Alfredo Neves

14/04/2020
 
A arte visual do areia-branquense Anchieta Rolim
 
 
“Não são só os indivíduos que podem usar a arte para suprir o que falta à vida. Grupos e até sociedades inteiras podem recorrer à arte para equilibrar sua existência.”
                                                                                                                           (Friedrich Schiller)
 
José de Anchieta da Silva Rolim, ou como é mais conhecido, Anchieta Rolim. Natural da cidade de Areia Branca, tendo vindo ao mundo em 1962. Filho de José Ivani Rolim e Alzenir da Silva Rolim; o pai de Cajazeiras na Paraíba e a mãe do interior do Ceará. O seu tio-avô, Zé Rolim, instalou a primeira farmácia de manipulação em Areia Branca, tendo sido o farmacêutico pioneiro no município.  Anchieta Rolim é aquele artista que podemos sintetizar em uma palavra: “Inquietante”.  Utilizo esta palavra em quase todos os meus textos, pois para mim ela significa no campo das artes vanguarda, inovação, subversão e expansão.
A Arte tem sido um universo em expansão, e não são poucos os artistas que têm se transmutado de um movimento a outro, tanto dentro do que o mesmo faz, ou seguindo escolas mais modernas ou contemporâneas. E assim se identifica o pintor, escultor e poeta Anchieta Rolim. Em todas as nossas conversas ele se diz impaciente com o ato de produzir, e essa impaciência não o deixa atrelado às práticas predominantes por muito tempo, notadamente ele está sempre inovando. O seu estilo artístico, apesar de vários críticos da Arte o ver como abstrato, concreto, ou geometrista tridimensional e, na escultura, um seguidor do modernismo difundido pelo francês Auguste Rodin (1840 – 1917), eu o considero um artista visual, no sentido de dizer que engloba a pintura, o desenho, a escultura,  a fotografia e todas as técnicas artísticas chamadas de Artes Plásticas. No entanto, não desconsidero as outras análises dos críticos, e por essa razão, descreverei mais adiante um pouco de cada manifestação artística do areia-branquense Anchieta Rolim.  
Desde criança Anchieta Rolim desenha e faz esculturas e, quando pergunto sobre a sua escola poética, ele é enfático: “a escola da vida”.  Numa entrevista no programa Manhã, da TCM, em 2016, com a jornalista Lilian Martins, ele diz que a poesia surgiu porque ele não consegue expressar numa pintura ou num desenho os seus desabafos contra as mazelas sociais e políticas. 
Antes de falar mais um pouco sobre a obra de Anchieta Rolim, é preciso me antecipar escrevendo que ele utiliza a Arte como uma terapia. A sua ideia vanguardista e de produção cultural não está muito preocupada com essas descrições “cansadas” e definidoras de estilos e escolas, ele está, e se manifesta despretensiosamente, em produzir aquilo que ele entende ser importante para acalmar a sua psique. A mente de Anchieta Rolim se debruça constantemente em novos projetos, e para tanto, surgem feitos quase que a cada minuto, chegando ao final do dia esgotado por ter idealizado dezenas de poemas, telas e projetos que só permitem a mansidão da alma quando o cérebro solicita que é hora de parar, de repousar e de dormir. E quando retorna do sono, parece que os neurotransmissores inibidores do cérebro não tiveram lá os efeitos desejados, e o artista retoma tudo, como se não tivesse contido a sua ansiedade nesses momentos de repouso, porque tudo regressa de forma a movimentar a maquinaria para novas criações. 
A respeito das suas obras, como descrevi, conceituá-las é para mim uma grata satisfação, de tal modo que o crítico pode vê-las como alentadoras para serem apresentadas às nossas sensíveis imaginações.  As técnicas são sempre atualizadas e vez por outra o artista retorna aonde tudo começou, ou seja, ao abstrato ou ao concreto, este último, termo tanto utilizado para a poesia como para as artes, vai ao simbólico, Desenho Analítico, gerando grandes redes estruturais, ou produzindo obras expressionistas. Na verdade, os movimentos são encontros e desencontros com a vontade permanente do criador e a sua obra em se adaptar às novas tendências revolucionárias apresentadas à sociedade. 
Pois bem, sobre os conceitos: Arte Concreta é um termo inventado por Theo Van Doesbourg (1883 – 1931). Theo, artista plástico holandês, foi também poeta e arquiteto, tendo criado o termo em contraposição e substituição à Arte Abstrata em 1930. Na verdade, os criadores da Arte Abstrata (1910 a 1930), tendo à frente Wassily Kandinsky (1866 – 1944), Kazemir Malevich (1879 – 1935) e Piet Mondrian (1872 – 1944), jamais deixaram de utilizar o termo Arte Abstrata. Se compararmos as duas manifestações artísticas, veremos pouca diferença entre as técnicas utilizadas, por essa razão, de forma natural, tanto para leigos ou conhecedores, as técnicas se misturam. O Expressionismo, movimento cultural surgido na Alemanha e na Áustria, no século XX, tem, por incrível que parece, a sua aplicação a artistas não alemães ou austríacos, como Francisco de Goya (1746 – 1828), Paul Gauguin (1848 – 1903), Henri Matisse (1869 – 1954) e Vincent Van Gogh (1853 – 1890), onde em suas telas os artistas repassam as suas insatisfações com o estado caótico das coisas, as insatisfações sociais, as angustias pessoais e a desesperança com as coisas mundanas. E, por último, os Desenhos Analíticos, o simbolismo conceitual e o Geometrismo Abstrato, torna cada pincelada do artista Anchieta Rolim uma incógnita a ser desvendada por cada observador, seja ele conhecedor da História da Arte, autodidata, ou simples visitante curioso percorrendo exposições em museus ou nas atuais redes sociais. As suas esculturas são modernas, contemporâneas, e as relaciono com as históricas do pintor espanhol Pablo Picasso, com as características marcantes dos rostos aborígenes africanos ou das beldades gregas, vejo isto em suas séries Mutantes, onde nos repassam um certo conforto reflexivo para quem gosta das formas com que elas nos são apresentadas. Todavia, quando se cansa e se impacienta, percebo que Anchieta Rolim quer com as suas esculturas se acalmar criando um mundo quase que real e em três dimensões para serenar a sua mente. 
 
