Andrea Nogueira

02/12/2021

 

Pensão alimentícia de 80%

Quando moramos com nossos filhos tudo o que temos ou ganhamos direcionamos para eles. Não existe cálculo percentual. Pais e mães se desdobram para garantir o melhor quanto ao estudo, à alimentação, saúde, vestuário, lazer e qualquer outro investimento. Levando para a ponta do lápis, algo em torno de 80% do salário de um pai é dirigido para o sustento do seu filho ou filhos que gozam da sua companhia. 

Verdadeiramente, os pais abdicam de gozos pessoais para dar à prole tudo o que tem. Pelo menos essa é a regra dentro da vida matrimonial. Quando a paternidade é exercida dentro de um contexto de divórcio ou de gravidez de solteiras, a realidade muda, e aqueles 80%, rapidinho, viram 20%.

O instituto do divórcio não muda apenas a vida dos cônjuges, ele altera consideravelmente a vida da prole. Salvo exceções, claro, os filhos ficam com as mães e a renda para a manutenção do lar cai consideravelmente. O estresse perene, resultado dessa operação matemática, faz transbordar a alienação parental, causa distanciamento emocional das crianças, além de fomentar uma confusão dos sentimentos. Tudo isso respinga na sociedade. Afinal, a família é o seu núcleo principal.

Não dá pra correr da obrigação alimentícia. O direito à esta pensão é cada vez mais blindado pelas leis, e as varas de família estão, a cada ano, mais diligentes e atentas.

Afeto não se obriga, mas o sustento da prole é plenamente obrigatório por parte dos seus pais.

A Lei de alimentos é do ano 1968 e até hoje, em grande parte dos casos, precisa passar pelo judiciário para ser cumprida, mesmo significando uma diminuição drástica no investimento de pais nos seus filhos, considerado o comparativo entre 80% e 20% trazido acima.

A recusa no pagamento de pensão alimentícia é cultural e fruto de uma educação fincada numa sociedade patriarcal. Nessa realidade, as pessoas que encaram esse investimento como uma obrigação recusável, especialmente porque objetiva também “mostrar” a mulher divorciada ou mãe solteira o que ela está perdendo com o distanciamento do “seu homem”. 

No final das contas, nunca será a mulher a maior prejudicada. E quando o homem entende isso, ele luta contra o patriarcado, sua visão se amplia e a sociedade começa, verdadeiramente, a melhorar.