Khrystal: "Arte é necessária na vida das pessoas, a pandemia deixou isso claro"

15/01/2021

Por: CEFAS CARVALHO
 
Natalense, Khrystal Saraiva é o que se pode chamar de uma artista completa. Cantora de voz poderosa e marcante, musicista, compositora, e já atuou como atriz (no filme ´A Luneta do Tempo`, de Alceu Valença). E artista tem CDs conhecidos como ´Dois tempos` e ´Coisa de preto` e teve participação destacada no programa The Voice Brasil, da Rede Globo. Em conversa com o Portal PN, ela falou sobre música em tempos de pandemia, projetos, ideias e expectativas. Confira:
 
 
Conseguiu compor e produzir música durante a pandemia e o isolamento?
 
Consegui sim, mesmo com um medo grande que ainda me acompanha, abri a porteira da composição e vem saindo muita coisa. Trabalhei na produção do primeiro lançamento do grupo “Coco de rosa”, fiz consultorias de interpretação nos trabalhos de Tanda Macedo e Tiquinha Rodrigues, teve a retomada com o Retrovisor e meu EP de inéditas que vem vindo. 
 
 
Vimos o retorno do Projeto Retrovisor em plena pandemia. Fale sobre isso.
 
O Retrovisor é meu nascedouro, com eles aprendi a compor e nossas parcerias sempre figuraram nossos trabalhos individuais, um coletivo sempre vivo mesmo que “separado” e que depois de quatorze anos retoma um lançamento juntos. O convite da Pólen Aceleradora veio como uma instigação para esses tempos, tudo vezes cinco..rs as reuniões por vídeo, os papos pelo whatsapp, as composições novas, um single que já está na Praça ( Mordaz ) e um EP com mais três inéditas vem pra solidificar nosso trabalho de composição que vem de muitos anos e atualiza nossa liga juntos.
 
 
Qual o impacto que a pandemia teve nos cantores e cantoras que faziam shows ao vivo?
 
Um impacto grande. Nossa vida sempre foi presencial, dependemos das pessoas para trabalhar e a internet era usada apenas como complemento a essa vida presencial. tudo isso puxou nosso tapete. É muito importante essa preservação do contato presencial, ao mesmo tempo que temos que achar o melhor jeito de trabalhar e alimentar o interesse do público.. seguimos tentando descobrir o que é, más já entendi que seja o que for, é de longe..rs A arte é um bem de grande necessidade na vida das pessoas e acredito que a pandemia deixa isso claro em definitivo. Eu cuido da minha mãe que tem 80 anos, se fico doente, não posso cuidar dela. Então, passeios nem pensar e as saídas profissionais são avaliadas com critério para que eu não me arrisque sem valer a pena, pois tem hora que realmente não tenho como não sair. A pouco tempo, estava num teatro com a Jazz Sinfônica de Parnamirim, uma equipe imensa, todos obedecendo aos critérios de distanciamento, más é difícil, dá medo.. e estávamos só nós, músicos e equipe, fazendo transmissão ao vivo para a internet. Venho buscando usar meu medo com alguma sabedoria. Entendendo que minhas escolhas obedecem um critério humanamente viável. 
 
 
Como avalia a importância das lives durante este período?
 
No começo disso tudo, a chuva de lives foi realmente desesperadora.. eu já não aguentava mais: nem fazer, nem assistir. Entendendo que a live é muito aquém do que podemos entregar para o público, a conexão cai, a tela congela, pausa.. putz.. é aflitivo. Ao mesmo tempo que humanizou muito a relação entre artista e público, desglamour bem vindo esse, gosto desse caminho menos fantasioso que se tem dos artistas. Muitas vezes apareci em lives no Instagram sem maquiagem, sentadinha no meu sofá com minha violinha, conversando sobre a vida, respondendo perguntas, atendendo pedidos.. gostoso também. E sinto que o serviço de transmissões ao vivo vem chegando num nível bem ´profissa` na nossa cidade, o cuidado com a melhor conexão e transmissão vem ganhando espaço e isso me deixa feliz, pela oportunidade de entregar para o público o melhor resultado possível. 
 
 
Como acha que serão os shows musicais no chamado ´novo-normal` pós-vacina?
 
Limite de pessoas presentes e distantes ( não confio nisso..rs ) e as lives cada vez mais profissionais, como falei na resposta anterior. Eu me agarro nessa segunda opção, por entender que é a mais segura dentro desse mundo doido que estamos vivendo. A pessoa de cara limpa, lendo noticiário todo santo dia, anda na rua sem máscara e quando muito, com a máscara no queixo. Participei de uma live presencial a pouco tempo, que no camarim chegou uma artista querendo me dar um abraço.. Imagina tudo isso com bebida alcoólica no meio? As palavras cuidado e empatia precisam sair do discurso e entrar na prática, para ontem. Se não, não tem novo-normal.. é velho mesmo e assassino.
 
 
Quais os seus projetos para 2021?
      
Lançar meu EP de inéditas que passou na Aldir Blanc e que me deixou bem feliz. Vai ter também o lançamento de um Podcast falando sobre nosso amado Elino Julião, em parceria com a Tanda Macedo. Com ela também vem um clipe dirigido por Carito Cavalcanti, chamado “Amor de Barro” parceria minha com Tanda, reverenciando esse forrozeiro tão importante para nós Potiguares. Vem o EP “Pra onde vai a música?” com o Retrovisor e tem mais coisa que não dá pra falar ainda, obras em processo..rs.