Destaco as seguintes obras do Artista: na escultura a série Clones, Mutantes e Filósofos, técnica em cimento e argila. Na Pintura: Geoformas, a série Abstratos, e nos desenhos as belíssimas Máquinas, Cidade IV e Cidade I e outras dezenas de artes digitais. Por essa razão, e como a própria história o define, Anchieta Rolim é um exímio artista visual que merece os aplausos de todos os areia-branquenses e norte-rio-grandenses. Considero-o Artista Visual e Artista Plástico, no rigoroso significado do sinônimo aplicado aos dois termos, pois, para que não haja mais dúvida, Artista Visual e Plástico são as mesmas pessoas no sentido estrito da palavra, e popularmente utilizado para pintor, artesão, etc. Em resumo, quero escrever que as diversas manifestações estão visualmente apresentadas para nós desde a pintura, a fotografia, a escultura, o designer gráfico e a arte digital, tornando-o um artista de habilidades múltiplas.
 
Vale ressaltar as suas poesias concretas e modernas, tendo já publicado os livros: Agonia (2005), Contagem Regressiva (2013), Simbiose (2015) e uma Antologia Poética Virtual em 2015 chamada Poemas de Amigos,  além de contribuir com o incentivo à leitura em seu município, tendo criado em Areia Branca o projeto “Leitura Livre”, onde o objetivo é levar leitura grátis para diversos setores da sociedade areia-branquense. 
 
Participou de diversas exposições, dentre elas Exposição Geoformas em 2011 na Pinacoteca do estado do RN; Exposição Cidades na Galeria Convivart – NAC – UFRN em 2015; Mostra de Artes Visuais Malakoff em Recife-PE e A Industrialização do Santo Cristo – Capitania das Artes em 2009.