Enildo Costa: "Se esporte é saúde, minha vontade é ser eterno"

16/02/2015


O Sr. Enildo Costa é sinônimo de superação. Isso porque o aposentado realizou, recentemente, junto a um grupo de amigos, uma expedição ciclística aventureira pelo Nordeste, percorrendo de Maceió a Natal sobre uma bicicleta adaptada à sua necessidade especial. Quem imagina que irá encontrar no Sr. Enildo uma pessoa frágil se engana. Ele é a prova viva das pessoas que encontram na dificuldade uma oportunidade. Confira a história de motivação e superação dele:

 

Como surgiu seu interesse pelo ciclismo?
Eu fui apresentado ao ciclismo dois anos atrás, numa época em que eu estava precisando ter alguma ocupação. Comecei a pedalar numa bicicleta simples e tomei gosto pelo esporte. Isso porque o ciclismo é apaixonante. Se interessar pela prática é algo automático, me sinto como se tivesse novamente 10 anos de idade. Mas tudo isso requer muita responsabilidade e consciência. Até porque, sobre uma bicicleta, eu preciso ter muito mais equilíbrio e prudência.
 
Além do ciclismo, o senhor pratica outros esportes?
Eu jogo tênis há, aproximadamente, dez anos. No entanto, depois do ciclismo, eu acabei “trocando” o tênis por esta prática. Eu já decidi, no entanto, que vou mesclar as duas práticas. Eu tenho um lema: se esporte é saúde, minha vontade é ser eterno. Tanto é que eu pretendo entrar, em 2015, no futebol.
 
Nos conte como foi a Expedição de Ciclismo Maceió-Natal.
A ideia surgiu do interesse de fazermos um pedal de longa distânica. No primeiro momento, pensamos em Fortaleza. Mas depois o grupo do qual eu faço parte percebeu que os desafios não eram tão grandes, visto que o terreno daqui para lá é basicamente plano. E nós queríamos um percurso que nos exigisse esforço. Decidimos por Maceió e pedalamos 609 Km, passando por Recife e João Pessoa. Foram 609 Km de emoção, alegria, felicidade e de superação.
 
Por quê?
Nós fomos expostos a condições extremas – tanto físicas quanto psicológicas. Físicas porque começávamos a pedalar às 6h da manhã e, no caminho, haviam subidas intermináveis, além de distâncias longas. E psicológicas porque, na expedição, passamos por momentos que a gente não esquece: paisagens, dificuldades e trajetos deslumbrantes estão gravados na memória. Encontramos paisagens tão bonitas que, em dado momento, eu chorei de alegria.
 
 O senhor enxerga todo esse esforço como uma lição de superação para os portadores de necessidades especiais?
Completamente. Uma lição não só para os deficientes físicos. Isso porque há pessoas que limitam o seu universo. Às vezes até por modalidade de vida, em razão da recusa em conhecer coisas novas. A minha preocupação maior era, através desse pedal, mobilizar a sociedade para a busca de uma melhor qualidade de vida. Veja só: eu tenho apenas um braço, o direito, e eu posso fazer. Qualquer pessoa que tem deficiência física pode praticar esporte. Por que as pessoas “normais” não podem? Sair do sedentarismo e da zona de conforto é um desafio que nós temos para mostrar às pessoas. Eu costumo dizer que eu sou movido a desafios e que, para ciclismo, não tem distância.
 
O senhor tem projetos futuros em mente?
O que eu tenho vontade de fazer é tocar um projeto para resgatar a estima das pessoas – não só os que tem necessidades especiais, mas da sociedade de um modo geral. Tem muitas pessoas “encrustadas” em sua zona de conforto. Quero motivá-las. Conseguindo isso, eu não vou precisar de mais nada.
 
* A iniciativa do Sr. Enildo Costa teve o apoio de CEPE Natal (Clube dos Empregados da Petrobras), Churrascaria Sal e Brasa, Escola Carrossel Nova Parnamirim, Segurança Total e Drogaria Nobre.