Jair Jr: “Muitas das vítimas da violência em Parnamirim estão no grupo de risco"

03/03/2015


O comandante do 3° Batalhão da Polícia Militar, Jair Júnior,  esteve no Alpendre do PN  onde concedeu entrevista aos repórteres Cefas Carvalho, Tiago Rebolo e Antonio Gleiverson. Na oportunidade o comandante falou sobre os índices de homicídios em Parnamirim, as ações desenvolvidas no município para o combate à violência e as expectativas com o novo Governo para a melhoria e desenvolvimento da Segurança Pública no RN. Confira:

Parnamirim é uma cidade com índices de violência e criminalidade, isso não é novidade, mas recentemente Parnamirim recebeu o título nada bacana de 12ª cidade mais violenta no Brasil entre as cidades com mais de 200 mil habitantes. É um título bastante negativo. Como é que a polícia encara esse desafio de trabalhar em uma cidade que ostenta uma índice de tanta violência?
  A gente está trabalhando e contra com todos os atores sociais incluindo a parte da mídia. É importante o trabalho de divulgação e prestação de contas à sociedade. Com relação aos índices de criminalidade o que é baseado é ao fator homicídio. Quando você percapta quantidade de homicídios por população podemos transformar até uma comunidade tranquila em uma comunidade violenta, ou seja, baseado na quantidade de habitantes. Você pega uma cidade com 5 mil habitantes, se acontecem cinco homicídios, matematicamente vai dar um índice altíssimo.  Apesar disso, somos a favor da vida e dos direitos humanos, a favor de preservar a vida, mas as pessoas que tem sido ceifadas, com exceção do nosso policial que foi assassinado, são pessoas que estão no que a gente chama de “grupo de risco”, elas já tem algum tipo de ligação com o crime,  essencialmente o tráfico de drogas, estão esta atividade,isso está ligado diretamente a razão homicídios e essa questão é nacional e estamos dentro do contexto nacional e pela quantidade percapta dessas cidades. Cidades como Recife, Fortaleza, estas podem até ter uma quantidade de homicídios maior, mas percapta a população, se comparado a Parnamirim com 210/215 mil habitantes vai dar, realmente, matematicamente essa classificação maldita que nós recebemos.
 
Em meio a índices tão altos que nos dão esse posicionamento, aqui no RN são realizados alguns estudos sobre isso?
Sim, isso é discutível até dentro dos direitos humanos, até mesmo dentro da esfera da Segurança Pública. Nós, pelo “DATASUS” (Índice que se considera o estatístico por mortes violentas) temos índices também que são de estudos de crimes letais, violentes e intencionais que o “CLVI” que justamente estuda esses fatos. Nós levamos em consideração a idade, classe social, cor, acesso a emprego e renda, se aquela pessoa que foi vítima ela tem algum relacionamento com o crime, se ela tem carteira de trabalho, se ela estava trabalhando ou não. Então, outros fatores que nós da Segurança Pública queremos inserir nesse contexto das análises estatísticas para fazer um estudo e um parâmetro. Por que claro que a presença da Polícia Militar a investigação contribui muito para evitar esses crimes, essencialmente de homicídios. Temos um sistema penal que não é culpa do promotor, não é culpa do juiz, não é culpa da polícia e ainda digo estatisticamente cada pessoa que é envolvida com o crime geralmente ele tem em média seis passagens nas mãos da Polícia Militar e consequentemente na mão da Polícia Civil e vai à Justiça. A Legislação Brasileira, sem levar em consideração a criança e o adolescente, tem muitos recursos e esses colocam na rua essas pessoas que não estão preparadas para viver em sociedade, são pessoas que a gente chama de “personas não gratas”, são pessoas que não deveriam estar no meio social. Então, nossa preocupação, não porque estão morrendo pessoas com o crime e a Polícia Militar e Civil não se importa, não é isso, mas a contenção desse tipo de crime é muito complexa, porque nós dependemos de identificar, prender e assegurar que aquela pessoa vai ficar presa. Mas há um medo das pessoas em testemunharem, e as primeiras 48h de um crime são essenciais, depois desse prazo dificulta mais ainda a identificação e a solução desses crimes.
 
Como o governo Robinson Faria tem contribuído no fator Segurança nesse início de mandato?
Temos sentido hoje em aproximação do Governo do Estado que uma de suas bandeiras é a Segurança Pública. Estamos tendo um grande apoio por parte do Governo. Nossa secretária Dra. Kalina, o nosso comandante conversa com a gente e nos dá todo apoio, não é culpa dessas pessoas a falta de efetivo nas corporações, isso é um problema que já se arrasta há muito tempo e nós precisamos repor também os efetivos, mas não só isso o problema. Investimos em treinamento, qualidade de vida, fator limpeza pública, iluminação, acesso a emprego e renda e o principal a questão da educação e da convivência familiar.
 
Existe algum projeto para o combate aos crimes comuns nesse primeiro semestre de 2015?
Existem sim, a gente trabalha com metas de média, de urgente e urgentíssimo, em médio, curto e longo prazo. No que depender do Batalhão e dos órgãos competentes do Estado vamos trabalhar com o que está disponível. Temos projetos em andamento como: “Brasil Mais Seguro”, temos também um projeto para trazermos para o centro de Parnamirim uma van,uma viatura, e duas dentro do projeto “Crack: É possível vencer”. Estou só aguardando encerrar a fase administrativa da SENASP. Temos também o projeto “Polícia Comunitária” que já atua no bairro Passagem de Areia e vamos envolver também outras comunidades. Temos também o programa do nosso governador que é o “Ronda Cidadã” que deve ser implantado em breve, como também o PROERD que é um programa de prevenção ao consumo de entorpecentes que envolve crianças da parte do Ensino Fundamental e os pais, temos esse projeto incluindo o “Ronda Escolar”.
 
Quanto à capacitação dos policiais. Existe um trabalho sendo desenvolvido? Até para a reciclagem, já que é um trabalho em que os policiais ficam expostos a situação de estresse, por diversos fatores como salários baixos, infraestrutura. Há um trabalho permanente desenvolvido?
Temos muitos treinamentos. A parte de abordagem, tiros essa parte técnica, Quando é detectado algum problema nós encaminhamos para o setor  da Polícia Militar que é o acompanhamento psicológico ou afastamento. Há sim uma preocupação com a capacitação, nosso maior bem hoje são os policiais, são nossos heróis aqui de Parnamirim, esse pessoal não tem hora, às vezes passam do seu horário de trabalho atendendo. É uma tropa que tenho o maior prazer em trabalhar com eles. A área de formação em Segurança é muito complexa, é um trabalho que emana decisão legal, decisão operacional. Nós não temos uma forma de bolo de como atuar e agir, nós temos técnicas padronizadas e baseadas no que se deve deve saber, nossa principal técnica é o dever, fazer e saber fazer. 

 

Fonte: Potiguar Notícias (Ed. 569)