Flávio Assis: A Copa do Mundo será um cartão de visitas do turismo

24/07/2013

Por: Potiguar Notícias
Sobre a Feira 101 Nordeste que aconteceu recentemente na cidade de Natal. Qual o seu olhar sobre esse tipo de evento?
 
 Esse evento foi um marco para Natal, pois foi a primeira fez que o evento foi realizado na cidade e para nós essa ideia da Rota 101 Nordeste foi brilhante, pois visa trazer as pessoas dos estados vizinhos (Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Norte e Alagoas) a BR 101 que está unindo esses estados dando maior comodidade e conforto às pessoas para que possam se deslocar. Hoje Natal é um destino muito procurado, não só pelas pessoas que vem do Sudeste, mas também pelas pessoas aqui da região, então a Rota 101 Nordeste deu esse enfoque e foi um sucesso aqui para Natal e para nosso estado.
 
Existe uma polêmica em relação à ocupação da rede hoteleira, mesmo no período da Copa, porque Natal sempre teve uma rede hoteleira muito boa e com uma ocupação razoável, mas me parece que está sendo prejudicada em função de voos, não?
 
Hoje, em Natal, nós temos um problema. Temos um ônus e um bônus, na verdade. Temos uma ótima rede hoteleira, com 30 mil leitos (se comparado a Recife tem-se 18mil leitos, Natal está muito adiantado nesse sentido). Mas, infelizmente temos perdido voos, na última vez que conversamos falávamos sobre isso, a nossa malha aérea está muito prejudicada. Natal perdeu ligações com algumas cidades, perdemos voos da TAM e da GOL para Salvador e Recife, que também perdeu voos da AVIANCA. Nós temos apenas uma companhia aérea que está ligando Recife e Natal e vice-versa, fazendo com que as tarifas aumentem muito e, obviamente, percamos competitividade.
 
Isso prejudica nossa maior qualidade que é o número de leitos?
Exatamente. Até porque hoje a ocupação do turista que vem para Natal, a grande maioria vem do sudeste, considerando o maior polo emissor como São Paulo e interior. E hoje o problema que nós temos é que, com a escassez de voo, a demanda que nós temos de pessoas continua a mesma, e os voos menos, ou seja, as tarifas aumentam. Isso faz com que Natal perca competitividade, por exemplo, para Fortaleza. Um mesmo pacote de viagem saindo do Sudeste, para ficar cinco ou seis dias no hotel fica muito mais barato para Fortaleza do que para Natal.
 
 O que fazer para resolver esse problema? De quem é a competência?
 
 Na verdade, o que o setor do turismo vem clamando ao poder público, seja ele municipal ou estadual, as próprias associações, a ABAV tem feito coisas nesse sentido, é mobilizar as companhias aéreas para que se repensem nessa malha aérea para Natal, nesses voos que foram tirados daqui alegando melhor rentabilidade em outros mercados, mas precisamos trabalhar isso até porque Natal vai receber dentro de nove meses o melhor aeroporto do Brasil, com uma pista com capacidade para receber 380 voos , onde nem São Paulo tem essa capacidade e nós teremos. Vamos ter um aeroporto de primeiro mundo, mas não adianta se os aviões não estão chegando até aqui. Então, estamos realmente com um gargalo na malha aérea e eu espero que os governantes, o poder público possa conversar com as companhias aéreas para termos esses voos de volta.  
 
O trade está mobilizado?
O trade e todos as associações de hoteleiros, cotur, abav. Estão todos trabalhando para isso, mas efetivamente, precisa-se de uma força maior do poder público para que alguma coisa mude.
 
O dólar teve um aumento. Isso é bom ou ruim para o turismo?
 
Para o mercado emissor de Natal, hoje, a alta do dólar e do euro prejudica as emissões internacionais porque começa a ficar um pouco mais caro.  O que a gente tem feito são renegociações com pacotes para America do Norte e Europa, mantendo os valores e renegociando com os fornecedores para que o consumidor não pague a mais por isso. E como garantia para ele viajar e não ter surpresas, hoje nós oferecemos os cartões de moeda pré-pago, onde você consegue carregá-lo com dólar, euro, libra  e garantir que você não vai sofrer com a variação cambial. Garantindo o planejamento da viagem e sabendo que não terá surpresas no cartão de crédito, se o dólar ou o euro dispararem. Então esse é um produto que nós oferecemos para o nosso cliente.
 
Gostaria que você me falasse sobre a viagem aos santuários europeus que a Fly Tur está programando para agosto.
 
Desde 2008, nós oferecemos ao mercado potiguar o turismo religioso. Já tivemos várias edições, inclusive com vários sacerdotes da cidade, Mon Senhor José Mario, Padre Valtair e agora vamos com Padre Daniel, da igreja de Nossa Senhora do Líbano. E temos um grupo saindo no próximo dia 1° de agosto, em que vamos visitar os santuários de Fátima, Santa Lourdes, Medalha Milagrosa, Assis e Lanciano. O roteiro vai culminar com a audiência com o Papa Francisco lá em Roma, no dia 14 de agosto. Então a FLAETUR oferece cada vez mais ao mercado potiguar uma oportunidade de turismo religioso diferenciado, onde as pessoas vão e voltam maravilhados e além do religioso tem o turismo cultural, pois buscamos associar as duas coisas.
 
 Nós teremos alguns eventos importantes, por exemplo, o Papa estará no Brasil, a Copa. Não lhe preocupa essa questão dos voos? Será que se resolve até lá?
 Preocupa. Esse fato é preocupante. Eu fui vítima, inclusive. No último sábado, eu precisei me deslocar de Recife aqui para Natal. Cheguei uma hora e quarenta antes do check-in com todas as reservas, e o voo já estava lotado, com overbook.  E isso preocupa, sobretudo pelos turistas que vem de fora, que não falam a nossa língua, e acho que devemos nos preparar melhor. O governo do estado teve algumas ações, mas é preciso cuidar dessa questão da malha aérea e tudo porque vai ter um fluxo muito grande de pessoas chegando, não só em Natal mas em todas as cidades-sede e é preciso se preparar para que não seja algo negativo na nossa história, pois é uma grande oportunidade de mostrar as maravilhas que a gente tem, mas oferecendo qualidade e comodidade em nossos produtos
 
Aquela propaganda boca-boca de comentar como foi tratado na cidade e tudo mais é fundamental. Eu estava vendo uns números da Argentina em relação ao Brasil, nós estamos muito atrás no número de turistas estrangeiros, e a Copa seria uma oportunidade de captar turistas e colocarmos numa posição mais favorável.
 
Com certeza. Pode ser mesmo esse cartão de visita para aquele estrangeiro, para aquela pessoa que vem aqui. Vamos torcer muito para que a chave que vamos receber aqui seja boa para Natal, porque esse fluxo de pessoas vai depender muito dos jogos que vão ter aqui. De qualquer forma, é uma oportunidade, é um cartão de visitas. E aquelas pessoas que vêm tendo uma boa experiência com certeza irão voltar aqui para nossa cidade, e para o nosso estado e vai ser algo gratificante para todos, mas precisamos trabalhar, porque hoje o que se vê ainda são muitos gargalos. 

Fonte: Potiguar Notícias