Correios será privatizado em 100% em um único leilão; Entenda o papel da estatal

06/07/2021

Por: Jessyanne Bezerra
Foto: Reprodução

 

O governo já definiu o modelo de privatização dos Correios. A proposta que o Ministério da Economia quer ver aprovada pela Câmara dos Deputados já na semana que vem prevê que a União se desfaça de 100% do capital da empresa.

A informação foi dada ao GLOBO pelo secretário especial de Desestatização, Desinvestimento e Mercados do Ministério da Economia, Diogo Mac Cord.

Após conseguir aprovar a privatização da Eletrobrás, o governo quer votar logo na Câmara o projeto de lei de privatização dos Correios. A ideia é fazer isso entre 12 e 15 de julho, antes do recesso parlamentar. Segundo o líder do governo na Câmara, Ricardo Barros (PP-PR), o relatório do deputado Gil Cutrim (Republicanos-MA) está pronto e há acordo com o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), para a votação na última semana antes do recesso.

A proposta cria a Anacom (Agência Nacional de Comunicações), que deverá substituir a atual Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações). A nova agência irá regular os serviços do Sistema Nacional de Serviços Postais.

 

O Verdadeiro Papel dos Correios

Correios não dão prejuízo. 80% dos comerciantes online preferem os Correios para enviar produtos por ser uma medida mais rentável. Os Correios garantem o ENEM, entregando provas em mais de 15 mil escolas.

Além disso, os Correios têm autonomia orçamentária: não depende de recursos orçamentários do governo e não se mantém com impostos do cidadão. Ao contrário, gera receita para o Governo Federal. Os Correios têm o papel social inestimável de levar aos brasileiros dignidade, cidadania e acesso a serviços públicos. 

Serviço postal precisa ser direito universal e não estratégia comercial.

A sociedade precisa entender que num país como o Brasil certos serviços básicos não são lucrativos por causa da vasta zona rural e de mata e por isso muitas localidades ficariam desassistidas se tudo fosse privatizado, porque empresa privada só investe onde dá lucro, logo se torna necessário a ação das empresas estatais.

“Em Senador Thaumaturgo, município do Acre, onde não há acesso por rodovia, os objetos chegam por avião e depois seguem de barco até o outro lado do rio Madeira, onde fica a agência dos Correios. Para se chegar ao arquipélago de Bailique, no Amapá, o carteiro leva 12 horas de barco saindo de Macapá. Já para ir de Manaus a Manicoré, são quatro dias de viagem pelo rio Amazonas”, afirmou general Juarez Aparecido de Paula Cunha, ex-presidente dos Correios.

Os Correios são o único operador logístico que chega em todos os 5.570 municípios brasileiros. Em 60% deles, também são o único representante da União. Trata-se de inclusão bancária, emissão de documentos, distribuição de vacinas e donativos em caso de catástrofes.

É por meio da capilaridade dos Correios que as urnas eletrônicas do Tribunal Superior Eleitoral, os livros didáticos do Ministério da Educação para crianças do ensino fundamental e as provas do Enem chegam em todos os lugares, no tempo exato.

Além disso, os Correios não se limita ao território nacional. A empresa é a porta que leva para o mundo produtos nacionais, fruto do trabalho de milhares de micro e pequenos empresários brasileiros. Também por meio do serviço Exporta Fácil, criado pelos Correios e reconhecido internacionalmente, o processo de exportação se tornou mais fácil e menos burocrático.

"O Brasil precisa de um Correios forte, indutor do desenvolvimento social e econômico e motivo de orgulho nacional", declarou o ex-presidente dos Correios.

 

Fonte: SINTECT e UOL