Da Galiza/Espanha, a experiência educacional em tempos de pandemia

04/09/2020

Por: Andrezza Tavares (IFRN) & Bento Silva (UMinho)
Foto: Profa. Dra. Silvia López Larrosa (da Universidade da Corunha)

 

Entrevista Internacional com Silvia López Larrosa: “Da Galiza/Espanha, A experiência educacional em tempos de pandemia”

Entrevista internacional concedida por Silvia López Larrosa ao portal de jornalismo Potiguar Notícias. A entrevistada é professora titular do Departamento de Psicología da Faculdade de Ciências de la Educação da Universidade da Corunha, na Espanha.  Integra o  “Grupo de investigación Intervención psicosocial y rehabilitación funcional”, na linha de investigação “Famila, procesos familiares (conflicto familiar e impacto en los hijos), relación familia-escuela e intervención familiar”. É autora de diversas publicações, entre os quais se salientam os livros “La relación familia-escuela: Guía práctica para profesionales” e “Programa MUPO: Mentes Únicas. Programas para la mejora socioemocional de las dificultades de aprendizaje”. Nesta entrevista, a professora realça a importância da escola perceber o aspecto emocional dos estudantes impactados pelo vírus, sobre os desafios enfrentados pelos responsáveis por estudantes e os professores, refletindo, ainda, sobre a centralidade que ocupa a formação de professores para enfrentar os desafios educacionais impostos pela conjuntura com implicação direta na reconfiguração do ensino, terminando com o apontar de contributos para que o próximo ano letivo, a começar em meados do mês setembro, decorra sem atalhos dentro da nova normalidade imposta pela Covid.

1. Para ponto de partida desta entrevista, sobre a experiência educacional na Espanha em tempos de pandemia, considera que é possível compreendê-la como um movimento uniforme ou diversificado?

Qualquer um concordaria comigo que falar sobre a experiência educacional na Espanha em tempos de pandemia como se houvesse uma única experiência é impossível. As respostas são tantas quantas os diferentes alunos, famílias e centros, todos condicionados por várias variáveis ​​dos próprios centros, como a sua organização, a liderança das suas equipas de gestão, as características dos professores ou a disponibilidade de meios tecnológicos, entre tantas outras variáveis ​​como a gravidade com a qual a pandemia afetou várias comunidades.

2. Considera que no tempo pandêmico a aprendizagem e o desenvolvimento dos estudantes ocorreu de modo uniforme ou o fator emocional deve ser considerado?

Pode haver uma hipotética igualdade de condições entre dois centros com direção e professorado com igual grau implicação e disponibilidade de meios, mas não acredito que uma criança em cuja família o vírus feriu alguém, tenha aprendido e se desenvolvido igualmente àquela que não sofreu com esta experiência. Muito difícil a experiência de avançar durante o confinamento em cujo prédio aquele avô ou aquele vizinho que eu via todos os dias, agora está internado ou morreu e nunca mais o verá. Por isso, partindo desta enorme diversidade, entendo que nos devemos centrar nos ingredientes que considero chave no âmbito escolar e no macro-escolar.

3. E que ingredientes são esses, em relação às atividades do ambiente escolar, tidos em conta em Espanha durante o tempo pandêmico?

No ambiente escolar, uma das chaves foi a adoção de medidas que combinem a segurança física dos alunos e dos profissionais envolvidos de uma forma ou de outra na educação com a vida familiar e o uso de tecnologias. Por exemplo, na primeira onda do vírus na Espanha, o confinamento foi imposto. Por isso, o ano letivo acabou para praticamente todos em casa. Isso colocou à prova a capacidade dos centros de se adaptarem em muito pouco tempo ao ensino a distância. Essa adaptação, mesmo no mesmo centro, impôs desafios diferentes dependendo do nível de escolaridade. Não é a mesma coisa formar alunos menores à distância, por exemplo, que estavam começando a ler e escrever, do que alunos acostumados a trabalhar com maior autonomia e acostumados a usar as novas tecnologias. Alguns pais de alunos que estavam começando a ler tiveram que ser capazes de seguir com as instruções dos professores de seus filhos para avançar educacionalmente com eles, outros tiveram uma ligação com os professores de seus filhos para que eles pudessem ter aulas a distância e outros tiveram que administrar o desperdício de tempo educacional importante para seus filhos.

Para isso, foi essencial o papel da gestão, a disposição dos professores e o envolvimento das famílias. Recordemos que a maioria dos pais teve que ajustar sua vida profissional em casa com o cuidado de seus filhos. Algumas famílias teriam dispositivos para cada filho/a e para que os pais pudessem trabalhar e outras não e tiveram que distribuí-los, revezar-se ou adquirir, se a renda e a conexão com a internet permitissem, tecnologia compatível com docência a distância e o trabalho a distância.

4. Que aspetos ressalta sobre os desafios enfrentados pelas escolas e pelos professores com relação às atividades educativas?

