Cefas Carvalho

22/07/2020
 
Fundeb é aprovado e mantido, apesar do (des)governo e dos canalhas de plantão
 
 
Há tempos eu planejava escrever sobre a questão do Fundeb (Fundo de Desenvolvimento e Valorização dos Profissionais da Educação) , mas deixei para o dia em que fosse à votação na Câmara, o que aconteceu hoje. Parte da minha reticência tinha a ver com a estupefação dos planos do (des)governo para o Fundo (remanejá-lo, o que na prática, deixaria a Educação abandonada e sem recursos) e mais ainda como parcela da sociedade se posicionou "contra o Fundeb".
 
Para quem não sabe exatamente, trata-se de um fundo nacional composto por 27 fundos (26 estaduais e 1 do Distrito Federal) que serve como mecanismo de redistribuição de recursos para a educação básica. É o cofre de onde sai o dinheiro para valorizar os professores e manter a educação básica, ou seja, fazer as escolas públicas funcionarem.
 
Nesta terça, a Câmara aprovou o texto-base do novo Fundeb, com 499 votos favoráveis e apenas sete contrários. Na prática, uma derrota do (des)governo. E uma vitória da Educação.
 
Voltando a quem ficou contra a aprovação do Fundo, trata-se de mais uma desonestidade intelectual da chamada "área ideológica" do Governo, uma espécie de "balaio de gatos" que junta o Gabinete do Ódio de Carluxo, os terraplanistas, os discípulos do astrólogo Olavo de Carvalho e mais uns picaretas e doidos, ou ambos. 
 
Para esse pessoal, Fundeb é de "Esquerda", logo, deve ser combatido e/ou eliminado. Educação para eles é uma espécie de campo de batalha da tal "guerra cultural", um conceito de Olavo para ganhar seguidores e dinheiro mas que não sobrevive à prática de quem se aventure a passar um dia em uma escola pública.
 
Pois é, o Fundeb não serve para forjar militantes stalinistas mas para complementar o piso salarial dos professores e adquirir material básico, incluindo aí de café para professores e funcionários a papel higiênico.
 
Ers isso que os alucinados queriam retirar da Educação e da população. Algo tão canalha e bizarro que nem PSL, DEM, Centrão, partidos que historicamente não tem lá muita simpatia por questões educacionais, votaram em peso pelo Fundeb. 
 
Ah, claro que nas redes sociais os marqueteiros bolsonaristas fizeram campanha contra o Fundo. Nenhuma surpresa.
 
E como registro, segue aqui a lista das únicas sete criaturas com mandatos de parlamentares que votaram contra o Fundeb. Que a vida tenha com eles o apreço que eles tem pela Educação:
 
Chris Tonietto (PSL-RJ)
Filipe Barros (PSL-PR)
Junio Amaral (PSL-MG)
Luiz Philippe d'Orleans e Bragança (PSL-SP)
Márcio Labre (PSL-RJ)
Paulo Martins (PSC-PR)
Bia Kicis (PSL-DF)