Sobre Parnamirim Field e o óbvio ululante

12/01/2018

Por: George Lall
Foto: Redação do PN
Viajar é uma das prioridades em minha vida. Conhecer os brasis, sua cultura, sua culinária, sua história e claro, suas belezas naturais. 
 
Escolhi Natal para morar na década de 90 por ver na cidade, a princípio, tudo aquilo que vislumbrava para encher os olhos: praias lindas, esporte e povo acolhedor. Aqui fiquei.
 
Formado aqui e alhures, ensinei em universidades e por alguns anos no curso de turismo a disciplina de viabilidade de projetos turísticos que como o próprio nome revela, pretendia ensinar aos alunos noções de empreendedorismo aliada ao estudo de viabilidade econômica para tirar do papel o que se pretendia.
 
Várias ideias surgiram na disciplina: praia de nudismo, passeio de charretes pela via costeira, centro de turismo nas margens do Potengi, passeio de helicóptero, box de informações turísticas no aeroporto e museu do cangaço são as que me lembro de pronto. 
 
Uma das ideias mais interessantes apresentadas foi a reconstituição da base americana em Parnamirim, o Parnamirim Field, maior base dos Estados Unidos em terras estrangeiras. E a ideia era reconstruí-la com hangar, alojamentos, igreja (preservada até hoje) equipamentos, aviões, carros, material bélico, torre de comunicação, ou seja, um museu da Segunda Guerra em Parnamirim, primazia e diferencial competitivo único na América Latina e até no mundo. 
 
A ideia dos alunos, dando o devido respeito a proposta, deveria ser óbvia para os diversos governos e gestores do turismo que passaram tanto no município de Parnamirim quanto no governo do Estado. Seria um grande atrativo em um estado que vive do turismo quase que majoritariamente de sol e mar. E olhe que temos inúmeros outros atrativos.  
 
Esse seria o grande diferencial: a maior base americana da segunda guerra mundial construída em terras potiguares. Temos fotos, alguns poucos vídeos e muita, muita história. Se olharmos para a economia do Rio Grande do Norte sustentada em parte pelo turismo, aí é que temos mais certeza que a ideia é brilhante.
 
Aumentaríamos todos os indicadores do turismo e inclusive, teríamos um atrativo único para atrair os desejados turistas americanos e seus dólares. 
 
Outro ponto a ser considerado é que não teríamos somente o aspecto da segunda guerra mundial para mostrar. Temos a aviação e Parnamirim novamente com seu campo de pouso desde a década de 20. 
 
Muita história para contar e mostrar. E o que foi feito? Nada! E o que será feito? Não sabemos!
 
Diversos estados fomentam e estruturam cada vez mais seu turismo histórico. Acreditem, existem pessoas que gostam de ter acesso a história dos locais que visitam. É verdade! E o melhor local para isso seria? Museus, claro!
 
Ah Nelson Rodrigues...