Doce amada Parnamirim

22/06/2018

Por: Genilson Souto

Nasci no dia 10 de janeiro de 1974 em Parnamirim, sou filho do senhor Jessé Soares Souto e da senhora Conceição Peres da Silva. Meu pai era Funcionário Público Federal e minha mãe dona de casa. Na minha infância estudei na Escola de Base, onde tive uma base disciplinar importante para os anos seguintes, na época o diretor era Sub Vieira, “temido” pela sua rigidez sob a direção da escola, eu e muitos outros jovens parnamirinenses aprendemos muitas coisas boas, sobretudo lições de disciplina e de respeito á família com aquele gestor íntegro e austero; estudei ainda nas escolas Ilson Santos de Oliveira e Costa e Silva onde tive o prazer de ampliar meu aprendizado nas aulas de mestres como Maria Pinheiro, Maria da Paz e Poliana, e também no Colégio Augusto Severo sob a direção do saudoso professor Edinho, um nome de respeito na cidade “Trampolim da Vitória”, aprendi muita coisa importante para meu futuro na sociedade parnamirinense com esses ídolos educadores de minha geração.

ANOS INESQUECIVEIS

Já passando dos 10 anos era só traquinagem nas incontáveis ruas de terra batida do Município. Bom mesmo era as investidas nas mangueiras de dona Joana e de dona Maria Cordeiro, o que vinha de reclamação aos pais era proporcional as frutas que pegávamos nos outonos outrora; e nos matinês na Associação dos Moradores era só paquera aos domingos. Também na Cohabinal tive a felicidade de conhecer pessoas como seu Gama e dona Luiza, seu Shiiki e dona Dice, Seu Taveira e dona Nêga, dona Baby e seu Bacellar, seu Teneco e dona Zefinha, dona Demilde Sena, dona Graça, seu Heleno, Seu Eládio, Seu Horácio, entre outros. Convivi e me tornei amigo de pessoas excelentes como seu João e seu Ambrósio, ex-presidentes da associação dos moradores da Cohabinal.

Faço parte de uma geração de amigos inseparáveis do bairro da Cohabinal, onde vivi e aproveitei os melhores momentos da minha vida, meu pai tinha uma casa na Rua Átila Paiva e foi ali que praticamente tudo aconteceu, pois desfrutei com meus colegas de dias inesquecíveis no Açude de Dom João, onde tomava banho e pescava; e nós achávamos pouco, ainda tomavámos banho nas caixas d’água da CAERN quando aconteciam suas sangrias, sempre nos fins de tardes, onde depois corríamos para o campo de areia para bater nossas peladas no DF (hoje o C.H.A.S) ou em frente ao colégio Antônio de Souza que tinha o mais famoso campo de mirim da cidade.

Foram bons tempos aqueles das peladas com meus amigos Sérgio “Baú”, Rogério, Ricardo, Cleon, Lengo, Paulo Sérgio, Márcio “Nico”, Cascão, Suíba, Bira, entre outros, fazíamos da pelada a melhor de Parnamirim com apenas duas traves pequenas (mirim) e uma galera muito unida e divertida. Isso tudo foi no começo dos anos 80.

Ainda na adolescência conheci a ideologia Punk-Anarquista que muito me orgulha em dizer que foi nas andanças Brasil a fora que “lapidei” minha vocação jornalística, mesmo sendo de um movimento underground aprendi muito na prática como viver em sociedade. Entre essas viagens participando de congressos, shows e eventos punk’s libertários conheci entre outras figuras memoráveis o escritor Roberto Freire, encontro esse numa palestra em Curitiba. O criador da Somaterapia, além de autor de livros maravilhosos como “Coiote”, “Cléo e Daniel”, “Viva eu, viva tu, viva o rabo do tatu” e o consagrado “Sem Tesão não há solução”, despertou em mim sentimentos e valores eternos sobre o amor ao próximo, aos animais, a maldade e a existência humana...

Saudades de uma época em que eu, Joab Ricardo, Léo Lopes, Marcone, entre outros revolucionários anarquistas, fundamos o movimento em Parnamirim, participando de debates históricos com outras ideologias da juventude, numa época em que o som era Pink Floyd, Cólera, Ratos de Porão, Dead Kennedys, Ramones e Discarga Violenta e a “droga” viciante era um vinho tinto nas esquinas cosmopolitas de Parnamirim, além disso, fundamos O NLP (Núcleo Libertário de Parnamirim), primeira biblioteca libertária que lapidou artistas como Tocha Lopes...

Faço parte de uma geração que sempre foi indignada com a classe de governantes larápios do erário público, com seus discursos defasados, prometendo sempre as mesmas coisas, mantém a massa subjugada, eles são tão ridículos que dá náusea, porém ainda conseguem enganar a maioria da população, voltando sempre ao poder com as caras sínicas de sempre. Espero mudanças em 7 de outubro. Será?

Parnamirim ainda tem muito que aprender, a cidade está começando a dá seus primeiros passos de pé, está em fase de crescimento, o que explica as tantas adversidades que ela enfrenta, pois cai, levanta, cai, levanta... Este ano completará 60 anos de fundação e na medida desse crescimento vai aprimorando seu caminhar nessa estrada de progresso e desenvolvimento. E nós estamos aqui, firmes e fortes e cada vez mais apaixonados por ela...

Eu abraço com carinho essa cidade TRAMPOLIM DA VITÓRIA que sempre me abriu as portas para tudo que quis experimentar. Decepções? E quem nunca teve? Registro ainda que no final dos anos 90, ela abraçou meus primeiros escritos na Imprensa local com confiança e carinho, transformando-me no homem que sou. Só tenho a agradecer a todos os munícipes, em especial aos amigos que me incentivaram no jornalismo impresso até os dias de hoje da era digital.

Parnamirim da minha época é inesquecível, mas temos que olhar para frente e com nossa humilde colaboração, ajudá-la a se erguer cada vez mais como centro comercial, pólo turístico e empresarial, e com a força do seu povo, seguir em frente para justificar para o mundo o título de cidade cosmopolita!

Recordo que em 1996, aos 22 anos de idade, escrevi meu primeiro poema: “Doce Amada Parnamirim”, na época foi tão elogiado que tomei a decisão “idiota” de não escrever mais nenhum, porém, no dia 2 de novembro de 2016, dia do nascimento de Maria Helena, minha filha caçula, quebrei esse pacto e escrevi outro poema em homenagem a Heleninha e à minha cidade que tanto amo, portanto, tenho duas obras literárias que retratam um pouco da história desse magnífico território conhecido internacionalmente como “TRAMPOLIM DA VITÓRIA”. Eles ficarão registrados para sempre como se fosse um pacto de vida e morte entre eu com esse lugar extraordinário!

Enfim, quero agradecer ao consagrado e competente jornalista José Alves Pinto Júnior pelo convite e concluir com o poema DOCE AMADA PARNAMIRIM homenageando a nossa cidade com esse verso de gratidão por tudo que Parnamirim e sua gente me fez nesses 44 anos de vida:

“Aquele sonho de menino, céu azul de Pirangi, jardins de nobres flores, jasmim. Ah! Doce Amada Parnamirim. Poetas, cantores, americanos voadores, tantos outros vieram e deleitaram-se no teu aconchego, polivalentes parnamirinenses, bandeiras na mão: venceram!
Desprezaram-te povo trampolim, sou poeta, menino traquino, ainda pequenino de muitos sonhos assim, com vontade de viver e morrer em tua imensidão, Doce Amada Parnamirim”.


 Por Genilson Souto – Jornalista (Editor do Jornal do Estado e Apresentador na LIVRE TV).