Cefas Carvalho

23/09/2020
 
Sobre o Dia Estadual da Visibilidade Lésbica. Sobre amor. E sobre pobreza de espírito
 
 
Sancionado pela governadora Fátima Bezerra nesta terça, 22, projeto da deputada Isolda Dantas que cria o Dia Estadual da Visibilidade Lésbica, acabou gerando polêmica e reações explosivas. Não deveria, claro. Trata-se de uma data de registrar e cobrar respeito, tolerância e cidadania. Curiosamente, no mesmo dia a minha filha Ananda celebrava os dois anos namoro postando nas redes fotos lindas com a namorada em lugares aprazíveis do Rio de Janeiro.
 
Sobre a criação da data, imediatamente blogs potiguares divulgaram a notícia em tom de chacota, com aquela ironia bem típica da masculinidade tóxica. Foi o bastante para os comentaristas de portais e o tribunal dsa redes sociais também zombarem da data. Alguns partiram para a ofensa e palavras chulas, canalhice mesmo. Fora a já esperada pobreza de espírito. 
 
Até mesmo o filho do presidente Bolsonaro, Carluxo, chamado de 02, saiu de sua inoperância como vereador do Rio de Janeiro e de sua mediocridade nas redes sociais para criticar Fátima Bezerra. Que demônios devem residir na alma desta criatura para ele voltar suas atenções para o que o Governo do RN sanciona ou não e o que ele tem a ver com as lésbicas potiguares? 
 
Na Assembléia do RN, o deputado Albert Dickson, imbuído da já citada aqui masculinidade tóxica, propôs, e que quero crer que por zombaria e não a sério, a criação do Dia da Visibilidade Héterossexual. Como se os heterossexuais precisassem de visibilidade, não é deputado? Em que Mundo vivem os homens héteros que querem ainda mais espaço para os heterossexuais que ditam a narrativa histórica e o poder há milhares de anos?
 
Na verdade, não precisa se estudar sociologia ou psicologia para deduzir que o desejo dessa gente toda é justamente de invisibilizar as lésbicas. Tornar invisíveis todos os LGBTQI+ de maneira que não "agridam" o mundo deles.
 
Em meio a tudo isso, aos comentários toscos, à pobreza de espírito de tanta gente voltei a olhar as fotos de Ananda e a namorada. Lindas, plenas, donas delas mesma e com um futuro pela frente, queiram os homofóbicos ou não. Dizem que o amor a tudo vence. Não sei. Mas diante do ódio, do preconceito, da mediocridade, ficarei com o amor