Mesmo os centros que estavam acostumados a usar as novas tecnologias com seus alunos para as suas aulas, tiveram que fazer ajustes importantes nos horários para ministrar as aulas, tiveram que planejar como o conteúdo seria ministrado e como seria monitorada a aquisição de competências e conhecimentos. E isso, se nos concentrarmos em questões puramente acadêmicas. Além disso, se os professores continuassem a assumir sua função de tutoria, eles teriam que ter tempo para conversar com seus alunos para descobrir como eles estavam, o que precisavam, como estavam se organizando, como se sentiam, o que entendiam e o que estava faltando na situação, ou seja, atender não só aos aspectos acadêmicos e organizacionais, mas também aos emocionais, à integridade de seus alunos. Por outro lado, em alguns centros, devido à localização geográfica, alguns alunos não possuíam tecnologia para a formação a distância. Em alguns, a direção do centro ou os professores, a título privado, encarregavam-se de enviar aos alunos atividades, trabalhos, indicações ou sugestões.

5. E sobre os ingredientes macro-escolares que aspetos ressalta dentre os que foram tidos em conta em Espanha durante o tempo pandêmico?

Os elementos a nivel escolar nos dão pistas sobre os elementos macro-escolares. Um dos ingredientes da macroescola diz respeito à formação de professores para enfrentar os desafios educacionais impostos pela conjuntura e que implicam na reconfiguração do ensino, portanto, na formação em novas tecnologias para uso educativo, e na sua função tutorial é considerar as necessidades emocionais e não apenas as educativas de seus alunos. Outro ingrediente é a capacitação dos diretores dos centros para gerir seus recursos humanos e materiais para responder a um cenário de incertezas. Para isso, é fundamental ouvir as contribuições de colegas, alunos e familiares. Por fim, outro elemento macro-escolar é o aprimoramento das conexões digitais.

6. Em seu entender, para terminarmos esta entrevista, que pontos frágeis e fortes foram revelados nesta experência educativa, durante este tempo pandêmico na Galiza/ Espanha, de modo a se retirar algumas lições para o próximo ano letivo a iniciar em meados do mês de setembro?

Esta situação mostrou as nossas fragilidades e os nossos pontos fortes e é o momento de aproveitar esta aprendizagm para enfrentar o novo ano letivo sem problemas, de modo que, ainda que de forma diferente, nossos meninos e meninas continuem aprendendo como alunos e como pessoas, respeitando as novas normas de convivência que implicam distância física para evitar contágios, higiene extrema e uso de máscara.

O início do ano letivo na Espanha pode variar dependendo da comunidade autônoma. Em alguns casos, é considerada uma assistência intermitente, percebida como pouco compatível com a organização familiar. Em outras, optam pela presença. Em qualquer caso, é necessário adotar espaços para garantir a distância de segurança, criar protocolos e responsabilidades ​​e definir medidas em caso de contágio ou suspeitas. E estar preparado para um possível recrudescimento dos contágios que podem exigir o retorno ao ensino a distância, haja ou não confinamento para a população em geral.

É aqui que a formação no uso educativo das novas tecnologias e a formação para atender às necessidades emocionais assumem todo o seu sentido. E também a necessidade de combinar a segurança de crianças e jovens com a realidade das famílias. Neste caso, a aposta na melhoria das ligações será um bom contributo.

 

Nota: Esta entrevista publicada no Portal de Jornalismo Potiguar Notícias integra o repertório de publicações do Projeto pluri-institucional intitulado “Diálogos sobre Capital Cultural e Práxis do Instituto Federal do Rio Grande do Norte (IFRN) - IV EDIÇÃO”. O Projeto, vinculado à Diretoria de Extensão (DIREX) do campus IFRN Natal Central e ao Programa de Pós-Graduação Acadêmica em Educação Profissional PPGEP do IFRN, articula práxis do campo epistêmico da Educação a partir de atividades de ensino, pesquisa, extensão, inovação e internacionalização com o campo da comunicação social a partir da dinâmica de produções jornalísticas por meio de diversos canais de diálogo social como: portal de jornal eletrônico, TV web, TV aberta, rádio e redes sociais. O objetivo do referido Projeto de Extensão do IFRN é socializar ideias e práxis colaboradoras da educação de qualidade social, de desenvolvimento humano e social por meio da veiculação de notícias em dispositivos de amplo alcance e difusão de comunicação social. Para mais informações sobre o Projeto contacte a coordenadora: andrezza.tavares@ifrn.edu.br.  

 

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No original, em espanhol

 

La experiencia educativa en tiempos de pandemia

Cualquiera coincidiría conmigo en que hablar de la experiencia educativa en España en tiempos de pandemia como si hubiese una única experiencia es imposible. Hay tantas respuestas como alumnos, familias y centros diferentes, todo ello condicionado por diversas variables de los propios centros como su organización, el liderazgo de sus equipos directivos, las características de los docentes o la disponibilidad de medios tecnológicos, y de otras variables como la dureza con la que la pandemia ha afectado a diversas comunidades.

