Após agressão à mulher trans, homem é preso na Zona Norte de Natal

06/12/2021

Por: Otávio Albuquerque
Foto: Lucas Cortez

 

Neste domingo (05), a Polícia Civil prendeu em Natal o homem que agrediu uma trabalhadora trans. O agressor, cujo nome não foi revelado, tem 32 anos e foi detido em casa, na Zona Norte da capital. O crime, o qual foi registrado por uma câmera de segurança, aconteceu na última terça-feira (30), enquanto a vítima distribuía panfletos no centro da cidade.


Apesar do ataque a socos à mulher trans, cujo nome é Luara Beyts, o agressor foi posto em liberdade depois de prestar depoimento na delegacia. No entanto, no momento em que a polícia recebeu a informação de que o homem voltou à loja onde a vítima trabalha para promover novas ameaças à sua integridade física e de seus colegas, a justiça determinou sua prisão preventiva. Laura, que sofreu ferimentos no nariz, já havia, inclusive, relatado o medo de sofrer outros ataques.


Em sua decisão, o juiz Jessé de Andrade Alexandria argumentou que, diante das novas ameaças do criminoso, ficou evidente a necessidade de se estabelecer a prisão preventiva do homem, visando a manutenção da ordem pública. 


"No caso, os indícios mínimos de autoria e a prova da materialidade estão demonstradas, sobretudo pela imagem em vídeo constante nos autos, depoimento da vítima, testemunhas, além de boletim de atendimento médico. Com relação aos requisitos autorizadores da custódia cautelar, impõe-se a medida para garantia da ordem pública, notadamente pelo fato de que o investigado retornou a localidade do ocorrido, tendo ameaçado com gestos outros empregados da empresa em que a vítima trabalha", registrou o juiz na sua resolução. 


Ainda de acordo com o magistrado, sua decisão levou em consideração práticas criminosas pregressas do agressor, como consumo de drogas e “satisfação de lascívia mediante presença de criança ou adolescente”. Segundo a Polícia Civil, o caso se configura como "prática de lesões de natureza grave e condutas homofóbicas", as quais são previstas legalmente como crimes de racismo.