Kalina Paiva

Natural de Natal/RN, é professora e pesquisadora do IFRN, autora de poesia e contos de terror.

“A-wop-bop-a-loo-lop-a-lop-­bam-boom!”

12/07/2025 18h36

 

A sua mente, com certeza, acompanhou o ritmo envenenado que marca cada sílaba desse título. É rock, bebê! E hoje, vamos beber na fonte. Tim-tim!

Em 1985, Phil Collins expressou o desejo da criação do Dia Mundial do Rock. Segundo ele, 13 de julho era uma data importante por ocasião do Live Aid, evento que merecia ser um marco da celebração por reunir vozes representativas do gênero numa campanha cujo objetivo era combater a fome na Etiópia.

Na atualidade, o Brasil é um dos poucos países que comemora a data, graças às rádios paulistanas dedicadas ao estilo que, em meados de 1990, encamparam a celebração, popularizando-a. Outras nações, contudo, possuem datas específicas, ou nem comemoram.

Quando pensamos na origem do estilo, logo encontramos controvérsias. Alguns estudiosos da música tomam por referência That´s All Right (Mama), um rockabilly lançado por Elvis Presley em 1954. É que a indústria cultural colocou um rosto branco num estilo de preto, quando a origem é preto no branco.

Quanto mais recuamos no passado (e vamos recuar aqui), damos passos em um contexto estadunidense mais hostil e segregacionista. Volte para 1950 até dar de cara com Little Richard, um artista preto, pobre, cristão e LGBT+, afrontando o conservadorismo com sua voz Tutti Frutti: “A-wop-bop-a-loo-lop-a-lop-­bam-boom!”.

Mais tarde, seu jeito visto como excêntrico inspiraria os lendários Chuck Berry, Elvis Presley, Jimi Hendrix, Beatles e Rolling Stones. Para não ficar só nos exemplos nominais, onde você encontra Little Richard? No rebolado de Elvis, nas roupas extravagantes de Prince, na energia envenenada de Elton John ao piano.

Ops! Está faltando alguém nessa linhagem: a mãe. Volte mais um pouco até 1930. É isso mesmo que você leu. O rock possui uma mãe anterior a essas lendas: Sister Rosetta Tharpe (1915-1973), que, nos anos 1930, tocava guitarra e teve a genial ideia de unir a música gospel ao blues, acelerando sua batida.

Créditos: Sister Rosetta Tharpe @ divulgação

O túmulo de Sister Rosetta permaneceu sem identificação até 2008, em um cemitério da Filadélfia, na Pensilvânia (EUA) até que a sociedade civil realizou um show beneficente para comprar uma lápide e tornar aquele um lugar de memória. Seu nome foi incluído no Hall da Fama do Rock 45 anos após sua morte. O dia 11 de janeiro foi escolhido para homenagear a artista, sendo instituído pelo governo da Filadélfia.

Graças aos estudos de gênero, mulheres pioneiras estão recebendo os devidos créditos pela sua participação inovadora na cultura. É o caso dessa mulher negra, norte-americana, fonte criativa do alicerce para este gênero musical contracultural que já nasceu afrontoso, desafiando barreiras raciais, propondo um modo de ser, através de comportamentos, linguagem e moda específicos pelo mundo afora.

Kalina Paiva

Natural de Natal/RN, é professora e pesquisadora do IFRN, autora de poesia e contos de terror.

 


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