” como dizem e ao chegar em casa, minha filha não tirava a mão do meu cabelo. Como que descobrindo algo novo. Descobrindo beleza onde não via.
 
Dias depois ela passou a curtir seus cachos e fazer varios penteadas em frente ao espelho.
 
Hoje, somos cacheadas com orgulho e defendemos a beleza afro.
 
Mas não gostaria que esse texto viesse em forma de mais um grilhão para mulheres que optaram por alisar seus cabelos.
 
Que possamos respeitar suas escolhas, seu tempo, suas angústias e pq não, seus desejos. Sim assim o querem, ter cabelo alisado, que o façam!
 
Temos o direito de sermos e fazermos o que quisermos!
 
Façamos então!
 
 
#meucorpominhasregras
#vivaedeixeviver
#negroélindo