Poluição causa mais mortes que Covid; para especialista da ONU, ação é necessária com urgência

15/02/2022


Foto: Divulgação

 

Em todo o mundo, a poluição por estados e empresas está contribuindo para mais mortes do que a Covid. É o que indica um relatório ambiental da Organização das Nações Unidas (ONU) publicado nesta terça-feira (15), que pede “ação imediata e ambiciosa” para banir alguns produtos químicos tóxicos.

O relatório informa que a poluição por pesticidas, plásticos e lixo eletrônico é responsável por generalizadas violações dos direitos humanos, bem como pelo menos 9 milhões de mortes prematuras por ano, e que o problema está sendo amplamente ignorado. Para se ter ideia do que representa o número, a pandemia do coronavírus causou quase 6 milhões de mortes – ou seja, 1/3 a menos –, de acordo com o compilador de dados Worldometer.

“As abordagens atuais para gerenciar os riscos representados pela poluição e substâncias tóxicas estão claramente fracassando, resultando em violações generalizadas do direito a um ambiente limpo, saudável e sustentável”, afirmou o autor do documento, o relator especial da ONU David Boyd.

O relatório será apresentado ao Conselho de Direitos Humanos da ONU no próximo mês, pedindo a proibição de perfluoroalquil e polifluoroalquil – substâncias artificiais utilizadas em produtos domésticos, como panelas antiaderentes. Essas substâncias têm sido associadas ao câncer e foram apelidadas de “produtos químicos eternos”, visto que não se decompõem facilmente.

O documento recomenda ainda a limpeza dos locais poluídos considerando, em casos extremos, realocar as comunidades afetadas – muitas delas pobres, marginalizadas e indígenas – das chamadas “zonas de sacrifício”.

A chefe de direitos humanos da ONU, Michelle Bachelet, chamou as ameaças ambientais de “o maior desafio de direitos globais”. Um número crescente de casos de justiça climática está invocando os direitos humanos com sucesso.