Júnior Gurgel:“Falta estrutura para desenvolver o potencial turístico da região"

13/08/2014


Um dos proprietários da Pousada Pedra Grande, entre Monte das Gameleiras e Serra de São Bento, o advogado e empresário Júnior Gurgel conversou com os jornalistas José Pinto Junior, Cefas Carvalho e Gustavo Guedes no Alpendre do PN. Falou sobre como surgiu o empreendimento, dificuldades do segmento turístico e política. Confira:

Como surgiu a ideia da pousada Pedra Grande?
Eu fui à Monte das Gameleiras a fim de comprar um terreno para construir uma choupana. Uma choupana daquelas dos filmes americano. Vindo de Patu, após fazer uma promessa para Nossa Senhora dos Impossíveis, em meio a um nevoeiro, que aumentava enquanto eu subia a serra, entrei à direita e vi um terreno com uma umburana. Foi aí que minha mulher disse que queria comprar aquele terreno. Compramos esse terreno e, depois, construímos um restaurante, o Galinha da Serra, para agregar pessoas no local, que não tinha estabelecimentos dessa natureza ainda. No primeiro final de semana, veio uma turma de Nova Cruz com 40 pessoas. Esse movimento foi constante durante vários finais de semana, trazendo a necessidade de ampliar o espaço do restaurante para comportar mais pessoas.

E assim o projeto teve continuidade.
A segunda etapa dessa ideia surgiu com a vontade que esses clientes tinham de dormir no local, mas ainda não havia espaço. Começava a surgir a necessidade de criar uma pousada ali. Após seis meses, minha esposa também lançou essa ideia para mim. Mandei meu filho para a Holanda, para se inspirar na arquitetura do local, e criar algo parecido em Monte das Gameleiras.

Quanto tempo se passou até a conclusão da pousada?
A conclusão da pousada se deu em tempo recorde, em quatro meses e vinte e cinco dias. Após muitas abdicações, me licensiei do trabalho e ajudei na construção. Após isso, começou a divulgação, uma vez que nossa intenção era criar um núcleo de desenvolvimento do turismo da região. Como nós temos uma cerca que divide Serra de São Bento e Monte das Gameleiras, eu chamo essa linha imaginária de “as duas vizinhas”. Isso porque eu moro em Serra de São Bento e sempre passo por dentro de Monte das Gameleiras. Então, depois de um tempo, várias pessoas começaram a aparecer pela cidade e ficar por lá: Plínio Sanderson, junto ao seu irmão, foram lá e, após terem achado o local lindo, compraram um terreno; sem contar nas diversas outras pousadas que já existem na região. Atualmente, existe uma comunidade formada, com todos os benefícios que merece: eu furei uma adutora para levar água para a região e me autodenunciei na Prefeitura, que viu um bom resultado nisso tudo e nos deu o direito de usar a água. Hoje em dia, 9 famílias estão sendo beneficiadas com água encanada. Depois, fiz um investimento e coloquei energia trifásica e, na última etapa, construí a pousada. Além disso tudo, era necessário um acesso adequado até a pousada. Para isso, eu fui catando as sobras de asfalto provenientes das obras de duplicação da BR e guardando para asfaltar o nosso acesso. Ao fim de tudo isso, foram 200 toneladas de asfalto.

Como está, hoje em dia, a infraestrutura dos municípíos de Serra de São Bento e Monte das Gameleiras para receber essa demanda de turistas e novos moradores?
Infelizmente, eles ainda não estão preparados e não enxergaram o potencial dos municípios dos quais são representantes. Os únicos que conseguem enxergar esse potencial são os populares, que veem os benefícios no dia-a-dia.

Existe algum tipo de diálogo entre vocês, donos dos projetos, e os prefeitos e presidentes das câmaras desses municípios?
Com a Prefeitura de Monte das Gameleiras, temos uma boa relação. Já com o município de Serra de São Bento não é muito bom, uma vez que o prefeito não está aberto a novas ideias e toma suas decisões sozinho, sem consultar ninguém. Então, não há como manter uma relação com políticos que não tornam públicos seus atos políticos.

Quais são os grandes desafios enfrentados pelo empreendimento?
Hoje, precisamos de um acesso da Paraíba para o Rio Grande do Norte. Seria algo parecido com a obra que o Governo da Paraíba fez de Araruna para o nosso Estado. O governador paraibano, Zé Maranhão, relatou que já tentou fazer acordos nos governos de Garibaldi Alves e Wilma de Faria para construírem esse acesso, mas só ouviu promessas e nada de realizações. Outro desafio é a falta de uma estrada de Japi até a pousada. Atualmente, esse trecho só pode ser trafegado por veículos com tração nas quatro rodas.

O Sr. tem alguma pretensão de se lançar na vida política?
Não, não tenho nenhuma pretensão em ser político. Eu acho que a política é a coisa mais promíscua do mundo. Muitos populares demonstram interesse na minha candidatura, dizendo que votam em mim, mas eu não toleraria uma carreira política. Eu não faria conchavo com ninguém, seria mais prático e menos burocrático. Talvez, essa característica poderia me fazer ter muitas desavenças.

O Sr. tem algo mais a dizer?
A Pousada Pedra Grande é uma vila rural holandesa, que exige muito da interação das pessoas. Nossa pousada não possui televisões nos apartamentos, uma vez que não considero que seja interessante o cliente gastar mais de trezentos reais para assistir à televisão. Então, nós queremos promover a interação, queremos que nossos clientes participem de nossas atividades, que entrem em contato com a natureza e aproveitem bastante do clima do local.

Fonte: Potiguar Notícias