Dia do Professor: Nada a temer senão o correr da luta

15/10/2019

Por: Kalina Paiva
 
Pertenço a uma família de educadores. Ainda criança, mesmo sem entender direito o que há por trás da falta de investimento em educação, ouvia minha mãe em diálogos com uma das minhas tias. Elas falavam sobre as dificuldades da sala de aula. Minha mãe lecionava para jovens e adultos. Ela foi a minha primeira professora com o seu exemplo.
 
Fui auxiliar na escola em que ela era diretora. Digamos que transitei em todos os níveis de ensino: da educação infantil à pós-graduação.
 
Além da minha mãe, tive professores incríveis na ETFRN. Voltar a essa casa de ensino, pesquisa e extensão como professora era um desejo antigo. Saí do Ensino Médio, dizendo: "Um dia, ainda volto para cá!" 
 
Assim como os meus colegas de trabalho do IFRN, não uso capas, mas me considero uma heroína. Além da dedicação exclusiva na Instituição, educo/crio um filho (tenho ajuda das minhas mãe e irmãs) de 5 anos e tenho que lidar com os mais velhos.
 
Fora isso, vejo o presidente do meu país atacar minha categoria, como se fôssemos inimigos número 1 do Brasil.
 
Em virtude de vários fatores, vejo colegas adoecendo, pois suas esperanças são minadas por canetadas, falta de compromisso com o povo brasileiro e desrespeito à nossa categoria.
 
Sabendo que o IFRN tem um compromisso social, como vocês acham que nos sentimos quando uma bolsa de um aluno (aquele aluno que vem do interior, de um assentamento, que acorda às 3h da manhã para estar na Instituição às 7h) é cortada? É pouco o valor? É, mas faz diferença para mantê-lo estudando.
 
A sociedade que nos critica (e não conhece de perto o nosso trabalho), que afirma ser a escola um espaço de doutrinação é a mesma que relega a nós e à Internet a educação dos filhos. Não, senhoras e senhores, além de dar aulas, nós salvamos vidas! Adoecemos, pois existem situações que chegam até nós de forma bem complexa, em instâncias que nem nos dizem respeito. Mas abraçamos a causa.
 
"Nada a temer senão o correr da luta
Nada a fazer senão esquecer o medo, medo
Abrir o peito a força, numa procura
Fugir às armadilhas da mata escura"
 
Queremos o melhor e damos o sangue por isso. Não nos rotulem. Respeitem! Somos melhores que o super homem e a mulher maravilha juntos.
 
A criptonita não enfraquece um professor que tem que cruzar uma chuva de balas, quer sejam reais (como as de Witzel), quer sejam ideológicas (Lei da Mordaça aprovada em BH ontem), para dar aulas aos alunos das comunidades do Rio.
 
Talvez, vocês não tenham ideia da força que move um professor.
 
Feliz dia a todas as colegas e todos os colegas com quem tive a imensa satisfação de partilhar cafés, conhecimento, metodologias (quando os livros de metodologia falharam!) e produtos da natura. Hahaha
 
Não me construí sozinha.
 
Resistiremos.