Carlos Maia: "Parlamentar tem que ter a sensibilidade de ouvir o clamor do povo"

18/02/2015

Por: José Pinto Junior
O programa Conexão Potiguar entrevistou o deputado estadual Carlos Augusto Maia (PT do B), na ocasião ele falou sobre as metas do seu mandato como deputado estadual recém-empossado, e também comentou sobre a relação entre o deputado estadual José Dias (PSD) e governador Robinson Faria (PSD).
 
O Sr. chegou na Assembleia Legislativa no meio de um embrólio, onde pra eleger o presidente da casa houve o rompimento com José Dias, da base de sustentação do governo Robinson. Nos conte o que você viu, como foi essa briga?
Realmente o RN pode acompanhar, acho que nos últimos vinte anos não havia uma disputa como se desenhava na Casa, então eu já cheguei num clima de disputa. Felizmente já tinha externado meu voto em Ezequiel Ferreira, porque eu venho de uma eleição com espírito de mudança. Então, eu defendi todo o tempo na campanha que era mudança, eu estava em uma coligação que representava mudança no RN, defendi o governo Robinson porque era mudança no RN. Todos os poderes depois da eleição alternaram. Houve alternância de poder, e eu não poderia trair a minha consciência e o meu estilo de defesa, então eu externei meu posicionamento com Ezequiel Ferreira. E recebi o convite que me deixou muito feliz em participar da Mesa Diretora. Não é costume você chegar em uma Casa Legislativa, um jovem parlamentar, e já compor a mesa diretora.
 
E qual cargo o Sr. ocupa?
O cargo de 4° secretário, então eu faço a composição da atual Mesa. Fiquei muito feliz porque, como eu já disse antes, cheguei já assumindo uma importante função na Casa Legislativa
 
Qual vai ser o foco do seu mandato?
Algumas demandas naturais que me levaram àquela Casa de forma natural mesmo, espontânea, será meu objeto de defesa, por exemplo a questão do turismo. Até porque eu venho da cidade de Parnamirim que é uma cidade atrativa, temos o maior cajueiro do mundo, temos Pirangi, então o turismo hoje passa por aquele setor, logo, naturalmente vou ser levado ao turismo. Mas, eu tenho algumas bandeiras de lutas como as pessoas com necessidades especiais, porque tenho um trabalho como advogado nessa área, então vamos fazer um enfoque também nesse sentido. Mas, eu tenho dito que não vou ser um deputado de uma bandeira. Acredito que um parlamentar tem que ter a sensibilidade de ouvir o clamor do povo, o que tem de mais urgente, o que tem de eminente, o que precisa de intervenção estatal, onde é que precisa atuar, onde é que precisa que um parlamentar faça defesa, onde o precisa que o parlamentar fiscalize. Eu tenho uma tradição política da cidade de Parnamirim, mas um dos grandes problemas que Estado está enfrentando hoje é a questão da seca. Então, eu não posso virar os olhos e não enxergar o clamor da população das cidades do interior do RN, um parlamentar  tem que ter essa sensibilidade. Peço a Deus que me dê a sensibilidade de conseguir reconhecer as demandas mais urgentes da sociedade potiguar. Se você me perguntar, se vou defender a Segurança, vou defender sim, é um problema a nível de RN e a nível de Brasil, sabemos muito bem disso. Questão da Saúde Pública. Peço a Deus que mê iluminação para ouvir os clamores das necessidades do povo.  E hoje o que está sendo a necessidade do povo é a questão das políticas públicas voltadas para o convívio com a seca. Um fenômeno natural e climático que não pode ser combatido, mas melhorado à convivência.
 
Uma das principais questões aqui da Região Metropolitana que é reclame por parte da população diz respeito à regularização fundiária. Qual o seu olhar sobre isso?
Isso é um tema que tem uma repercussão social muito grande. É um tema que o Poder Público tem que ter interesse em resolver, porque quem está passando por uma situação dessas que, muitas vezes, já existe até um conflito que chegou no Judiciário e que muitas vezes o cidadão não tem como arcar com as despesas que são necessárias para resolver o problema, por exemplo, na escritura pública de sua casa que vai dar segurança ao cidadão em ter a aquele imóvel que muitas vezes ele passa a vida todinha trabalhando para conseguir,  mas não tem o registro. Então, o Poder Público tem que incentivar e adotar políticas nesse sentido. Como vereador em Parnamirim tive a oportunidade de fazer um estudo e desenvolver um projeto que o Poder Público faria isso com os novos instrumentos que a Legislação coloca a disposição como os capitais administrativos que o próprio Poder Público vai fazer. Vou levar pra Assembleia Legislativa essa experiência que eu tive para que eu possa dar um incentivo aos colegas que chegam ao gabinete. O Estado tem um problema gravíssimo também na regularização rural e a regularização dos imóveis públicos. Vou dar um exemplo: na cidade de Parnamirim a Escola Municipal Presidente Roosevelt, eu estava conversando com o diretor e ele disse que ano passado conseguiu uma verba pra fazer um projeto na escola, mas teve que devolver o recurso porque pra fazer o processo administrativo pra instruir o projeto, era necessária uma documentação da escola, mas ele não conseguiu porque a escola legalmente não existe.
 
Essa briga de Zé Dias é pra valer? É um factoide, Zé Dias e Robinson já voltaram a conversar? Como é que o Sr. tem acompanhado isso?
Eu não sei, mas o deputado José Dias e o governador Robinson são grandes amigos, então esse pronunciamento que Zé Dias fez na Assembleia eu acho que terão como concordar, porque como qualquer amizade às vezes você passa por momentos difíceis, eu não posso dizer as questões pessoais envolvidas. O que eu posso dizer é que votei com convicção, inclusive já justifiquei até o voto no Ezequiel Ferreira, porque representa a mudança, não foi a pedido do governador, eu sou fiel ao governador, mas ele não chegou a pedir pra mim, até porque já tínhamos reunido toda a base do governo e externado como nos iriamos nos posicionar. Então não participei da votação do empréstimo e da junção dos fundos, mas eu creio, como o deputado Gustavo Carvalho falou lá, o voto dele não tinha a mínima vinculação com o empréstimo. Eu sei que  não teve a repercussão esperada porque depois do discurso do deputado José Dias, George Soares fez o aparte e disse também que não votaria em Ricardo porque tem algumas questões pessoais com Ricardo.

Fonte: Potiguar Notícias (Ed. 569)