Andrea Nogueira

04/08/2018
Femi o quê?
 
Muito se fala sobre o FEMINISMO. Pouco se conhece...
 
Sem dúvida, é uma palavrinha que inquieta alguns, aborrece outros, divide, une. Faz-nos refletir.
Ninguém fala sobre algo sem uma prévia reflexão. Porém, matutar sobre um assunto sem o mínimo de conhecimento sobre o seu conceito, certamente provocará ideias destorcidas.
 
Ler nunca é demais. Estudar a origem de algo é essencial para desdobrar palavras ou ideias que lhe forjem o conceito. Se um tema realmente lhe importa, você se debruçará sobre ele.
 
O feminismo no mundo da ideia não passa de uma imagem, uma representação mental. Contudo, na prática, é a adoção de um comportamento rumo à construção da igualdade. É o caput do artigo quinto da Constituição Federal em pleno movimento.
Importa destacar que feminismo não é o gênero feminino de machismo. Feminismo não é uma briga, não é uma disputa, também não é um estilo de vida. O feminismo é um caminho.
 
A desigualdade entre homens e mulheres existe, e a humanidade, em seu processo evolutivo, precisou refletir sobre o papel dos seus partícipes, chegando à conclusão de que havia uma real desigualdade de direitos, de tratamento e de oportunidades. Esta reflexão amadurecida e com foco na justiça de valores e na própria evolução do humano, descerrou um véu que desfocava a realidade. Nasceu o feminismo.
 
Mas porque nasceu o feminismo e não o masculinismo?
 
Se através daquela reflexão chegássemos a conclusão de que as mulheres se posicionavam superiores aos homens, nasceria o masculinismo.
 
O Feminista ou A Feminista é aquela pessoa que compreende a importância de não haver posição de superioridade entre homem e mulher. O feminista tem suas ações voltadas para a conquista ou afirmação da igualdade. Feminista é uma pessoa com toda a magnificência da palavra.
 
Antigamente, as mulheres eram vistas como seres inferiores aos homens, e por isso não possuíam os mesmos privilégios como, por exemplo, o direito de ler, escrever, estudar, guerrear, escolher. Aos poucos o cenário foi mudando, mas ainda há certa desigualdade com relação a estas mesmas ações. Em um conceito simples e didático, o feminismo existe para que as mulheres façam o que tenham vontade de fazer.
 
A humanidade passou tanto tempo imbuída em ideias construídas com a superioridade do macho sobre a fêmea que nem percebeu de onde saíram certas regras sociais. Por exemplo: com o passar dos anos, a roupa de banho dos homens e das mulheres foram mudando, mas ainda hoje a “regra” predominante é que somente o homem pode ficar com o peito descoberto. E pode fazer isso não só na praia, mas no seu condomínio, na rua, etc. Já a mulher deve cobrir-se. Posso garantir que essa regra social não teve nascedouro feminino.
 
O feminismo é um movimento em direção à igualdade dos gêneros masculino e feminino.
 
A luta por essa igualdade não é recente. No ano de 1789, época da Revolução Francesa, foi escrita a “Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão”. Mas em 1971 uma feminista corajosa (pleonasmo, claro) chamada Olympe de Gouges escreveu a “Declaração dos Direitos da Mulher e da Cidadã”. No documento, ela criticava a Declaração da Revolução e alertava para a autoridade masculina e para a importância das mulheres e da igualdade de direitos. Tanta ousadia lhe custou a vida. Ela foi executada em Paris, no ano de 1793, mas sua morte estimulou diversos movimentos feministas posteriores.
Na prática, ainda há desigualdade, como a disparidade nos salários, a pouca inserção no meio político, o feminicídio, o assédio sexual e a cultura do estupro.
 
O movimento feminista espera ansioso pelo seu fim, pela sua dispensa. Almeja alcançar a igualdade plena de direitos e do exercício desses. Enquanto isso, continua sua busca pela igualdade de gêneros e não pela superioridade das mulheres.