Andrea Nogueira

28/09/2019
 
 
Mi Mi Misoginia
 
Uma palavrinha estranha está causando muito incômodo por aí. Isso porque o desconhecido é capaz de constranger, amedrontar e até de enfurecer as pessoas. Não à toa, vale insistir na frase: “o conhecimento liberta”. Assim, vamos dedicar alguns minutos deste dia para conhecer o real significado da palavrinha MISOGINIA.
 
Em tempos hodiernos, com a sociedade amadurecendo ideias de igualdade e de inclusão da mulher no vasto universo social majoritalmente masculino por centenas de décadas, percebe-se que do dicionário formal começou a saltar algumas novas palavras. Misoginia, por exemplo, era uma palavra completamente desconhecida, mas agora está em grande evidência.
 
“Misoginia é um complexo de superioridade”, opinou Malala. Etimologicamente, do grego, temos miseó (ódio) e gyné (mulher) que formam essa expressão de desprezo face ao feminino, podendo manifestar-se de muitas formas, inclusive de forma velada.
As palavras existem para dar significado e características a comportamentos, ações, coisas e pessoas. Se começamos a utilizar bastante determinada palavra, certamente é porque sua expressividade tornou-se necessária à sociedade contemporânea. A palavra MISOGINIA sempre existiu. De fato, no século passado não havia porque mencioná-la, já que a mulher não era sequer sujeito de direitos. Mas hoje em dia, comportamentos recheados de raiva contra uma mulher estão sendo verdadeiramente rechaçados, pois acabamos de alcançar um equilíbrio entre os que querem a igualdade e os que não fazem questão de mudar a confortável realidade vivida ao longo dos anos.
 
Uma pessoa misógina não suporta a ideia de igualdade entre homens e mulheres. Pelo contrário, ela dedica-se ao estabelecimento e manutenção da desigualdade e da hierarquia de gêneros, enfatizando crenças de superioridade da figura masculina sobre o feminino. O comportamento misógino pode ser de um homem ou de uma mulher, mas sempre contra o feminino e sua possível conquista de direitos no mesmo patamar alcançado pelo masculino.
 
Discursos que tentam desqualificar lutas feministas são cheios de misoginia, mas nem sempre percebemos. Chamar uma proposta feminista de “mi, mi, mi”, por exemplo, é colaborar com a banalização da violência que se estende pelos vários aspectos da vida da mulher, como o social, o psicológico, econômico e político, tornando difícil identificar os traços nocivos mais sutis.
 
Homens ficam com raiva de mulheres que gritam pela igualdade de oportunidades. Mulheres ficam com raiva de mulheres que gritam pela igualdade de oportunidades. E essa “raiva” vai sendo nutrida ao longo dos dias, meses, anos, até chegar ao ponto de prejudicar as relações interpessoais. Algumas pessoas sentem ódio da mulher, porque a realidade que se apresenta pode mudar seu confortável modo de viver tão enraizado no cotidiano. Mulher que trabalha, mulher que não deseja ter filhos, mulher que ama mulher, mulher que não quer casar, mulher que não sabe cozinhar nem quer aprender, mulher que gosta de sexo, mulher que escolhe uma vida desejada e vivida por homens ao longo dos anos. Tantas mulheres odiadas... 
 
A misoginia está aí e sempre existiu. Mas hoje, está sendo mais combatida do que nunca. Aqui e acolá ouvimos esta palavrinha feiosa. Mas se é pra entender e para melhorar, ouvir não faz mal, falar também não. Mas cultivar suas ideias está fora de cogitação para uma sociedade em pleno desenvolvimento.