O melhor sistema político-partidário e eleitoral do Mundo

28/09/2021

Por: CLÁUDIO DE OLIVEIRA
 
 
Hoje os alemães vão às urnas escolher quem sucederá Angela Merkel na liderança do país. No sistema eleitoral da Alemanha, o partido que fizer o maior número de deputados tem o direito de indicar o primeiro-ministro, que é quem chefia o governo.
 
Porém, essa condição não é suficiente. O partido que conseguir o maior número de deputados precisa obter o apoio da maioria deles.
 
Pelas pesquisas de opinião (veja gráfico publicado pelo jornal Valor Econômico), nenhum partido conquistará individualmente a maioria das cadeiras do Bundestag, o parlamento alemão, o que obrigará, mais uma vez, a formação de um governo de aliança com outros partidos. 
 
Atualmente, Angela Merkel governa numa coalizão dos dois partidos historicamente rivais: o seu partido, a CDU, uma agremiação liberal-democrática de centro-direita, e o SPD, o Partido Social Democrata, de centro-esquerda.
 
No parlamento alemão só há seis partidos representados graças à cláusula de desempenho de 5%. Partidos que obtiverem índice de representatividade inferior aos 5% não têm direito a entrar no Bundestag.
 
O sistema eleitoral alemão é distrital misto. O eleitor tem direito a dar dois votos. Ele vota no candidato do seu distrito e depois dá um voto no partido de sua preferência.
 
No Bundestag, metade das cadeiras é preenchida pelos deputados vitoriosos nos distritos. A outra metade é preenchida proporcionalmente ao número de votos obtido por cada partido. Os eleitos nessa metade são aqueles candidatos apresentados em listas partidárias aprovadas nas convenções partidárias.
 
Mais uma vez, SPD E CDU serão os partidos com maior número de votos. Estão empatados com cerca de 25% dos votos cada.
 
Para formar um novo governo, eles terão de conversar com os partidos medios como os Verdes, que deve obter 15% dos votos, o FDP, um partido democrático-liberal centrista, que deve conquistar cerca de 11% de apoios, e A Esquerda, que deve conquistar 6,5% dos votos.
 
O partido nacionalista de extrema-direita, a AfD, deve obter 11%, porém deve continuar isolado, com os demais partidos guardando distancia dele. A AfD tem o apoio de grupos neonazistas, é majoritariamente negacionista da crise do clima e contra a participação da Alemanha na União Europeia.
 
Ao que tudo indica, será necessária a coalizão de três partidos para formar uma maioria. Os analistas não arriscam qual coalizão será formada. Possivelmente uma combinação de três dos quatro principais partidos: SPD, CDU, Verdes e FDP. 
 
Negociação entre os eles estão previstas nas próximas semanas. Dois temas especialmente dividem ou aproximam os partidos: as medidas que cada um propõe para resolver a crise do clima e a questão da imigração. Também as propostas para manter o crescimento econômico e o sistema de proteção social alemão são motivos de divergências entre eles.
 
Apesar de cada partido possuir líderes expressivos, o sistema político-partidário e eleitoral alemão gira em torno dos partidos, fortalecendo esses pilares fundamentais da democracia representativa. Ao meu ver, esse é o melhor sistema político-partidário e eleitoral do mundo. As pessoas passam, as instituições do país ficam.
 
* Jornalista e cartunista do jornal Agora São Paulo e autor dos livros ERA UMA VEZ EM PRAGA – Um brasileiro na Revolução de Veludo e LÊNIN, MARTOV A REVOLUÇÃO RUSSA E O BRASIL, entre outros.