A hipotética igualdad de condiciones entre dos centros con dirección y profesorado igual de implicado, y disponibilidad de medios, no creo que sea lo mismo lo que pueda aprender o avanzar durante el confinamiento un niño o niña en cuya familia el virus ha hecho daño a alguien querido o en cuyo edificio sepa que aquel abuelo o aquella vecina que antes veía todos los días, ahora está ingresado  o se ha muerto y no volverá a verlo más. Por tanto, partiendo de esta enorme diversidad, me centraré en los ingredientes que considero claves en el ámbito escolar y en el macro-escolar.

En el ámbito escolar una clave es la adopción de medidas en la que se combine la seguridad física del alumnado y de los profesionales implicados de una u otra forma en la educación con la vida familiar y el uso de las tecnologías. Por ejemplo, en la primera oleada del virus en España, se impuso el confinamiento. Por ello, el curso escolar terminó prácticamente para todos en sus casas. Esto puso a prueba la capacidad de los centros de adaptarse en un tiempo muy breve a la docencia a distancia. Esta adaptación, incluso en un mismo centro, impuso retos diferentes según el nivel educativo. No es lo mismo formar a distancia a alumnado más pequeño, por ejemplo, que estaba iniciándose en la lecto-escritura, que a alumnado habituado a trabajar de manera más autónoma y acostumbrado a usar las nuevas tecnologías. Algunos progenitores de alumnos que empezaban a leer habrán podido seguir las indicaciones de los docentes de sus hijos para avanzar educativamente con ellos, otros habrán contado con conexión con los docentes de sus hijos para que pudiesen tener clase a distancia y otros habrán tenido que arreglárselas como han podido para no perder un tiempo educativo clave para sus hijos. Para ello, fue esencial el papel de la dirección, la disposición de los docentes y la implicación de las familias. Recordemos que la mayoría de los padres tuvieron que ajustar su vida laboral desde casa con la atención a sus hijos. Algunas familias contarían con dispositivos para cada hijo/a y para que los padres pudiesen trabajar y otros no y habrán tenido que repartírselos, turnarse o adquirir, si sus ingresos y sus conexiones a internet se lo permitían, tecnología compatible con la docencia a distancia y el trabajo a distancia.

Incluso los centros que estaban habituados a utilizar las nuevas tecnologías con sus alumnos para sus clases, tuvieron que realizar importantes ajustes en los horarios para impartir las clases, tuvieron que planificar cómo se impartirían los contenidos, y cómo se haría el seguimiento de la adquisición de competencias y conocimientos. Y esto, si nos centramos en cuestiones puramente académicas. Además, si los docentes seguían asumiendo su función tutorial, habrán tenido que disponer de tiempo para hablar con sus alumnos para saber cómo estaban, qué necesitaban, cómo se estaban organizando, cómo se sentían, qué entendían y qué se les escapaba de la situación, etc, esto es, atender no solo a lo académico y organizativo sino a lo emocional, a la integridad de su alumnado. Por otro lado, en algunos centros, por su situación geográfica, algunos alumnos no contaban con tecnología para la formación a distancia. En algunos, la dirección del centro o los docentes a título particular, se ocuparon de hacer llegar a su alumnado actividades, trabajos, indicaciones o sugerencias.

Los elementos a nivel escolar nos dan pistas sobre los elementos macro-escolares. Uno de los ingredientes macro escolares tiene que ver con la formación de los docentes para hacer frente a los retos educativos impuestos por la situación y que implican la reconfiguración de la docencia, por tanto, la formación en nuevas tecnologías para su uso educativo, y en su función tutorial para considerar las necesidades emocionales y no solo las educativas de sus alumnos. Otro ingrediente es la formación de los directores de los centros para realizar una gestión de sus recursos humanos y materiales que permita responder a un escenario incierto. Para lo cual es esencial escuchar las aportaciones de los compañeros, del alumnado y las familias. Finalmente, otro elemento macro-escolar es la mejora de las conexiones digitales.

Esta situación ha mostrado nuestras carencias y nuestras fortalezas y es el momento de aprovechar este aprendizaje para afrontar el nuevo curso escolar sin atajos, de modo que, aunque sea de un modo diferente, nuestros niños y niñas sigan aprendiendo como alumnos y como personas, respetando las nuevas normas de convivencia que implican distancia física para evitar los contagios, extremar la higiene, y el uso de mascarilla.

El comienzo del curso en España puede variar según la comunidad autónoma. En algunas se baraja una asistencia intermitente, que se percibe como poco compatible con la organización familiar. En otras se opta por la presencialidad. En cualquier caso, se hace necesario adoptar espacios para asegurar la distancia de seguridad, crear protocolos y responsables y fijar medidas en caso de contagio o sospechas. Y estar preparados para un posible recrudecimiento de los contagios que pueda exigir un regreso a la docencia a distancia haya o no confinamiento para la población general.

Es aquí donde la formación en el uso educativo de las nuevas tecnologías, y la formación para atender las necesidades emocionales cobra todo su sentido. Pero también, donde la necesidad de combinar la seguridad de niños y mayores se debe conjugar con la realidad de las familias. Y donde la apuesta por la mejora de las conexiones será una buena apuesta.

Fonte: Profa. Dra. Silvia López Larrosa (da Universidade da Corunha)