Alfredo Neves

23/06/2020
 
O MOSAICISTA, CARICATURISTA E RETRATISTA HERBERT MARTINS
 
 
Herbert Martins Bezerra, macauense, nasceu em 07/04/1977, casado com Iraneide Martins e pai de dois filhos, O Ítalo de Melo Bezerra e o Ícaro Gabriel de Melo Bezerra. Filho de Manoel Martins Bezerra e Ida Martins da Silva. A sua família tem fortes ligações políticas e históricas com a cidade de Macau. Herbert Martins, pela sua natureza cultural e engenhosidade, é um artista plástico, com atuação como mosaicista, caricaturista, retratista e musicista.  Foi vencedor do 2º Salão de Artes de Macau realizado em 1999. professor de Teologia pelo CETADEB - Centro Educacional Teológico das Assembleias de Deus no Brasil no polo da IEADEM – Igreja Evangélica Assembleia de Deus em Macau. Secretário de Missões transculturais, desenhista técnico e ilustrador de livros de poetas macauenses. Atualmente desenvolve um projeto denominado “Resgatando Nossa História” onde traz à memória dos macauenses os prédios antigos da cidade salineira em modelos eletrônicos tridimensionais.
 
Desde muito jovem Herbert Martins iniciou-se nas artes plásticas, inspirado por solicitação de alunos da escola em que estudava, uma delas a escola Municipal Padre João Penha e a outra Edinor Avelino. De forma rara, pois nunca havia tido conhecimento de alguém que teve a carteira profissional assinada como Artista Plástico em Macau, Herbert teve a sua assinada em 1993, pela prefeitura Municipal do Município. Foi ainda componente da Filarmônica Monsenhor Honório da cidade, fazendo uso magistral da clarineta, que segundo ele foi por influência do seu tio, Ilo Martins da Silva (1938 – 1963), que possuía e tocava clarineta e foi um célebre poeta sonetista que o inspirou. 
 
Com as habilidades advindas da prática de desenhar e pintar as belezas naturais do município, teve facilidades em se admitir em diversas empresas que desenvolveram obras tanto na cidade como na Região Salineira, para a prática de projetos técnicos e estruturais em edificações, pode-se dizer que o artista é também um exímio desenhista técnico. 
 
Herbert Martins é Membro da Cadeira 17 da Academia Macauense de Letras e Artes, que tem como patrono Helvécio Barros (1909 – 1995). 
 
Cada vez mais, quando escrevo sobre artistas do Rio Grande do Norte, fico fascinado com o rol de homens que tem na lida as artes plásticas ou como um meio de sobrevivência, ou como formação da sua Alma Mater, ou como uma prática para relaxamento mental. Herbert Martins engloba todas essas características no seu ato de produzir ao trazer para nós os seus frutos finais. Admiro cada arte em que ele se debruça e dali consegue nos deixar satisfeitos com a qualidade da sua produção. Eu já vi, por exemplo, vários retratos, e cada vez mais me fascino.  Os seus retratos, feitos com o uso da técnica do grafite, de perfeição extremamente realista, explicam a habilidade que ele tem com este estilo artístico. A respeito do movimento, pude detalhadamente comentar em artigos anteriores, mas, vale mais uma vez diferenciarmos o retratista fotográfico, do retratista pintor, onde o primeiro, todos já convivemos ou ouvimos falar em nossas cidades, afinal, desde meninos esteve talvez do nosso lado um retratista conhecido, ou os nossos pais nos levavam para tirar ou “bater” fotos para a escola, para documentos cartoriais ou eventos familiares e sociais. O outro retratista, movimento criado desde os primórdios, e que teve papel fundamental na Grécia, em Roma e na Idade Média, tinha como prática retratar imperadores, rainhas, reis, infantas, comerciantes, animais, natureza morta, etc., utilizando-se de diversas técnicas. E isto se deu evidentemente, pela ausência da máquina fotográfica. As habilidades eram variadas e permitiam que muitos dos rostos do passado fossem conhecidos pelas civilizações atuais. Dentro dos movimentos artísticos conhecidos recentemente, como o Abstrato ou o Expressionista Abstrato, artistas desenvolvem retratos e autorretratos que transcendem o conceito que temos do retrato figurativista. Todavia, esta habilidade do Herbert é praticada por ele de forma inquestionável e maravilhosa.
 
O artista Herbert Martins também já fez diversas caricaturas, apesar de que recentemente ele não se dedica mais a realizar caricaturas. Mas, se pessoas pedirem, e ele tiver tempo, faz sem muitos problemas. A caricatura é também um desenho, e a origem do nome é italiana, que significa caricare, ou seja: exagerar, aumentar, deixar as imagens com proporções avantajadas. A caricatura surgiu no séc. XVII, com o pintor Agostinho Carracci de Bolonha, mas muitos outros artistas utilizaram essa forma de arte, inclusive chargistas e quadrinistas brasileiros e mundiais. 
 
Quanto aos seus mosaicos, obras dignas de notas máximas e de admiração por artistas do ramo ou pessoas que as observam, elas têm embelezado algumas ruas de Macau. A respeito do mosaico, quero aqui escrever que é uma arte antiga mais do que possamos imaginar. A sua origem data de 3.000 anos a.C. Os sumérios, gregos, romanos e muitas cidades e civilizações no mundo inteiro os utilizavam. É uma obra para durar. Os mosaicos utilizam azulejos de cores variadas, conchas, papéis, plásticos, couros, pastilhas de vidro, etc. A partir desse material, os desenhos são fascinantes e adquirem formas como figuras, abstratos, florestas, animais, ruas, monumentos, e formas variadas. Nos Mosaicos de Herbert Martins ele utiliza fragmentos de cerâmica. 
 
Sobre as suas obras, elenco aqui algumas: “Moinho dos Ventos”, óleo sobre tela; “Antigo Prédio do SESI”, 1999, óleo sobre tela; “O Salineiro”, óleo sobre tela; “Pontal do Anjo”, 2004, óleo sobre tela; “Escultura” 1999, óleo sobre tela; Maquetes eletrônicas do Antigo Sobrado da Família Carielo; Escola estadual Duque de Caxias; Prefeitura Municipal de Macau – 1940; e tantos outros prédios históricos da cidade. Quanto aos Mosaicos, alguns são gigantescos, como o da praça do pescador, de 2003; outro dentro da Filarmônica Monsenhor Honório; Mosaico ao lado da delegacia de Macau, medindo 72 metros quadrados, datado de 2002 e diversas telas ocupando salas do Fórum Emídio Avelino da Cidade de Macau.
 
Herbert Martins realizou exposição na Caixa Econômica Federal em 2004, no mesmo ano foi entrevistado pela revista Preá, onde falava sobre os seus painéis e também recebeu a menção honrosa de Patrimônio Imaterial do RN como mosaicista e artista plástico.
 
De artigo em artigo vou mostrando aos leitores e interessados por artes plásticas, artistas conhecidos e excepcionais do estado. Ao mesmo tempo, oportunizo aos mesmos, outros tão importantes e que precisam ser pesquisados e também apresentadas as suas artes. Afinal, quando iniciei este projeto, quis com ele anunciar boas e belas obras “escondidas” fora dos círculos já conhecidos por todos, onde ao mesmo tempo em que releio e propago os renomados, também publicizo os “entocados” e merecedores da nossa atenção. Neste caso, Herbert Martins recebe o nosso aplauso e recomendo a todos pesquisar sobre o mesmo nas redes sociais e divulgá-lo como um admirado e grandioso mestre das artes plásticas do RN.