Parnamirim

Minha história com Parnamirim

Advogado e jornalista escreve sobre sua vinda para Parnamirim e como fez sua vida no município.

Por: Silvio Menezes
17/01/2018

Sonhos são um grande mistério. Mas aquele sonho de passear pelas ruas de Parnamirim e suas largas ruas e avenidas foi o suficiente para despertar meu saudoso pai a adquirir uma casa no bairro da Cohabinal. Após morar na Paraíba na adolescência, vi concretizado aquele sonho quando aqui cheguei. Em 1993 ocorreu falecimento do meu pai, o poeta e magistrado Damasceno de Menezes, tal fato trouxe mudanças. Restou a minha mãe e irmãos a resolução de nos mudarmos para Parnamirim. 
 
Em 1994, ingressei na UFRN e fui estudar Jornalismo. Era uma olhar na futura profissão e outro na cidade que iniciava sua expansão a uma maioridade econômica, no oferecimento de oportunidades que faziam da Trampolim da Vitória uma cidade viável muito além do que costumeiramente se dizia: “cidade dormitório”.    
 
Logo chamou a atenção a topografia da cidade. Plana, era favorável a prática do ciclismo. Vi as pessoas circularem com alegria, ir e vir ao centro, a Santo Reis, Jardim Planalto e resolver os compromissos do dia. Era um movimento de todos. Crianças, jovens e idosos. No Lojão do Ciclista a Túlio Peças. A Bike era moda entre todos. 
 
Como jovem evangélico me impressionou a quantidade de crentes na cidade. As igrejas Batistas e a Assembleia de Deus haviam surgido desde o nascedouro de Parnamirim. Era fácil conhecer pessoas novas, estabelecer uma rede contatos e se aproximar de novos amigos. Amigos que se encontravam todos os sábados e domingos e nas ruas ou no ônibus dos estudantes, cedido da prefeitura e que nos deixava no Campus da UFRN. 
 
Da multidão de crentes em Parnamirim vez por outra a cidade era impactada com o desfile da Assembleia de Deus, nos memoráveis congressos da UMADEP – União de Mocidade da igreja e concentrações, na praça do centro, que reunia milhares de pessoas. Fiz parte dessa juventude, alegre, feliz. Em 1999, ao presidir esse órgão da Igreja, vi uma geração de jovens comprometidos com os ideais da fé cristã. 
 
De repente, veio a época que Parnamirim deu um saldo de crescimento significativo. Os anos Agnelo trouxe acentuado aumento demográfico. Uma expansão possível que conteve o déficit habitacional de Natal. Parnamirim passou de 73 mil para 120, 150, 200 mil habitantes em pouco mais de uma década. Muito empreendedores perceberam esse período e se tornaram homens de sucesso, gente como Sr. Antonio do Mercadinho Pague Menos, os Pereiras e irmãos do LL Imóveis.
 
Parnamirim floresceu. E consigo as ideias e projetos. Aqui a folha impressa e os jornais encontraram sempre um campo fértil. Após a Universidade lancei o jornal RN em FOCO. E outro campo de atividade ingressei no direito e abri minha banca de advocacia no Comandante Petit, considerando os colegas que deram suas contribuições à cidade me esforcei para estabelecer minha nova atividade profissional. Aqui constitui família, fiz minha clientela. Ganhei amigos e irmãos, irmãos de fé. Em 2017 após receber o título de cidadão parnamirinense me senti honrado pela egrégia Casa e fiquei mais Parnamirim que nunca. 
 
Quem tem o prazer de residir em Parnamirim sabe que aqui é um berço de oportunidades. Quem sabe o deleite de um dia ensolarado nas falésias de Pirangi sabe que aqui todos tem acolhida. Parnamirim ensina a todos a viver, mesmo que isso seja difícil em dias de crise econômica e violência estrutural. Mas viver é preciso. Dez entre dez pessoas que chegam a Parnamirim buscam oportunidades. Assim aconteceu comigo, assim acontece com todos nós, os que sonham e buscam tornar seus sonhos uma realidade. Parnamirim é e foi o grande salto na vida de muitos, um salto para o progresso, custoso, trabalhoso, do dia a dia, mas que certamente nos leva (ou) às grandes vitórias.